Lealdade e amor à camisa estão em falta no esporte, mas nunca faltou para estes grandes atletas, que fizeram de seus maiores títulos, serem ídolos incontestáveis de uma única torcida
Durante as últimas décadas, o esporte se tornou muito mais um mercado do que uma forma de entretenimento. Tanto que a própria janela de transferências do futebol e as trocas ou a free agency dos esportes americanos se tornaram parte do entretenimento.
Para onde será que Fulano vai? Será que Ciclano fica no time? Estas perguntas são extremamente comuns em algumas épocas do ano e são potencializadas quando nomes de peso estão envolvidos em rumores de negociações com outras equipes.
Mas mesmo depois de tantos anos, há nomes que resistem ao tempo e permanecem no time que os alçou ao estrelato.
Neste artigo, vamos prestar uma homenagem aos grandes atletas de diversos esportes que passaram por apenas um clube. Há uma série de jogadores de futebol, basquete ou futebol americano que jogaram por apenas um time, mas que simplesmente não são tão bons para estar nessa lista. Aqui vamos falar de atletas que foram líderes morais e técnicos em equipes vencedoras, e que assim foram por grande contribuição destes 13 nomes.
Mas não se engane. Mesmo com campeões mundiais na lista, a maior conquista destes verdadeiros craques de seus esportes é serem ídolos incontestáveis de uma única torcida.
E vamos deixar claro que isso não é um ranking. Afinal, não tem como ranquear quem é mais amado por seus torcedores, e aqui não falamos de conquistas, apesar de todos estes nomes serem grandes vencedores.
Também é importante lembrar que a maior parte dos jogadores aqui presentes são mais contemporâneos por um motivo: antigamente, era mais comum jogadores trocarem pouco de clube. Lev Yashin jogou uma carreira inteira no Dínamo de Moscou, mas isso ocorreu em uma época em que pouco se trocava de clubes no futebol e que a União Soviética era um dos países mais fechados do mundo, então isso acaba pesando talvez até mais do que a própria vontade do jogador em ficar no clube.
Kobe Bryant (Los Angeles Lakers de 1996 a 2016)

Os fãs da NBA ainda estão de luto pela aposentadoria de Kobe Bryant depois que ele decidiu encerrar sua carreira em 2016. O Los Angeles Lakers trocou por ele na noite do draft porque viram algo especial nele saindo direto do colegial. Bryant levou alguns anos para amadurecer, mas se tornou um dos maiores de todos os tempos. A personalidade, a capacidade de pontuação e o desejo de vencer fizeram de Bryant uma estrela única que dominou sua época.
Os Lakers ganharam cinco títulos durante a era de Kobe e ele foi o MVP das finais de dois desses campeonatos. Ninguém jamais esquecerá Bryant, marcando 81 pontos em um único jogo e criando uma das performances mais surpreendentes da história da liga.
A Mamba Negra quase forçou uma troca para deixar Los Angeles quando as coisas estavam ficando difíceis entre as duas partes, mas ele ficou para dar aos fãs do Lakers uma das melhores temporadas que você jamais poderia sonhar.
John Elway (Denver Broncos de 1983 a 1998)

O quarterback é sempre a posição mais importante na NFL e pode ser a mais comemorada em todo o mundo do esporte. É extremamente difícil para um QB passar toda a sua carreira com uma equipe, considerando a grandeza consistente necessária ao jogador e o dinheiro desembolsado pela franquia.
John Elway é um dos poucos selecionados para ter a honra de passar sua carreira exclusivamente no Denver Broncos.
A lendária carreira de Elway viu o objetivo final de ganhar um Super Bowl o iludir até os dois últimos anos de sua carreira. No melhor estilo de canto cisne, Elway deu à base de fãs dos Broncos dois troféus do Super Bowl antes de se aposentar na mesma camisa em que foi escolhido no draft.
O legado de Elway continua a crescer, pois ele ainda faz parte da organização como gerente geral. Elway teve um papel fundamental na direção da franquia para entregar outro título para Denver no Super Bowl 50.
Rogério Ceni (São Paulo de 1990 a 2015)

