Todo mundo tem alguma lembrança de um jogo do Brasil na Copa do Mundo. O torneio agita o país do futebol e mobiliza torcedores de norte a sul. A tradição de acompanhar os jogos sempre com alguma festa vem da história que a seleção brasileira tem no Mundial: além de ser a maior campeã, é a única que participou de todas as edições.

A Amarelinha protagonizou duelos históricos nas 21 Copas disputadas até aqui. Foram títulos, jogos marcantes e até alguns – poucos – vexames. Veja os maiores duelos do Brasil na Copa do Mundo.

Brasil x Uruguai (Copa do Mundo de 1950)

Uma das primeiras grandes disputas da seleção brasileira, que todo amante de futebol já ouviu falar pelo menos uma vez, aconteceu na Copa do Mundo de 1950. A competição era sediada no Brasil pela primeira vez, ainda na quarta edição, e terminou de maneira frustrante. Depois de uma boa campanha, com direito a goleadas por 6 a 1 e 7 a 1, sobre Espanha e Suécia, respectivamente, a seleção teve nas mãos a chance de conquistar a tão sonhada taça.

Era a última partida, e os brasileiros tinham o Uruguai pela frente. Como se tratava de um quadrangular, o duelo não foi exatamente uma final, mas teve todas as características de uma, já que o campeão sairia de fato dali. O Brasil poderia até empatar que garantiria o título. O palco da disputa foi o gigante Maracanã.

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O estádio registrou, naquele 16 de julho, 173.850 pagantes, o maior público da história dos Mundiais. A maior parte, claro, era de brasileiros, que viram Friaça abrir o placar no começo do segundo tempo e comemoraram a possibilidade de conquistar o mundo pela primeira vez. Os torcedores, porém, não contavam que o time sofreria a virada: Schiaffino, vinte minutos depois, e Ghiggia, já perto do fim do jogo, marcaram para o Uruguai. Os torcedores, calados, assistiram a uma das derrotas mais dolorosas da história do futebol brasileiro.

O trauma foi tão grande que esse duelo foi o último em que o Brasil jogou de branco em uma Copa do Mundo. Para a edição seguinte, de 1954, como forma de ‘espantar a zica’, a seleção adotou uma nova cor, que viraria marca: a amarela. Além disso, a derrota para os uruguaios ficou conhecida e marcada para sempre como o ‘Maracanazo’.

media Maracanã foi palco da final da Copa do Mundo de 1950. Crédito: DPA Picture Alliance/Alamy Stock Photo)

Brasil x Itália (Copa do Mundo de 1970)

Vinte anos depois do sofrido revés diante do Uruguai, o cenário era completamente diferente. Em 1970, o Brasil já era bicampeão mundial e estava prestes a consagrar a maior seleção de todos os tempos, com nomes como Carlos Alberto Torres, Gérson, Rivellino, Tostão e Pelé.

A Amarelinha disputou a final daquela edição contra a Itália. A vitória por 4 a 1 foi o ponto alto de uma campanha digna de um esquadrão, que encantou os mexicanos, que sediaram a competição, e o mundo todo.

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O Brasil abriu o placar com Pelé, aos 18 minutos, de cabeça. Ainda na primeira etapa, a Itália empatou com gol de Boninsegna. No segundo tempo, porém, a seleção canarinho sobrou e, com tentos de Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, venceu por 4 a 1, conquistando o tricampeonato mundial. Por ser a primeira seleção a chegar ao tri, ficou de maneira definitiva com a Taça Jules Rimet, primeiro troféu da Copa do Mundo.
media Pelé, Rei do Futebol, se consagrou com o tri na Copa do Mundo de 1970. Crédito: Trinity Mirror/Mirrorpix/Alamy Stock Photo)

Brasil x Itália (Copa do Mundo de 1982)

Outra partida histórica do Brasil também aconteceu diante da Itália, mas em 1982. E, dessa vez, o final não foi bom para os brasileiros. A seleção, assim como 12 anos antes, também encantava com um futebol cheio de toques de bola, habilidade e jogando para frente. A equipe tinha craques, como Júnior, Sócrates, Falcão e Zico, e era comandada por Telê Santana.

O Brasil era considerado um dos favoritos daquela edição disputada na Espanha, mas um duelo ficou marcado e acabou com o sonho do que seria o então tetracampeonato. A Itália apareceu no caminho dos brasileiros no triangular que definiria o classificado à semifinal – a Argentina fazia parte do grupo.

