Levantamento mostra as principais folhas salariais das equipes do Nordeste; valores nem sempre refletem desempenho em campo
O investimento no futebol, como é notável, aumentou muito ao longo dos anos. A cada temporada que passa, as equipes buscam se estruturar para chegar em um patamar autossuficiente, mas nem todas conseguem. No futebol europeu, é comum ver apenas um seleto grupo de equipes disputando os mesmos campeonatos nacionais.
No Brasil, essa discrepância não existia. Por muito tempo, o país se apresentou com cerca de 12 clubes grandes, que sempre entravam na disputa pelos títulos. De um tempo para cá, porém, os números mostram uma mudança de situação. Clubes considerados gigantes sofreram com más administrações, e se afundaram em dívidas, passando por dificuldades e amargando rebaixamentos.
Uma alternativa encontrada para clubes que foram mal geridos foi a chegada das SAFs (Sociedade Anônima de Futebol), que permitem que as equipes tenham investidores que assumam, coloquem dinheiro nas equipes, a fim de recuperá-las, e tragam uma nova visão de negócio para o esporte mais popular do país. Somente neste ano, Cruzeiro, Botafogo e Vasco embarcaram nessa ideia.
Por outro lado, alguns clubes, que chegaram a passar por momentos difíceis, conseguiram, por diversos meios, atingir uma saúde financeira que os permite estar sempre no topo, reforçando o elenco e lucrando com premiações pelas taças. Desde 2018, apenas três times conquistaram o Campeonato Brasileiro: Palmeiras (2016 e 2018), Flamengo (2019 e 2020) e Atlético-MG (2021).
Os números dentro de campo quase sempre são reflexo do que acontece fora dele. Os três principais times do Brasil atualmente, apontados sempre como favoritos pelos comentaristas, são justamente Verdão, Mengão e Galo, que dominaram o futebol nacional na última temporada. Os três possuíram as maiores folhas salariais de 2021.
O Flamengo foi o time que mais gastou com salários. Por mês, o Rubro-negro desembolsou R$ 36 milhões, em um elenco que possui craques como Gabigol, Bruno Henrique e De Arrascaeta. O Palmeiras, atual bicampeão da Libertadores, gastou R$ 32 milhões mensais para quitar os vencimentos de Weverton, Dudu, Raphael Veiga e companhia. O levantamento é do jornalista Thiago Fernandes, do site Goal Brasil.
O Atlético-MG, que foi a equipe com mais reforços de peso, como Hulk e Diego Costa, gastou R$ 27 milhões com salários do elenco que conquistou a Copa do Brasil (veja todas as informações da edição de 2022) e o Campeonato Brasileiro com autoridade. Os dois torneios deram a chance de participar da Supercopa do Brasil, diante do Fla, vice-campeão do Brasileirão. Os mineiros garantiram o primeiro título em 2022.

Quanto os times nordestinos gastaram com salário em 2021?
A temporada de 2021 contou com quatro clubes do Nordeste na Série A do Campeonato Brasileiro: Ceará, Bahia, Sport e Fortaleza. A campanha do Tricolor cearense, inclusive, foi histórica. A equipe comandada pelo argentino Juan Pablo Vojvoda ficou em 4º lugar no Brasileirão, sendo o primeiro time nordestino a se classificar à Libertadores pelos pontos corridos. Antes do Leão do Pici, três times da região haviam jogado o torneio continental: Sport, Bahia e Náutico.
O Ceará, rival do Tricolor, ficou em 11ª no Campeonato Brasileiro, e garantiu vaga para a Copa Sul-Americana desta temporada. O Sport e o Bahia não tiveram um bom ano, e ambos foram rebaixados para a Série B. O time baiano ficou em 18º; o time pernambucano, 19º, na penúltima colocação.
O maior gasto fora do campo, neste caso, não teve o principal retorno dentro das quatro linhas. O Ceará foi o time nordestino que mais arcou com salários por mês na Série A de 2021: R$ 8,6 milhões. Considerando o Brasil inteiro, foi o 11º que mais desembolsou – coincidentemente a mesma posição na tabela de classificação.
O Fortaleza, que obteve os melhores resultados dentro de campo, veio em seguida, com R$ 7,8 milhões gastos mensalmente. O elenco do Tricolor contou com alguns ‘medalhões’, como Lucas Lima, Marcelo Boeck e Yago Pikachu. Para se ter uma ideia do feito do clube, a folha salarial foi quase 2,5 vezes menor que a do São Paulo, que gastou R$ 19 milhões e terminou a competição em 13º.
O gasto mensal com vencimentos do Bahia foi de R$ 6 milhões – valor maior que o de Athletico-PR, Juventude, Atlético-GO, América-MG e Cuiabá, que se mantiveram na elite. O Sport, por outro lado, realmente tinha um custo mais enxuto, com apenas R$ 2,5 milhões na folha, acima apenas de América-MG, Chapecoense e Cuiabá.
O ponto alto da temporada passada do Bahia foi a conquista da Copa do Nordeste, chegando ao quarto título na competição (o Tricolor também levou a taça em 2001, 2002 e 2017). Se algum time entre Bahia, Fortaleza, Ceará ou Sport for campeão do torneio regional neste ano – relembre times que levaram a ‘Lampions League’ de forma invicta –, arrecadará, em premiação, R$ 3,5 milhões. O valor ajudaria bastante no planejamento anual e contribuiria com a folha salarial das potências nordestinas.
A ‘Lampions League’ é a principal competição da região, e ganha cada vez mais importância técnica e financeira. No último ano sem pandemia, 2019, a média de torcedores pagantes, que geram renda aos times, foi de 7.378, atrás apenas do Paulistão e do Carioca, entre as competições estaduais e regionais.

