Ele é detestado por fãs de qualquer clube que não seja o São Paulo. Seus posicionamentos, sua falta de papas na língua, o amor declarado ao tricolor, a indiferença quase arrogante em relação aos adversários mais fervorosos e uma capacidade de marcar gols quase tão boa quanto a que tinha para impedi-los fazem de Rogério Ceni uma figura insuperável para o torcedor são-paulino.
Pergunte a qualquer torcedor roxo do São Paulo quem é o maior ídolo do clube e ele entrará em um longo monólogo para explicar por que Ceni é tão grande. Nunca houve um jogador no clube com tamanha identificação com a torcida, e nós estamos falando de um clube que teve Raí, Muller, Lugano e Muricy Ramalho.
Ele pode não ser o melhor jogador, ou sequer o melhor goleiro da história do clube, mas com certeza ninguém defendeu o São Paulo como ele, e isso jamais será esquecido pelo torcedor tricolor, que faz homenagens ao agora treinador toda vez que ele enfrenta a ex-equipe.
E não, Rogério não atuou por dois clubes. Ele defendeu, sim, o Sinop do Mato Grosso, mas apenas nas equipes de base. Profissionalmente, sua única equipe foi o São Paulo, então ele pertence a esta celebre lista.
Larry Bird (Boston Celtics de 1979 a 1992)

O atributo mais importante para quem faz parte dessa lista é detalhar o que significava para um time. Larry Bird liderou a incrível era do Boston Celtics ao longo dos anos 80.
Após uma grande carreira no college, Bird foi draftado pelos Celtics e mudou completamente a organização. Havia muitas peças talentosas para a equipe, mas Bird era definitivamente o líder e a estrela. Boston venceu três campeonatos da NBA com Bird, mas sua conexão com os fãs foi mais importante.
Todos os fãs do Celtics sabiam que Bird se esforçaria mais pelo objetivo de vencer sempre. A força e o desejo fizeram de Bird um dos competidores mais ferozes da história da liga. Boston teve a sorte de ser a única franquia da NBA que o veria vestir seu uniforme. A competição e o amor pelo jogo estavam em exibição toda vez que Bird vestia uma camisa do Celtics e isso é tudo o que você pode pedir a um craque.
Paolo Maldini (Milan de 1984 a 2009)

A história dos Maldini no Milan é especial. Cesare, o pai, jogou no clube nas décadas de 50 e 60. Seu filho, Paolo, iniciou sua trajetória vestindo vermelho e preto em 1984, com apenas 16 anos. Até 2009, quando se aposentou, foram quase mil jogos oficiais e 26 taças.
O craque brasileiro Roberto Carlos chegou a afirmar que “se tem um jogador que deveria ser eleito o melhor do mundo uma vez por tudo que significa para o futebol, ele se chama Paolo Maldini”.
O zagueiro ganhou tudo que podia com a camisa rossoneri, mas o que os torcedores mais se lembram é de seu amor pelo clube que acolheu sua família desde muito antes de ele nascer. Os filhos de Maldini já passaram pelas categorias de base do clube e a ligação dele com o clube milanista é uma das mais belas que o futebol poderia proporcionar.
Derek Jeter (New York Yankees de 1995 a 2014)

O New York Yankees teve sorte com Derek Jeter instantaneamente se tornando o rosto da franquia histórica durante a dinastia do final dos anos 90.
Jeter lideraria a franquia dos Yankees por muitos anos e nunca procurou se juntar a outra equipe. A base de fãs deixou claro que os Yankees teriam que pagar muito a Jeter para manter sua amada estrela durante toda a sua carreira. Caramba, se Jeter quisesse, ganharia facilmente uma corrida pela prefeitura de Nova York.
Jeter incorporou tudo o que os fãs querem em um atleta. O capitão dos Yankees se empolgava em todas as jogadas, deixava tudo em campo e tratava o jogo com respeito. Você nunca o viu envolvido em discussões ou controvérsias com outros jogadores, a menos que isso fosse unilateral com alguém atrás dele. Jeter se aposentou em 2014 com o momento memorável de bater um single vencedor de um jogo em sua última partida em casa como membro do New York Yankees, fazendo sua caminhada no por sol ser ainda mais gloriosa.
Ryan Giggs (Manchester United de 1991 a 2014)

