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E se não tivéssemos perdido Dener em 1994?

25 May | BY Betway Insider | MIN READ TIME |
E se não tivéssemos perdido Dener em 1994?

O garoto de dribles fáceis e objetivos teve sua carreira brilhante interrompida precocemente, mas e se o destino tivesse algo diferente reservado para ele?

Quem viu, viu. Dener era um craque. Com dribles rápidos, fáceis e objetivos, ele não era um jogador que fazia muitas “firulas”, preferindo driblar em direção ao gol. Alguns dizem que ele era melhor do que Ronaldo nesta idade, mas isso é bastante subjetivo.

Ele surgiu na Portuguesa, em 1991, como um atacante veloz e seu estilo endiabrado ganhou rapidamente amantes por todo o país, e isso em uma época em que não havia internet.

Infelizmente, sua carreira e vida foram interrompidas de forma trágica em um 19 de abril de 1994, quando ele estava no banco do passageiro de um carro que se acidentou. Aos fãs do futebol bonito e alegre de Dener, restaram apenas vídeos de suas jogadas cheias de explosão, dribles desconcertantes e lindos gols, além de um óbvio gosto amargo de “quero mais”.

Mas e se Dener não tivesse nos deixado naquele acidente? E se a batida do carro tivesse sido mais leve ou mesmo não tivesse ocorrido e Dener tivesse terminado sua viagem normalmente, como teria sido a carreira do craque?

Vamos começar nossa história justamente na época do acidente. Na época do acidente, Dener estava emprestado ao Vasco, onde vinha jogando bem. Aos 23 anos, Dener voava nos gramados do Rio de Janeiro no primeiro semestre do ano e o público clamava por uma convocação dele à seleção brasileira para a Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Após marcar 12 gols em 26 partidas, Dener viu suas esperanças de convocação escorrerem por seus dedos, ao ser preterido em nome de Ronaldo, que simplesmente acabava com todos os adversários do Cruzeiro aos 19 anos, por Müller, que comandava o ataque do São Paulo em dois títulos mundiais, e por Viola, que vivia grande fase no Corinthians.

Com a frustração de não ter sido convocado, Dener se manda para a Alemanha, onde se junta a Dunga, capitão do Tetra, no Stuttgart. O volante se torna um mentor para Dener e ajuda o craque a amadurecer e superar a primeira grande frustração da carreira. Juntos, eles levam o Stuttgart ao 4º lugar no campeonato, conseguindo assim uma vaga à Copa UEFA da temporada seguinte. Dener foi o destaque da campanha do time alemão, com 14 gols e 8 assistências em 28 partidas.

A grande temporada finalmente levou Dener a ter o reconhecimento na seleção brasileira. Chegada a Copa América de 1995, no Uruguai, Dener assume a camisa 10, que era de Raí, e conduz o Brasil à final contra os anfitriões. Na final, Dener estava simplesmente imparável e coroou sua atuação com a assistência para o segundo gol de Túlio Maravilha. O Brasil vence a partida por 2 a 1 e é campeão da Copa América com Dener sendo eleito o melhor jogador do torneio.

Após o retorno para a Alemanha, Dener recebe a notícia da diretoria: uma proposta do Bayern de Munique havia sido aceita por eles. A cifra de 20 milhões de dólares era a mesma que o Barcelona acabava de pagar para tirar Ronaldo do PSV. Dener é recebido como uma superestrela no time bávaro, apenas aos 24 anos.

A temporada em Munique começou com Dener devendo o futebol. Nos primeiros jogos, atuações apagadas e algumas lesões fizeram com que ele perdesse a vaga para Papin, que voltava a fazer dupla de ataque com Klinsmann

Porém, Klinsmann sofre uma lesão mais grave e tem sua temporada encerrada pelos médicos ainda em dezembro, o que faz com que Dener ganhe nova chance. Desta vez, recuperado das lesões e com algo a provar, ele não decepciona e faz cinco gols em duas partidas antes da parada de inverno. Na volta, um mês depois, ele segue fazendo gols e vai assim até o fim do ano. Ele acaba sendo o principal responsável pela recuperação do Bayern de Munique, que consegue sair da 7ª colocação que ocupava em janeiro e chegar ao vice-campeonato, apenas 6 pontos atrás do campeão Borussia Dortmund. Dener terminava a temporada com 13 gols marcados, apenas 4 a menos que o artilheiro Bobic, seu ex-companheiro no Stuttgart.

