Cena comum, já deve ter acontecido com você: em uma roda de amigos, alguém compartilha que uma nova paixão rendeu suspiros e madrugadas inteiras no telefone, ou que os efeitos de um novo amor fizeram com que as refeições, o sono e outras necessidades ficassem totalmente em segundo plano. Aliás, você mesmo já deve ter passado por isso, afinal, ninguém está imune ao coração palpitante e à famosa sensação de borboletas no estômago.

A paixão, os hormônios da felicidade e seus efeitos frequentemente acabam se tornando pauta, mesmo que de forma superficial. Mas e quando e enquanto estamos vivendo uma vida de solteiro, o que estamos sentido? Como estamos por dentro? É isso que a equipe de jogos de roleta online da Betway apurou para este especial Dia dos Solteiros, que é comemorado em 15 de agosto.

Para começar a nossa análise, é importante ressaltar que estar solteiro não é sinônimo de estar totalmente solitário. Mesmo assim, amigos, colegas e relações casuais não substituem completamente a intensidade dos efeitos da paixão no nosso corpo, dessa forma, as relações conjugais têm suas consequências únicas para a vida dos seres humanos.

Em conversa exclusiva, a psicóloga Maria Laís Campos (CRP 06/130759) explica que somos seres sociais e dependemos de outros humanos para nos desenvolver. “O isolamento potencializa respostas inflamatórias no organismo, enquanto redes sociais de suporte reduzem resposta ao estresse e potencializam funções anti-inflamatórias”, afirma com base em um estudo  recente realizado pela psicóloga clínica texana Caroline Smith.

Voltando para a paixão e seus efeitos, quando conhecemos alguém especial e nos entregamos emocionalmente, somos impactados por dentro e por fora. “A paixão é um sentimento que terá uma representação corporal e será mediada pela liberação de alguns neurotransmissores no cérebro”, esclarece a Dra. Maria Laís. “A dopamina, o neurotransmissor do prazer, é ativado na sensação de bem-estar de estarmos juntos à pessoa que amamos. Outro neurotransmissor ativado é a serotonina, que está associado ao prazer. As endorfinas auxiliam no efeito da satisfação e felicidade, ainda inibem os impactos da irritação e do estresse. A feniletilamina, semelhante à anfetamina, torna a nossa memória mais aguçada também para os detalhes do ser amado”.

Os apaixonados têm comportamentos muito similares, aponta à equipe Betway a neurocirurgiã Ana Maria Moura (CRM/SP 161537). As principais características em comum são falta de sono, de apetite e, de modo geral, falta de concentração em todas as diferentes atividades que não sejam ligadas ao parceiro. “Tudo isso proveniente de uma fabricação descontrolada de substâncias como a norepinefrina, a serotonina e a dopamina”, afirma a especialista.

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“A dopamina traz o sentido de felicidade ao organismo e está diretamente ligada à produção de adrenalina. Já a serotonina, é que faz os apaixonados ficarem até mais tarde no WhatsApp, e pela falta de interesse pela comida dos mesmos. Enquanto isso, a norepinefrina atua acelerando os batimentos do nosso coração, mesmo apenas quando pensamos no motivo da paixão”, esclarece a neurocirurgiã.

Entre os solteiros, esses hormônios são produzidos de forma orgânica e de maneira muito mais equilibrada. Ou seja, quando solteiros, ou não apaixonados, sentimos menos picos de emoções, somos mais lineares. Nossos sentimentos são menos explosivos e efervescentes. Porém, essa “tranquilidade” dos solteiros também pode se tornar prejudicial. Pesquisa apresentada no Heart Failure 2022 – congresso científico organizado pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) –, mostra que pacientes solteiros são menos confiantes no controle de sua condição de saúde e mais socialmente limitados em comparação aos casados. “Na nossa prática diária, vemos que os pacientes que estão sozinhos fazem menos exercícios e têm descuidos maiores com a alimentação”, diz o Dr. Jeffer de Morais, diretor de Cardiologia Clínica do Grupo Sirius.