Giggs conseguiu algo raro: construir uma carreira longeva e fiel em um clube fora do seu país natal. Galês de Cardiff, foi cedo para a Inglaterra e jogou dois anos na base do Manchester City. Em 1987, ingressou no Manchester United, onde ficaria por mais de duas décadas. Giggs deixou os “Red Devils” como atleta em 2014, aos 39 anos. Na sequência, chegou a trabalhar como auxiliar de Louis Van Gaal e como técnico titular da equipe, mas não foi muito adiante. Hoje comanda a seleção galesa.
Giggs jogava como um ponta esquerda clássico, daqueles que tinha habilidade, mas não fazia firula, sempre buscando o fundo do campo para cruzar a bola para os centroavantes, que simplesmente fizeram a festa com assistências do craque canhoto nos anos mais gloriosos da história do United.
Ele era um verdadeiro craque e foi eleito pelos torcedores em 2011, e estamos falando de um clube que teve Eric Cantona, Bobby Charlton e George Best. Só este dado é suficiente para compreender não apenas a qualidade técnica de Giggs, mas o que ele significa para os torcedores dos Red Devils.
Joe Dimaggio (New York Yankees de 1936 a 1951)

O New York Yankees já abrigou atletas mais emblemáticos do que qualquer outra equipe esportiva. A maioria encontra seu caminho em outras equipes, mas poucos selecionados foram capazes de passar suas carreiras inteiras em Nova York. Derek Jeter, Mickey Mantle e Mariano Rivera são três dos mais populares a serem lembrados, mas Joe DiMaggio deve ser o melhor desses nomes.
DiMaggio teve uma carreira incrível, mas a única conquista específica que sempre se destaca é sua série de acertos em 56 jogos consecutivos. Ninguém chegou perto de superar um feito tão impressionante e é provável que nunca aconteça novamente. DiMaggio não só teve sucesso em campo, como também foi manchete por seu relacionamento altamente divulgado com Marilyn Monroe. A personalidade, o talento e o sucesso fizeram de DiMaggio um candidato ideal para os Yankees, de modo que o mantiveram durante toda a sua temporada na MLB.
Marcos (Palmeiras de 1992 a 2012)

O eterno São Marcos é um ídolo nacional, sendo adorado e respeitado por brasileiros dos 4 cantos do país, devido não apenas a seu carisma, mas a sua performance no penta, a qual muitos torcedores e analistas classificam como a melhor de um goleiro naquela Copa (viu, Kahn?)
Mas enquanto torcedores de São Paulo, Corinthians e outros rivais odeiam amar o patrimônio nacional que é o Marcão, os palmeirenses não têm esse dilema. Para os alviverdes, a coisa não podia ser mais clara.
Marcos é o herói da Libertadores de 1999 e nem a falha no mundial daquele ano diminuiu o amor dos palestrinos pelo goleiro. Mas o amor dele pela equipe ficou mais evidente em 2002, quando ocorreu o primeiro rebaixamento da história do clube. Marcos teve propostas da Europa naquele ano, mas optou por ficar e lutar até o fim. A luta foi perdida, mas o amor só aumentou quando ele ficou no clube para disputar a Série B no ano seguinte.
Mesmo aposentado, Marcos continua sendo um torcedor fervoroso do Verdão, defendendo o clube nas redes sociais e cobrando sempre o maior comprometimento do elenco atual.
Jim Brown (Cleveland Browns de 1957 a 1965)

