Outrora a principal escuderia do automobilismo, a equipe não consegue mais vencer um campeonato, mesmo tendo um carro mais rápido
O motor da Ferrari é o mais potente da Fórmula 1. É assim há anos, desde a época de Michael Schumacher. Os pilotos também não são ruins. Atualmente, a equipe conta com o tetracampeão Sebastian Vettel e o monegasco Charles Leclerc, uma das maiores revelações dos últimos anos. Recentemente, passaram pela equipe o finlandês Kimi Raikkonen e o espanhol Fernando Alonso, ambos campeões na categoria.
Carro mais rápido, pilotos incríveis, estrategistas competentes. No papel, tudo parece ser uma fórmula perfeita para o sucesso. No entanto, quando o assunto é na pista, a coisa não é bem assim.
A equipe venceu seu último título da escuderia foi no já distante 2007, com Kimi Raikkonen pilotando para 9 vitórias em 17 provas, somando 204 pontos. De lá para cá, apenas decepções para a escuderia vermelha, que viu primeiro a Red Bull subir ao topo até ser destronada pela Mercedes, que já criou uma dinastia com Lewis Hamilton.
Os números entre as décadas de 2000 e 2010 são tão brutalmente diferentes que é inevitável pensarmos em qual será o futuro da Ferrari. Entre 2000 e 2009, foram 6 títulos de pilotos e 8 de construtores. De 2010 a 2019? Nenhum título. As vitórias também caíram muito. Foram 84 nos anos 2000 e apenas 27 na década passada. Em pole positions, outro número que despencou, de 75 para 23. Finalmente, o número de pódios também caiu muito, com 191 vezes entre os 3 primeiros nos anos 2000 e 141 vezes nos anos de 2010.
Mas o que levou a uma queda tão grande no número de conquistas e, obviamente, na performance da Ferrari entre 2010 e 2019? Um dos motivos pode estar ligado diretamente às raízes da escuderia. No começo dos anos 2000, era raro não ver um carro na pista de Fiorano ou em Mugello.
Porém, a FIA impôs limites aos testes privados, algo que com certeza contribuía e muito para o sucesso da Ferrari nos anos 2000, principalmente durante os anos dourados de Michael Schumacher. Isso fez com que uma grande vantagem da equipe fosse perdida, e a reposição a esta perda foi lenta. Por outro lado, Red Bull e Mercedes, na época ainda com o nome da Honda, investiram pesado em simulações. Com a Ferrari ainda tentando se adaptar às novas tecnologias, as coisas começaram a desandar em Maranello.
Outro problema que a equipe encontrou foi a falta de consistência. Os carros vermelhos começavam a temporada com muita força e iam bem nas primeiras provas, mas o rendimento caía. Enquanto no começo da década, Red Bull conseguia se adaptar e melhorar o carro ao longo do ano, a Ferrari penava para compreender a correlação entre os resultados do túnel de vento e os da pista.
Porém, possivelmente o que realmente matou a década da Ferrari foi a mudança nos regulamentos. Nos anos de Michael Schumacher, a parceria com a Bridgestone foi extremamente vencedora. E a Ferrari era a única a usar esta marca de pneus, enquanto todas as outras equipes usavam Michelin. Isso foi assim até 2006, quando a Michelin deixou a Fórmula 1 e a Bridgestone passou a fornecer pneus para todas as equipes no grid.
Mas qual é a relevância de um pneu diferente, você deve se perguntar. Oras, isso faz toda a diferença. Pneus são a única zona de contato dos carros com a pista, e cada tipo de carro e cada estilo de pilotagem interage de uma maneira diferente com a borracha. Então, como a Ferrari era a única que tinha pneus feitos sob medida para seus carros e pilotos, ela tinha uma enorme vantagem em momentos de menos velocidade, mas com mais controle e recuperação.
Mas não se engane. Nem tudo se resume a performance nas pistas. A equipe de estrategistas também exerce um papel fundamental na campanha de uma equipa na Fórmula 1. Quando Schumacher chegou à Ferrari em 1996, ele levou Ross Brawn e Rory Byrne com ele, para adicioná-los à equipe de ninguém menos que Jean Todt. Por mais de 10 temporadas, estes 3 nomes formaram o núcleo estratégico que resultou em 6 mundiais de construtores e 5 de pilotos.
Na década seguinte, no entanto, as constantes trocas de comando acabaram minando qualquer chance de sucesso da equipe italiana. Foram 4 chefes de equipe diferentes em 10 anos.
Resta vermos se a Ferrari conseguirá, finalmente, subir seu nível. O fim da última temporada foi animador para a escuderia italiana, então resta a Mattia Binotto, Leclerc e Vettel conseguirem manter a ascensão. Caso contrário, podemos ver mais uma década perdida em Maranello.
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