Todo fã de futebol ama assistir a uma disputa de pênaltis – menos, é claro, quando o time do coração está envolvido. Há quem diga que é loteria, sorte; há quem diga que é treino, competência. A discussão sobre as penalidades dura anos e não há um consenso. O certo é que envolve muita emoção, apreensão e, no fim, felicidade para um lado; alegria para outro.

Ao longo das Copas do Mundo, muitas classificações aconteceram por disputas de pênaltis. Das grandes finais, porém, em 21 edições, somente duas foram definidas dessa forma. A Itália, tetracampeã mundial, esteve envolvida em ambas. Os brasileiros, aliás, se lembram muito bem de uma dessas decisões. Veja, a seguir, como foram as duas finais de Copa do Mundo que acabaram nas cobranças de pênaltis.

Brasil x Itália (1994)

A Copa do Mundo foi disputada pela primeira vez em 1930. Somente 64 anos depois, em 1994, uma final foi definida na disputa de pênaltis. Os envolvidos foram, à época, dois dos maiores campeões mundiais: Brasil e Itália. Ambos já haviam vencido a Copa em três oportunidades (a Alemanha também era tri). Quem vencesse, portanto, se isolaria no posto de país com mais títulos no torneio.

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No caminho para a final, o Brasil encarou, na fase de grupos, a Suécia, Rússia e Camarões. O time comandado por Parreira venceu os russos por 2 a 0, os camaroneses por 3 a 0, e empatou com os suecos por 1 a 1, garantindo o primeiro lugar, com sete pontos, e se classificando para as fases de mata-mata.

Nas oitavas, a Canarinho encarou os Estados Unidos, donos da casa, e venceu de maneira apertada, por 1 a 0, com gol de Bebeto, em pleno Dia da Independência dos estadunidenses. Nas quartas de final, bateu a Holanda por 3 a 2, em mais um duelo equilibrado, com gols de Romário, Bebeto e Branco.

A semifinal foi um reencontro com a Suécia, que havia enfrentando o Brasil na primeira fase, e, mais uma vez, o placar foi apertadíssimo, com diferença de apenas um gol. Os brasileiros derrotaram os suecos por 1 a 0, com gol de Romário. A trajetória da Amarelinha na Copa foi dura, nos detalhes, assim como seria contra a Itália.

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O caminho dos italianos também foi bastante conturbado. Na fase de grupos, a seleção quase ficou de fora, se classificando como uma das terceiras colocadas, a de pior campanha, depois de perder para a Irlanda por 1 a 0, vencer a Noruega por 1 a 0, e empatar com o México por 1 a 1.

A partir daí, o time foi ganhando força, mas as classificações sempre vieram com placares de diferenças mínimas. Nas oitavas, ganhou da Nigéria por 2 a 1, com um gol na prorrogação. Nas quartas, bateu a Espanha novamente por 2 a 1. A semifinal foi contra a Bulgária e o placar se repetiu: 2 a 1.

Vale destacar que um jogador foi decisivo no mata-mata para que a Itália chegasse até a final: Roberto Baggio. Ele fez os dois gols contra os nigerianos, anotou o tento decisivo contra os espanhóis, e marcou mais duas vezes contra os búlgaros. O destino na grande final, porém, seria diferente.

Brasil e Itália se enfrentaram no Rose Bowl, em Pasadena, no início da tarde, sob um calor enorme. A partida teve poucas chances de gols e foi bem mais truncada. Os brasileiros chegaram a ter uma bola na trave, em chute de Mauro Silva e falha do goleiro Pagliuca, e uma ótima oportunidade com Romário, que, dentro da área, desperdiçou.

O duelo se manteve empatado por 0 a 0 por 90 minutos, e depois também na prorrogação. Assim, o jogo foi para os pênaltis. Os italianos começaram batendo, e perderam, com Baresi. Mas os brasileiros, em cobrança errada de Márcio Santos, não aproveitaram a oportunidade de sair à frente.

Na sequência, quatro gols: Albertini e Evani fizeram para a Itália; Romário e Branco, para o Brasil. Na quarta cobrança da Itália, Massaro chutou e Taffarel defendeu. O capitão Dunga, então, colocou o Brasil em vantagem.

O pênalti derradeiro ficou aos pés do craque italiano Roberto Baggio. Ele precisava marcar para a Itália continuar na disputa, mas o camisa 10 isolou por cima do gol, fazendo com que o Brasil comemorasse o tetracampeonato. Em 2022, a seleção brasileira vai em busca do hexa – veja palpites para a Copa do Mundo.

media Jogadores brasileiros comemoram após a conquista da Copa do Mundo de 1994. Crédito: PA Images/Alamy Stock Photo

Itália x França (2006)

Em 2006, na Alemanha, a Copa do Mundo proporcionou a segunda – até aqui última – disputa de pênaltis em uma final. A Itália, 12 anos depois de 1994, esteve novamente envolvida, mas dessa vez encarou a França, que havia sido campeã mundial somente em 1998.

Os italianos lideraram o grupo E, com sete pontos, vencendo Gana por 2 a 0, empatando com os Estados Unidos por 1 a 1, e vencendo a República Tcheca por 2 a 0. Nas oitavas de final, passaram pela Austrália por 1 a 0. Nas quartas, pela Ucrânia, por 3 a 0. Na semifinal, a Itália encarou a Alemanha, dona da casa, e venceu por 2 a 0, em jogo apertado, na prorrogação.

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A França, por outro lado, esteve no grupo G, e se classificou em segundo, tendo empatado com a Suíça por 0 a 0, com a Coreia do Sul por 1 a 1, e vencido Togo por 2 a 0. Nas oitavas, eliminou a Espanha por 3 a 1. Nas quartas, deixou para trás o Brasil, que era o atual campeão, por 1 a 0; e na semifinal derrotou Portugal, que era comandado por Felipão, também por 1 a 0.

Na final entre Itália e França, diferentemente de 1994, o empate foi por 1 a 1. Logo aos sete minutos de jogo, o zagueiro italiano Materazzi derrubou o francês Malouda dentro da área. O juiz marcou pênalti. O craque Zidane foi para a cobrança e, com uma cavadinha histórica, abriu o placar.

Pouco depois, aos 19 minutos, Materazzi, após cobrança de escanteio, cabeceou para o fundo das redes e empatou a partida. O duelo seguiu com esse placar até o fim dos 90 minutos.

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A final foi para a prorrogação e seguia normalmente para os pênaltis até que os dois autores dos gols protagonizaram um lance que está marcado na história das Copas do Mundo. Após ser provocado, Zidane acertou uma cabeçada no peito de Materazzi, e foi expulso, ficando de fora das penalidades, após o empate persistir no placar.

A Itália, que começou a disputa, acertou as cinco cobranças, batidas por Pirlo, Materazzi, De Rossi, Del Piero e Grosso. A França fez com Wiltord, Abidal e Sagnol, mas perdeu a segunda cobrança com Trezeguet. Coube ao zagueiro Fabio Grosso o gol decisivo, que deu, enfim, o tetracampeonato mundial aos italianos.

media Jogadores da Itália recebem a taça da Copa do Mundo após vencerem a França na final de 2006. Crédito: Neil Tingle/Alamy Stock Photo

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