Os esportes de Cleveland são atualmente mais conhecidos pelo sucesso de LeBron James no mundo da NBA desde que conseguiu levar um título para a cidade defendendo os Cavaliers. Antes de James voltar ao time que o revelou, Jim Brown era o atleta mais popular da cidade como membro do Cleveland Browns. O talento inacreditável era único e dominava absolutamente a posição de running back durante toda a sua carreira em Cleveland.
Brown levou Cleveland a um campeonato em 1964 e teve inúmeras conquistas individuais. Os quatro prêmios de MVP se destacam como a nota mais impressionante em seu currículo. Os running backs raramente ganham o MVP Award, mas Brown tinha um nível de domínio tão alto que ele merecia cada vez.
Cleveland ainda o ama como o porta-estandarte de qualquer coisa relacionada ao futebol, e isso porque ele deixou tudo em campo para eles. Toda base de fãs sonha em contratar um jogador como Brown para trazer a diversão de torcer por uma estrela que nunca sai.
Francesco Totti (Roma de 1992 a 2017)

O craque da Roma teve uma das mais belas carreiras que se pode imaginar para um ídolo máximo. Totti nunca venceu muitos títulos pelo clube da capital, mas seu amor pela Roma é incontestável, assim como o amor dos torcedores por ele.
Ele foi campeão do mundo pela Itália em 2006, mas ele mesmo afirma que sua maior conquista é ter feito uma carreira inteira no clube que sempre amou.
Totti era um craque espetacular e isso obviamente atraía olhares dos clubes mais poderosos do mundo. Ele chegou a negociar com o Real Madrid e quase acertou com os merengues, mas na última hora, seu coração falou mais alto e ele escolheu permanecer no clube em que torcia desde criança.
Se há algo que faz de um jogador, um grande jogador e ídolo incontestável é a escolha de tentar fazer de seu clube querido algo maior, ao invés de ir ser um grande jogador em uma equipe já poderosa. Totti fez esta escolha e isso é a maior prova de amor que se pode esperar no esporte.
Magic Johnson (Los Angeles Lakers de 1979 a 1991 e também em 1996)

Um aspecto divertido da lendária rivalidade entre Larry Bird e Magic Johnson é o fato de cada homem jogar apenas por uma equipe da NBA em suas carreiras. Nós estabelecemos a história de Bird, mas o mesmo se aplica à Magic conquistando o mundo do basquete com o Los Angeles Lakers.
Johnson forneceu um estilo de jogo emocionante que também coincidiu com a vitória. O Lakers venceu cinco campeonatos da NBA sob a liderança de Johnson. Magic também conseguiu a impressionante façanha de ganhar três prêmios MVP das finais da NBA e três prêmios MVP da temporada regular.
O Lakers sempre foi um divertido de se ver jogar sob o comando de Johnson e ele trouxe sucesso até que sua carreira foi interrompida, infelizmente, devido a uma infecção pelo HIV.
Johnson permaneceu membro da família Lakers ao longo dos anos, atuando como presidente de operações do basquete dos Lakers.
Carles Puyol (Barcelona de 1999 a 2014)

O eterno capitão do Barça era um jogador discreto e sem frescura. Ele ganhou tudo que podia com o Barça e com a seleção espanhola, sempre como um capitão respeitado, admirado e seguido por todos os companheiros.
Mas esqueça os títulos. Há uma série de momentos pequenos, tão discretos quanto o próprio zagueiro, que definem o que Carles Puyol significa não apenas para os torcedores do Barcelona, mas para o futebol.
Momentos como as brigas em que ele deixava de entrar e ainda segurava seus companheiros, mesmo após ser agredido. Ou quando ele levou o ex-companheiro Ronaldinho, então jogador do Milan, para participar da foto da equipe catalã antes do jogo em que se enfrentariam. Ou nas diversas ocasiões que ele próprio impedia jogadores do Barcelona de fazerem cera, de fazerem simulações ou de desrespeitar o adversário.
Puyol era um zagueiro para lá de limitado tecnicamente, mas ele mais do que compensava isso com uma raça e um respeito pelo torcedor que poucos jogadores demonstraram na história. Respeitadíssimo por rivais e um ídolo incontestável de uma época em que o Barça dominou o futebol mundial com craques e ídolos como Messi, Xavi, Iniesta e o próprio Ronaldinho. Se você perguntar quem é mais ídolo para os torcedores do Barça entre estes jogadores, certamente você ouvirá o nome de Puyol diversas vezes, isso se não o escutar mais do que qualquer outro.
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