Em época de Copa do Mundo, algumas expressões sempre vêm à tona. Uma das mais ouvidas, que nem todos sabem o significado, é ‘Maracanazo’. É possível entender que se trata de alguma coisa ruim, algum tipo de vexame, mas muitas pessoas não imaginam qual é a origem desse termo. Ele foi criado a partir de 1950, e não surgiu no Brasil.

‘Maracanazo’ remete à famosa derrota da seleção brasileira para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950. O revés fez o Brasil ficar com o vice-campeonato no primeiro Mundial disputado por aqui. O jogo aconteceu no Maracanã e, consequentemente, foi apelidado pelos uruguaios, felizes com a conquista do bicampeonato, de Maracanazo.

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Não é possível saber quem criou a expressão. Ao O Globo, o diretor Sebastian Bednarik, que idealizou o documentário "Maracaná", no Uruguai, disse que a alcunha começou a aparecer no país vizinho em alguns blocos de teatros musicais, chamados de Murga. Depois, o termo foi difundido e, segundo o diretor, se tornou muito comum aos uruguaios nascidos a partir da década de 1960.

Um levantamento do jornal ainda mostrou que, no Brasil, a expressão demorou a ser usada pela imprensa. Publicações tradicionais, como o próprio O Globo e a Folha de S. Paulo, usaram o termo somente no fim dos anos 70. Aqui, porém, a expressão passou, claro, a representar um ‘sentimento ruim’, já que a derrota foi uma das mais doloridas da história da seleção brasileira. ‘Maracanazo’ foi incorporado ao vocabulário futebolístico do país, mesmo, a partir dos anos 90. Hoje em dia é famoso entre os amantes de futebol.

O que foi o Maracanazo

O Brasil sediou a Copa do Mundo de 1950. O torneio não acontecia havia 12 anos, por causa da Segunda Guerra Mundial. Nas três edições anteriores, a seleção brasileira não tinha tido sucesso – foi eliminada na primeira fase em 1930 e 1934, e ficou em terceiro em 1938. A Copa como anfitriã era a chance para os brasileiros finalmente erguerem a taça.

O time comandado por Flávio Costa foi bem na primeira fase. Logo na estreia, goleou o México por 4 a 0. Depois, empatou por 2 a 2 com a Suíça, e venceu a Iugoslávia por 2 a 0. Com os resultados, se classificou em primeiro do grupo.

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A fase seguinte foi um quadrangular com todos os classificados. Uruguai, Suécia, Espanha e Brasil se enfrentaram. A regra era: todos jogariam contra todos, e quem pontuasse mais seria campeão. A partir daí, a seleção brasileira deu show e encheu os torcedores de esperança. Foram duas goleadas nas duas primeiras rodadas: 7 a 1 contra os suecos, e 6 a 1 contra os espanhóis.

As combinações de resultados fizeram com que o confronto da última rodada, entre Brasil e Uruguai, definisse o campeão. Os brasileiros teriam a vantagem do empate diante de um público pagante de 173.850 pagantes, o maior da história das Copas do Mundo.

A vantagem do empate, as goleadas nas primeiras rodadas e um Maracanã lotado fizeram com que o Brasil fosse o favorito diante do Uruguai, que havia sido campeão em 1930. A expectativa aumentou ainda mais quando Friaça, aos dois minutos do segundo tempo, abriu o placar para o time brasileiro.

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Pouco depois, tudo isso virou frustração. Com gols de Schiaffino, aos 21 minutos, e de Ghiggia, aos 34, os uruguaios viraram o placar e conquistaram o título, calando o público e deixando, segundo quem estava presente, um ‘silêncio ensurdecedor’ no Maracanã. A derrota dos brasileiros, que viria a ser conhecida como Maracanazo, virou trauma e fantasma. O goleiro Barbosa, acusado de falhar no gol de Ghiggia, teve a carreira e a vida marcadas para sempre, uma injustiça com um atleta gigante, ídolo do Vasco da Gama

media Ghiggia foi o autor do gol que deu o título da Copa de 1950 ao Uruguai. Crédito: REUTERS/Alamy Stock Photo

Até a camisa usada pela seleção naquele dia, de cor branca, foi trocada. O Brasil, pouco depois, passou a usar uniforme amarelo. A camisa branca nunca mais foi usada pelo país em uma Copa do Mundo.

A cor amarela surgiu em um concurso feito em 1953. O gaúcho Aldyr Schlee, à época com 18 anos, foi quem venceu a disputa promovida pelo jornal Correio da Manhã, que teve mais de 200 candidatos. Desde então, o amarelo virou sinônimo de seleção brasileira, que, depois do sucesso, passou a ser conhecida mundialmente como a Amarelinha.

Maracanazo deu origem ao Mineiraço

O termo Maracanazo resumiu, em uma expressão, o sentimento de decepção dos brasileiros e de alegria dos uruguaios naquela Copa do Mundo de 1950. Depois de 64 anos, em 2014, o Brasil voltou a sediar um Mundial e novamente passou por uma grande frustração.

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As circunstâncias foram diferentes, claro. A seleção de 2014 sofreu uma goleada por 7 a 1 contra a Alemanha, na semifinal, o maior vexame do Brasil em Copas, e deu adeus ao sonho do hexacampeonato – mas terá oportunidade novamente em 2022. A partida aconteceu no estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Pela ‘coincidência’ de decepção em casa, uma nova alcunha surgiu, baseada no famoso Maracanazo: o Mineiraço.

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