Na temporada seguinte, Dener consegue dar sequência à boa fase que vivia, mostrando que estava totalmente adaptado à vida no time bávaro. A saída de Papin deixou o caminho aberto para Dener ser peça insubstituível em Munique e usando a camisa 9, conduziu o Bayern de Munique ao título alemão.

A grande fase de Dener o torna imprescindível à Seleção Brasileira. Ao lado de Ronaldo e Romário, ele só não fez chover na Bolívia. Com a lendária camisa 10 nas costas, Dener marcou 3 gols e deu 5 assistências, incluindo 3 na vitória por 7 a 0 sobre o Peru. Junto com o camisa 9 e o camisa 11, Dener foi o principal responsável por mais um título da Seleção Brasileira.

A temporada seguinte começa com Dener lesionado e ele perde as 10 primeiras partidas do Bayern de Munique. Mesmo assim, a equipe parecia não sentir tanto sua falta e vencia praticamente todos os jogos que disputava. Em seu lugar, estava outro brasileiro: Élber, que chegava para o lugar de Klinsmann. Usando a camisa 9, outrora de Dener, que agora usava a 11, Élber fazia uma ótima dupla com Carsten Jancker. Juntos, somariam 24 gols no ano. Quando voltou de lesão, Dener ouviu de Giovanni Trapattoni que não poderia mexer no time agora, pois Élber e Jancker tinha se entendido lá na frente. E como no final da temporada teria a Copa do Mundo da França, Dener se viu em uma situação delicada. Ou ele jogava, ou corria risco de perder a vaga na convocação brasileira.

Com o ataque fluindo, Dener viu uma opção: recuar para o meio-campo. Em um momento de muita maturidade para alguém com 26 anos, Dener pediu mais minutos à Trapattoni para as partidas no final do primeiro semestre da temporada, nem que isso significasse ser recuado para o meio-campo ou até mesmo ser negociado. O treinador italiano resolve dar uma chance a Dener na nova posição, mas ele mostra dificuldades em se adaptar, já que seu estilo e instinto. Após 6 partidas consecutivas como titular sem qualquer impacto, Trapattoni deu o experimento por encerrado e declarou Dener como reserva de Élber.

A decisão do treinador culminou em uma polêmica. Dener, em busca de mais tempo de jogo, começou a forçar uma saída do time da Baviera. A janela de janeiro estava aberta e Dener queria jogar com frequência na segunda parte da temporada, pois sabia que só assim poderia ir ao mundial na França.

Depois de muito insistir, Dener consegue uma transferência de empréstimo para o futebol espanhol, indo jogar no Deportivo La Coruña, onde ele se juntou aos brasileiros Djalminha, Mauro Silva, Flávio Conceição, Donato e Luizão, além do treinador Carlos Alberto Silva. Na Espanha, Dener chega com status de estrela e mandou o marroquino Bassir direto para o banco de reservas.

A presença de Dener muda a temporada medíocre que o Deportivo fazia e ele marca 9 gols em 14 partidas, levando o time ao 8º lugar e à Copa UEFA do ano seguinte. Mas tudo pareceu insuficiente, pelo menos em um primeiro momento, já que Zagallo anunciou a convocação e Dener novamente não ouviu seu nome na lista original.

Porém, o destino quis que Dener fosse recompensado por sua perseverança. Quando Romário se contundiu e Zagallo optou por cortá-lo, Dener foi chamado para usar a camisa 11 na França, apenas dias antes do mundial. E assim, o volante Emerson, outro que era cotado para uma vaga, acaba nunca atingindo a fama que conseguiu na carreira e acabaria nunca sendo mais convocado para a seleção.

No mundial da França, Dener começa no banco, com Ronaldo fazendo a dupla de ataque com o veterano Bebeto. O primeiro jogo é difícil, mas o Brasil passa pela Escócia, sem que Dener entrasse em campo.

Na segunda partida, uma goleada tranquila sobre o Marrocos, com Dener fazendo sua estreia em mundiais ao entrar com apenas 10 minutos restantes, tempo suficiente para ele exibir seu estilo de jogo e conquistar fãs em todas as torcidas.

Na terceira partida, um adversário indigesto: a Noruega, até então único país que jamais havia perdido para a Seleção Brasileira.

O jogo é difícil, com ambas as equipes dificultando muito as ações adversárias. Então, aos 30 do segundo tempo, Dener entra no lugar de Bebeto e apenas 3 minutos depois de entrar em campo, ele recebe um passe açucarado de Rivaldo e faz o gol brasileiro. A Noruega pressiona em busca do empate e vê o gol de Flo ser mal anulado e um pênalti, também em Flo, não ser marcado. O Brasil vencia a Noruega pela primeira vez na história dos confrontos e se classificava na primeira colocação, com 9 pontos.

O gol de Dener fez com que ele ganhasse a posição de Bebeto na partida contra o Chile, nas oitavas-de-final e ele não decepcionou, dando duas assistências, uma para César Sampaio e outra para Ronaldo. Assim, Dener sedimentava seu lugar no time titular, dando à equipe um novo fôlego e estilo de jogo.

Nas quartas-de-final, o duelo com os dinamarqueses foi complicado, mas Dener guardou mais um gol, seu segundo na Copa. Com outros 2 de Rivaldo, o Brasil garantia sua vaga na semifinal em vitória por 3 a 2. Dener se tornava a sensação do torneio.

Então, veio o jogo contra a Holanda, uma das sérias candidatas ao título. O jogo era o mais difícil até ali, com a defesa brasileira tendo muita dificuldade em conter as investidas de Bergkamp, Overmars e Kluivert.

O tempo regulamentar terminou com o empate em 1 a 1 e a partida seguiu para a prorrogação. Foi então que Dener se consagrou. Aos 5 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Dener recebeu a bola na lateral, próximo ao meio-campo e driblou Cocu. Dali, era campo aberto até a área e ele arrancou, em sua jogada de assinatura, gingando contra Frank de Boer. Ao deixar o capitão holandês no chão com um drible inacreditável, o grandalhão Jaap Stam veio fazer a cobertura. Dener então vê Ronaldo entrando na área pelo outro lado e só rola a bola para o camisa 9 vencer Van der Sar e marcar o gol de ouro que levaria o Brasil à final.

Porém, algo não estava certo. A comemoração da vitória foi interrompida rapidamente e o clima que era de felicidade, ganhou um misto de lamentação. Após dar o passe para Ronaldo, Dener sofreu entrada violenta de Stam, que chegara atrasado para o combate, acertando o joelho esquerdo do camisa 11 do Brasil. Os exames constataram um rompimento completo dos ligamentos cruzados do joelho atingido e colocaram um fim na Copa do Mundo de Dener, que assistiu das tribunas do Saint Dennis a derrota por 3 a 0 para os franceses na final.

A lesão era grave e Dener, que voltava ao Bayern de Munique após o fim do contrato com o Deportivo La Coruña, acabaria perdendo praticamente toda a temporada de 1998/99 em recuperação. Ele voltou a figurar no banco de reservas apenas em abril de 1999, quando o título alemão estava bem encaminhado, novamente devido às grandes contribuições da dupla Élber/Jancker, que somaram 26 gols na liga. Dener entrou nas últimas 3 partidas, mas não teve qualquer impacto nos jogos que participou. E com seu contrato em Munique acabando, Dener acabou dispensado sem custos, ficando livre no mercado.

Parecia algo impensável. Um dos maiores craques do mundo estava sem clube. Porém, analistas esportivos começavam a especular sobre o futuro de Dener. Afinal, na mente destes comentaristas, deveria ter algo muito errado com o joelho de Dener, a ponto do Bayern de Munique não renovar seu contrato. A incerteza sobre a capacidade de Dener ainda jogar em alto nível era mais presente do que nunca e isso afastava os grandes clubes da Europa da ideia de contratá-lo, ainda que sem custo algum.

Após algumas semanas de espera, finalmente um clube anunciava Dener. O Milan acabara de anunciar o ucraniano Shevchenko com sua grande contratação do ano para fazer dupla com o veterano alemão Bierhoff. Mas ainda tinha um espaço neste ataque. Dener chega a Milão com incertezas, mas a torcida se empolga com a possibilidade de ver dois dos atacantes mais explosivos do momento usando sua camisa.

E o que se segue é exatamente isso: uma explosão de gols. Dener começa a temporada no banco de Bierhoff, mas como o alemão não fazia muitos gols, Dener ganha a vaga ao entrar em 4 partidas seguidas no segundo tempo e marcar em todas elas. Começava a se formar a dupla de ataque mais mortal da Europa, com Shevchenko e Dener, camisas 7 e 11, destruindo qualquer adversário que cruzasse seu caminho.

No fim do ano, o Milan acabaria na terceira posição do campeonato italiano, apenas 3 pontos atrás da campeã Lazio e voltava à Liga dos Campeões. Mas para Dener, a temporada foi de redenção. Foram 18 gols marcados, sua melhor marca em uma temporada até então, e um caminhão de assistências para Shevchenko, que se sagraria artilheiro do campeonato com 24 gols.

Em 2000, Dener segue no Milan, agora com total prestígio da comissão técnica do técnico Zaccheroni. O ano dos Rossoneri é difícil, com o time perdendo muitos pontos importantes. Por outro lado, Dener e Shevchenko seguiam jogando bem. Dener não repetiria o ano anterior, mas ainda teria uma marca razoável, com 11 gols marcados no campeonato nacional, enquanto seu parceiro de ataque marcaria 24 vezes e seria o vice-artilheiro da competição. Já na Liga dos Campeões, uma eliminação na segunda fase foi a gota d’água para a demissão de Zaccheroni. Para seu lugar, o Milan contratava Carlo Ancelotti, numa movimentação que daria início a última fase gloriosa dos rossoneri.

A temporada 2001/02 começava na Europa e Dener agora gozava do interesse de Real Madrid e Barcelona em seus serviços. O Real Madrid começava a montar seu elenco galáctico e Florentino Pérez via Dener como peça fundamental naquela equipe, para fazer dupla com Raul González. E como a política dos merengues era a de não economizar em craques, o clube fez exatamente isso. Poucos dias após desembolsar 77 milhões de euros em Zidane, que estava na rival Juventus, o Real Madrid anuncia a contratação de Dener por 60 milhões de euros, levando mais um brasileiro para o Santiago Bernabéu.

Porém, sua chegada força a saída de outro brasileiro, o meia Sávio, que se transfere para Juventus, justamente para ocupar a lacuna deixada por Zidane. Dener assume assim a camisa 11 do Real Madrid e dá início à sua melhor temporada. Competindo por uma vaga no ataque com dois favoritos da torcida, ele não demora a colocar Fernando Morientes no banco de reservas, assumindo a titularidade ao lado de Raul.

No total, Dener marcou 22 gols, sendo 19 na La Liga e 3 na Liga dos Campeões. E se no campeonato espanhol, o Real Madrid ficou apenas na terceira posição, atrás de Valencia e La Coruña, o mesmo não se repetiu na Liga dos Campeões. Em uma final eletrizante contra o Bayer Leverkusen, Dener infernizou a defesa alemã, fazendo um gol e dando uma assistência para Raul fazer outro, suficiente para que ele fosse eleito o craque do jogo, vencido por 3 a 1 pelo Real Madrid. O placar foi completado pelo famoso voleio de Zidane.

Acabada a temporada, era a hora da Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão e, se nas duas últimas Copas, o nome de Dener não era certeza, nesta não havia dúvida. Dener era titular da seleção brasileira, após ser um dos líderes do time nas eliminatórias.

Dener foi convocado com tranquilidade, enquanto a grande dúvida de Felipão era se levava Juninho Paulista ou Denílson. Juninho acabou convocado, já que Felipão acreditava que o time já tinha dribladores demais. Ronaldinho Gaúcho era o 12º jogador daquele time, que tinha Dener, Rivaldo e Ronaldo no ataque e Felipão não mudaria seu esquema de 3 zagueiros para dar lugar a Gaúcho entre os titulares.

A estreia na Copa foi difícil, contra a surpreendente seleção da Turquia. No final, vitória por 2 a 1. Na segunda partida, Dener deitou e rolou sobre os chineses, fazendo 2 gols e sendo eleito o melhor em campo.

Na terceira rodada, Dener não jogou contra a Costa Rica e viu do banco o Brasil golear por 5 a 2. A seleção se classificava em primeiro lugar do grupo, com 9 pontos e o torcedor brasileiro se empolgava com as perspectivas do penta finalmente chegar.

No primeiro jogo da segunda fase, Dener fez sua pior partida no mundial, assim como o restante do time. Daquela partida contra a Bélgica, se destacaram apenas Ronaldo e Rivaldo, autores dos dois gols que levaram o Brasil à próxima fase.

Nas quartas-de-final, um jogo de nervos à flor da pele contra a Inglaterra. Os ingleses saíram na frente após um erro de Lúcio e tudo parecia caminhar para uma eliminação precoce. Foi então que Dener puxou um contra-ataque, deu um drible desconcertante em Ashley Cole e deixou Rivaldo na cara do gol de Seaman. O jogo ia para o intervalo empatado.