Os maus hábitos podem gerar sobrecarga de informação e maior dificuldade de retenção de memória nos solteiros, afirma a Dra. Ana Maria. No infográfico abaixo, elencamos as principais diferenças entre o que sentem os solteiros em comparação aos apaixonados, com base nos hormônios que podem ser mais ou menos produzidos no corpo de cada grupo. É interessante analisar que a ocitocina está presente em ambos os grupos, apesar de estimulada de formas diferentes. Além disso, o efeitos da testosterona são maiores em homens solteiros:

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Nos Estados Unidos, ainda na década de 90, os pesquisadores científicos Alan Booth e James Dabbs realizaram juntos estudos que evidenciaram como os níveis hormonais dos homens podem diferir com base em seu status de relacionamento, concluindo que homens solteiros concentram níveis mais altos de testosterona do que homens casados e comprometidos. Isso pode indicar níveis mais altos de libido e até mesmo odor corporal mais intenso, como propõe o resultado do estudo “Do Single Men Smell and Look Different to Partnered Men?” ou “Homens Solteiros Cheiram e Aparentam Diferente do que Homens Comprometidos?”, realizado pelo jornal acadêmico suíço Frontiers in Psychology.

E por mais que as piadas daquele tio do pavê possam dizer o contrário, estudos indicam que a união pode reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Realizada também nos Estados Unidos com 572 participantes, a pesquisa dividiu voluntários e, 3 grupos: solteiros, casados e viúvos. Cada participante realizou a coleta da saliva diariamente por um período determinado para acompanhar os níveis de cortisol. No fim, entre os 3 grupos, o menor índice do hormônio ficou entre os comprometidos.

Então, quer ver na prática o que difere, em termos de sensações e hormônios, os apaixonados dos solteiros? Montamos este infográfico para ilustrar.

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Hormônios da felicidade

Sim, você não precisa se apaixonar para produzir os hormônios da felicidade - não à toa, a ocitocina manifesta-se no cérebro de ambos os grupos. E como vimos, você pode produzi-los de forma mais equilibrada e racional sem estar fascinado e sob os efeitos da paixão. Com algumas práticas diárias, é possível ativar os neurotransmissores responsáveis por esses hormônios e tornar-se mais feliz e, naturalmente, mais saudável. Confira:

Para estimular a dopamina, o hormônio do bem-estar, você pode praticar atividade física, escutar a sua playlist favorita, preparar receitas com alimentos ricos em proteínas e ajustar a sua rotina realizando a higiene do sono.

Agora, para estimular a serotonina, o principal hormônio da felicidade, é importante tomar sol diariamente, sem esquecer do protetor solar, praticar exercícios físicos, fundamental para o estímulo de praticamente todos os hormônios da felicidade, comer um pedaço do seu chocolate preferido, apostar em técnicas de meditação.

Uma das substâncias químicas mais presentes no cérebro quando estamos perdidamente apaixonados é a feniletilamina, que também faz parte dos ingredientes dos chocolates, responsável pela sensação de prazer. Dicas para estimular a feniletilamina, hormônio que também contribui com a memória e nos faz lembrar dos traços da pessoa amada: acrescentar na alimentação produtos como cacau, nozes e leite e especiarias como canela, noz moscada e ginseng.

E será que é possível estimular o hormônio do amor, a ocitocina, sem uma pessoa especial? Sim, é claro! Nem só de amor romântico nós vivemos. Você pode ter contato físico sempre com seus amigos, sua família, com suas principais memórias afetivas, e a dica preciosa é adotar um pet que combine com você e com a sua rotina, se possível.

Os especialistas e as pesquisas indicam que ser solteiro por muito tempo pode ser uma armadilha na qual o principal  risco é descuidar-se e perder-se em hábitos prejudiciais. Mas, até aí, a paixão também contém seus riscos, como deixar de fazer coisas importantes (até de comer!) por um momento passageiro de euforia.

Por dentro do cérebro de cada grupo, as principais nuances são nos níveis de prazer, stress e libido. Ainda assim, pessoas solteiras têm uma produção mais equilibrada dos hormônios conhecidos como da felicidade, e raramente irão esquecer de almoçar, de dormir ou de realizar qualquer tarefa de sua responsabilidade por terem sido tomadas por um sentimento intenso. Porém, podem ter mais dificuldade na retenção de memória recente se mantiverem uma rotina de maus hábitos, conforme apontado pela neurocirurgiã Ana Maria Moura.

Depois dessa leitura, seja você apaixonado ou solteiro, já sabe melhor como funciona por dentro e qual hormônio explica aquele frio na barriga ou o prazer dobrado ao comer um chocolate ou ouvir a playlist preferida. E mais: sabe também que música, pets e contato físico de modo geral são fontes inesgotáveis de prazer e felicidade. Ser feliz não precisa ser sinônimo de ceder aos efeitos da paixão.