Alexander Albon, piloto 2 da Red Bull Racing na Fórmula 1, é o único tailandês no maior campeonato de automobilismo do mundo
Ao analisar o grid da Fórmula 1 em 2020 é possível ver uma bandeira “fora do comum” entre os 21 pilotos que disputam a categoria mais cobiçada do automobilismo. É a da Tailândia, representada por Alexander Albon, da Red Bull Racing. O atleta de 24 anos é companheiro de Max Verstappen na equipe austríaca e tem uma história interessante até chegar ao “estrelato” da F1.
Nascido em Londres, no Reino Unido, sob a tutela do ex-piloto britânico Nigel Albon, seu pai, Alexander se tornou, no ano passado, quando estreou na modalidade pela Toro Rosso, o segundo piloto da Tailândia no grid da Fórmula 1 em toda a história. Antes dele, apenas o Príncipe Birabongse Bhanudej Bhanubandh, o “B Bira”, havia representado o país nos anos 1950. Ou seja, Albon é o primeiro a portar a bandeira asiática na era moderna da F1.
A ligação com o país vem graças à herança materna. Filho de uma tailandesa, Albon preteriu a nacionalidade britânica mesmo morando a vida toda na Europa. Mas isso não é um problema, garante o piloto. “Eu tenho passaportes britânico e tailandês, mas escolhi pilotar sob a bandeira tailandesa. Eu me sinto tailandês, mas isso não significa que eu também não seja britânico. No fim, é uma licença de corrida. Você tem de escolher um e eu escolhi ser tailandês. Não há arrependimentos e acho que não vou mudar isso”, explicou o piloto.
Albon iniciou sua carreira no automobilismo no kart, com oito anos de idade. Em 2005, venceu o primeiro título regional na categoria e deu partida a uma trajetória de sucesso nas categorias de base.
O piloto venceu os títulos Mundial e Europeu em 2010, o que lhe fez saltar à Fórmula Renault 2.0 e à Fórmula 3 Europeia. No final de 2016, o tailandês-britânico se credenciou para disputar a Fórmula 2, último estágio antes de atingir o grid máximo do automobilismo mundial. Ali ele permaneceu por duas temporadas e travou boas corridas com dois companheiros de grid atualmente.
Depois de terminar 2017 na 10ª colocação geral da Fórmula 2, Albon melhorou o desempenho no ano seguinte e venceu a última corrida do calendário, em Abu Dhabi. O resultado o garantiu na 3ª posição do torneio, com 212 pontos. O campeão foi George Russell (287 pontos), enquanto o vice-campeonato ficou com Lando Norris (219). Assim como Albon, a dupla britânica hoje em dia está na Fórmula 1 e representa a nova geração dos pilotos do grid. Russell defende a Williams e Norris representa a McLaren.
O início de Albon na Fórmula 1
Alexander Albon chegou à F1 em 2019. Ele fez as corridas de abertura pela Toro Rosso, surpreendeu com resultados e desempenhos positivos e chamou a atenção da Red Bull. A escuderia austríaca, à época incomodada com o desempenho de Pierre Gasly, que não conseguia acompanhar Verstappen, ofereceu uma proposta ao tailandês, desde então segundo piloto da equipe.
A mudança foi benéfica para ambos. Enquanto o francês Gasly voltou à Toro Rosso e melhorou no campeonato, Albon não se intimidou com a pressão da RBR e conseguiu correr mais próximo a Verstappen. Ele terminou entre os seis primeiros em oito dos últimos nove GPs do ano em 2019.
Na corrida de Interlagos do ano passado, por sinal, o tailandês só não conquistou um espaço no pódio porque Lewis Hamilton o acertou em cheio nos últimos metros da prova.
Ainda assim, a regularidade agradou os chefes de equipe. Albon apresentou um ritmo bem mais forte que Gasly, com ultrapassagens ágeis no fundo do grid e ousadia para acompanhar, na medida do possível, a tocada do holandês número 1 da Red Bull.
Atualmente, Alexander Albon tem 30 GPs no currículo, 155 pontos ganhos e um terceiro lugar, no GP da Toscana, em setembro de 2020, como melhor resultado na Fórmula 1. A comemoração pela conquista foi inusitada e divertiu os fãs de automobilismo.
“O que um piloto moderno faz quando alcança um marco tão importante em sua carreira? Enche uma limousine de vinho e vai para a boate mais próxima, certo? Errado, muito errado. Eu tive um jantar à luz de velas para um. Literalmente me mimei com um bife e tiramisu e depois fui dormir. Foi trágico. Tivemos que fazer um dia de filmagens em uma pista de kart [no dia seguinte ao Grande Prêmio da Toscana], então permaneci na Itália completamente sozinho. Na verdade, até tinha um casal perto de mim, mas eles nem me conheciam”, contou.
Albon: o “queridinho” da F1
Fora das pistas, o tailandês-britânico é popular e simpático (vide a declaração acima). No começo do ano, ele também chamou a atenção ao revelar seu grande plano para 2020: sair da casa dos pais. “Espero que, nos próximos anos, ganhe mais dinheiro e possa me mudar. No momento estou em casa, família em casa. Milton Keynes é uma cidade agradável e perto da fábrica da Red Bull, mas como posso dizer isso? Existem outros lugares por aí. Talvez eu precise morar em outro lugar e ter um estilo de vida mais extravagante? Eu definitivamente gostaria de ir a Londres”, disse o divertido piloto.
Magro e jovem, Albon habitualmente aparece sorrindo na área de boxes. O sorriso, inclusive, é uma das características pessoais do piloto, que tem boa aprovação de toda a comunidade da F1 — algo raro no cenário da modalidade.
“Descontraído, alegre e com um sorriso atrevido, o piloto tailandês é popular entre seus colegas — nem sempre fácil no ‘caldeirão’ de competição do automobilismo. Mas você não tem sucesso na F1 por ser popular — o desafio de Albon agora é grande: combinar com Max em máquinas idênticas”, afirma um trecho da biografia do piloto no site oficial da F1.
Certamente Albon não pertence ao “padrão” dos pilotos da Fórmula 1. Ele tem um jeito simples de viver a vida, é alegre, divertido e representa uma bandeira pouco vista no grid. É interessante vê-lo por conta deste perfil diferente, que em nada atrapalha o desempenho na pista.
O piloto de 24 anos responde também dentro da máquina da Red Bull, agrada aos chefes e se prova cada vez mais como o cara ideal para fazer dupla com Verstappen e equilibrar um pouco o temperamento do holandês. Não à toa, ele completou um ano na escuderia e a expectativa é para que permaneça por mais um tempo por lá.
Se isso de fato se concretizar, ganha em carisma a maior competição de automobilismo do mundo. Conhecia a história do tailandês? Faça suas apostas em Fórmula 1.


