No segundo tempo, Ronaldinho entrou no lugar de Kléberson, dando ao torcedor aquilo que ele mais queria: um quarteto com Dener, Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo. E a mexida surtiu efeito. Logo aos 5 minutos do segundo tempo, Ronaldinho bateu falta despretensiosa, que parecia um cruzamento para a área, mas acabou encobrindo o goleiro inglês, em um gol antológico. Nem mesmo a expulsão de Ronaldinho minutos depois foi capaz de tirar o jogo das mãos brasileiras.

Na semifinal, um adversário já conhecido. A Turquia. O jogo, ainda mais amarrado que o primeiro, parecia caminhar para um 0 a 0, quando Dener deu uma de suas arrancadas fulminantes, deixando para trás metade do time turco, em um gol muito semelhante ao de Maradona contra a Inglaterra em 1986. As comparações dos gols eram inevitáveis e Dener começou a finalmente ser exaltado como um dos melhores do mundo.

Na final do mundial, veio a consagração máxima. Contra a Alemanha, Dener, Rivaldo e Ronaldo infernizaram a defesa composta pelos grandalhões Metzelder e Mertesacker. Ronaldo marcou duas vezes, Dener fechou o placar e o Brasil vencia por 3 a 0 para conquistar o quinto título mundial.

Ronaldo seria o artilheiro da Copa, com 7 gols, enquanto Dener foi eleito o melhor jogador do Mundial, somando 4 gols e liderando em assistências, com 5.

Ao final do mundial, Dener retornou à Madrid, agora com um “novo” companheiro de ataque. Ronaldo era contratado junto à Internazionale, e o Real Madrid teria assim os dois melhores jogadores da Copa do Mundo em seu elenco.

A nova temporada no Real Madrid começou bem, com Dener realizando boas atuações. Mas com uma idade mais avançada, não demorou muito até que ele perdesse sua posição de titular, deixando Ronaldo e Raul como os atacantes merengues. Porém, o final da passagem de Dener pelo Real Madrid aconteceu antes mesmo do fim da temporada. Na semifinal da Liga dos Campeões contra a Juventus, após uma vitória por 2 a 1, sendo um dos gols marcado por Dener, o craque da camisa 11 madrilenha viu do banco sua equipe ser derrotada na Itália por 3 a 1, o que resultou na eliminação do Real Madrid. Dener discutiu com o técnico Vicente Del Bosque em uma situação que tomaria as páginas dos tabloides, todos em favor de Dener, vendo que ele poderia ter feito algo de diferente naquela partida.

O apoio, no entanto, foi insuficiente e Dener não atuou mais naquela temporada, sendo afastado do elenco principal que venceria o campeonato espanhol. Ronaldo seria o artilheiro na La Liga, com 23 gols, Raul marcaria outros 16 gols, enquanto Dener terminaria o ano com apenas 6 gols e totalmente em baixa. Para piorar, uma lesão muscular que o atormentou durante todo o ano parecia não o deixar em paz e médicos não sabiam mais o que fazer para tratar a contusão.

Em dezembro de 2002, Dener venceu o mundial de clubes com o Real Madrid, jogando alguns minutos da partida contra o Olimpia do Paraguai e ficou em segundo no prêmio FIFA de melhor do mundo, sendo derrotado por Ronaldo e ficando à frente de Oliver Kahn e Zidane, mas nem isso foi capaz de fazer sua temporada ser melhor.

Ao fim da temporada, Dener foi negociado, pois não havia mais clima para sua permanência em Madrid. Aos 32 anos de idade, Dener já tinha ganho praticamente tudo que podia. Campeonatos nacionais com Bayern de Munique e Real Madrid, uma Liga dos Campeões e um mundial de clubes com o time espanhol e uma Copa do Mundo. O título de melhor do mundo, em sua melhor oportunidade, acabou batendo na trave.

Foi no verão europeu de 2003 que Dener se desligou do Real Madrid em comum acordo e voltou ao Brasil. Seu destino definitivo ainda era incerto, e não faltavam times enviando propostas. Flamengo, Grêmio, Vasco e Corinthians foram os primeiros a chegar. Mas Dener estava lesionado e um time chamou sua atenção por conta disso. O São Paulo tinha inaugurado, em fevereiro de 2003, um centro de recuperação física de atletas que tinha se tornado referência mundial rapidamente. O clube conseguia recuperar grandes jogadores que o mundo do futebol dava como terminados e Dener aceitou um convite do tricolor para se tratar no CT do time do Morumbi. