Cérebro poupador, instinto de sobrevivência e empatia são os grandes culpados
Uma das principais reclamações do BBB 22 é a ausência de grandes polêmicas e barracos. Enquanto as duas edições anteriores borbulharam com temas como feminismo, racismo e homofobia, neste ano o confinamento não chegou a provocar polarizações que chamassem a atenção do público. A falta de brigas pode até ser boa para os participantes, que têm uma convivência mais tranquila, mas é negativa para o programa, que luta para gerar audiência.
Curiosamente, a sede por desavenças não é exclusiva do Big Brother Brasil, e também acaba afetando outros programas, de novelas a realities… Mas por que será que isso acontece?
Muitas emoções e pouco risco
Buscamos conteúdos de entretenimento para nos distrair, mas não só. Eles também acabam sendo formas de provocar emoções sem grandes riscos. Por exemplo, quando assistimos a um filme de terror, medo e ansiedade são duas reações frequentes — e o melhor: para quem gosta, não é preciso passar por uma situação de real perigo, é só ligar a televisão!
Realities shows não são muito diferentes nesse sentido. Por meio das brigas e romances que se desenvolvem nos programas, somos capazes de nos envolver emocionalmente sem necessariamente estar inserido naquela realidade. É só pensar em alguma polêmica do BBB que mexeu com o público… e a edição 21 é um ótimo exemplo.
Na época, inúmeras conversas se desenrolaram em rodas de conversa e nas redes sociais sobre as atitudes da cantora e participante Karol Conká, mas, no fundo, elas não passaram de discussões. Mesmo os mais revoltados com a questão, eventualmente dormiram sem preocupações — e é capaz que, hoje, já até tenham esquecido do que aconteceu. Afinal, eles não eram a rapper ou nenhum dos participantes que estavam confinados com ela, ou seja, o problema não era deles. Ainda assim, durante aquelas semanas eles puderam experimentar um leque de emoções dignas de quem estava no centro do conflito.
Mais paz, menos público
Agora que entendemos um dos principais motivos para buscarmos programas como o BBB, ou seja, para sermos provocados de forma segura, vale entender: por que queremos brigas? Acompanhar um grupo de pessoas em relacionamentos saudáveis e vivendo momentos felizes não provocaria em nós sentimentos mais saudáveis e positivos? A verdade é que não. Seja nos reality shows, nos livros ou nos filmes: se não há algum tipo de conflito a ser resolvido, não somos compelidos a consumi-los. Isso porque a tranquilidade facilmente nos entedia, até em nossos próprios relacionamentos, e quem explica isso é a neurociência.
O cérebro humano é um grande poupador de energia e a qualquer oportunidade focará em economizar recursos. Uma dessas oportunidades é quando não estamos vivenciando algum problema, ou seja, está tudo bem e tranquilo. Nesse cenário, o cérebro entende que não estamos em apuros e não precisamos de toda sua atenção. Por isso, entra em modo automático para se poupar para quando realmente precisarmos… é quando temos aquela sensação de tédio.
É por isso que ao assistir o BBB, não estamos procurando necessariamente relaxar ou ficar em paz, o que queremos é conflito e emoções à flor da pele! Por sinal, quem sabe disso muito bem é a produção do programa, que constantemente cria ferramentas para provocar os participantes, o exemplo mais claro sendo o Jogo da Discórdia.
Nesse sentido, não é à toa que algumas das são as que não tiveram muito conflito, e por que muita gente aposta que o BBB 22 está caminhando para entrar nesse ranking, uma vez que ele está bem morno se comparado às últimas edições que transbordaram com polêmicas. Qual a sua opinião? Você também pode saber : para saber o passo a passo, é só clicar no link.
Quanto pior, melhor
Outro fator que está em jogo e tem uma forte relação com o que vimos até agora é a nossa atração não só por conflitos, mas por negatividade. Talvez você já tenha se perguntado por que em jornais e notícias só lemos casos negativos – desastres, polêmicas, guerra, acidentes… Não é que não há nada positivo acontecendo no mundo, mas notícias felizes não nos chamam muita atenção.
O que entra em jogo aqui não é só uma questão de um cérebro poupador de energia, mas também um instinto de sobrevivência que carregamos há milhares de anos. Quando lemos sobre alguma tragédia, entendemos que estamos em perigo e automaticamente ficamos em alerta, o que nos faz prestar mais atenção e, consequentemente, consumir mais daquele conteúdo. Por ser um instinto tão importante, ele é mais fácil de ser ativado, ou seja, prender a nossa atenção por conflitos que não sejam tão negativos é mais difícil.
É clara aqui a ligação entre esse instinto de sobrevivência e o BBB, certo? É a ele que a produção do programa recorre quando procura de todas as formas gerar intriga e, mais especificamente, barraco no confinamento. Vale dizer também que esse instinto acaba sendo potencializado pela nossa capacidade de empatia, o que faz com que nos identifiquemos com os participantes e fiquemos mais propensos a entender a situação de perigo como um problema nosso. Complexo, hein?


