Em 5 de julho, Brasil e Itália se enfrentaram no Estádio do Sarriá. Quem ganhasse, avançaria. A torcida canarinho estava confiante, mas recebeu um banho de água fria logo aos cinco minutos de jogo, quando Paolo Rossi abriu o placar para os italianos. Sócrates, aos 12, empatou. Rossi, pouco mais de dez minutos depois, voltou a dar vantagem para a Itália. Persistente, o Brasil novamente empatou, agora com Falcão. Com quase 30 minutos do segundo tempo, Rossi fez o terceiro dele, o gol definitivo, que fez os comandados de Telê darem adeus à competição após um jogo eletrizante.

O duelo foi marcante não apenas pelo bom futebol, com um placar apertado e com muitos gols, mas também porque frustrou os brasileiros que acreditavam no título. Assim como o Maracanazo, a decepção ganhou um nome, tamanha a relevância: Tragédia do Sarriá.

media Paolo Rossi fez os três gols da Itália contra o Brasil na Copa do Mundo de 1982. Crédito: Trinity Mirror/Mirrorpix/Alamy Stock Photo)

Brasil x Holanda (Copa do Mundo de 1998)

Este jogo nem sempre é recordado, mas entra na categoria de jogos históricos do Brasil por conta da dramaticidade e de tudo que envolvia o duelo, além de ter valido uma vaga na final da edição de 1998.

A seleção brasileira era a atual campeã do mundo, e estava em busca do pentacampeonato, que acabou vindo apenas em 2002. Do outro lado, estava a Holanda, uma seleção que sempre montou bons times, mas acabou batendo na trave e nunca conquistou o título. Ambas haviam se enfrentado quatro anos antes, em 1994, nas quartas de final, e o Brasil tinha levado a melhor por 3 a 2.

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Em 1998, a disputa aconteceu na semifinal. Os brasileiros contavam com Taffarel, Ronaldo, Rivaldo e companhia; os holandeses tinham craques como Davids e Bergkamp.

O Brasil saiu na frente com gol de Ronaldo, no primeiro minuto do segundo tempo. A Holanda empatou com Kluivert somente aos 42. A partida foi para a prorrogação e, depois, para os pênaltis

Foi então que os brasileiros viram novamente brilhar a estrela do goleiro Taffarel, que defendeu dois pênaltis, eternizando ainda mais o bordão do narrador Galvão Bueno: “Sai que é sua, Taffarel”. A Canarinho garantiu a vaga na final, que foi vencida pela França por 3 a 0.

media Taffarel foi o herói do Brasil na semifinal da Copa de 1998 contra a Holanda. Crédito: Allstar Picture Library Ltd/Alamy Stock Photo)

Brasil x Alemanha (Copa do Mundo de 2002)

A goleada da Alemanha por 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014 está marcada na cabeça dos brasileiros, mas um outro duelo contra os alemães entrou para a lista dos principais jogos da seleção brasileira anos antes: a final da Copa do Mundo de 2002.

O Brasil, apesar de chegar ao Mundial com um elenco recheado de craques, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, tinha passado por dificuldades nas Eliminatórias e correu risco de ficar fora da Copa – diferentemente do que aconteceu neste ano, em 2022, quando o Brasil sobrou na disputa; veja palpites para a Copa do Mundo, que começa em novembro.

Felipão, porém, recuperou a equipe a ponto de chegar bem e se classificar para a final de 2002 de forma invicta, vencendo todos os jogos.

A Alemanha, cheia de tradição, já era tricampeã, e também tinha tido dificuldade nas Eliminatórias, se classificando apenas na repescagem. O time possuía uma defesa forte, capitaneada pelo goleiro Oliver Kahn, que chegou a ser eleito o melhor jogador da Copa.

Dentro de campo, o Brasil levou a melhor. O primeiro gol saiu aos 22 minutos do segundo tempo, em falha justamente de Kahn, que deu rebote em chute de Rivaldo, e Ronaldo empurrou para as redes. O camisa 9 brasileiro ainda fez o segundo gol, aos 34, em chute da entrada da área, após corta-luz feito por Rivaldo. Os dois gols do Fenômeno garantiram o penta da seleção brasileira, que se isolou como a maior campeã.

media Ronaldo fez os dois gols do Brasil na final da Copa de 2002 contra a Alemanha. Crédito: DPA Picture Alliance/Alamy Stock Photo)

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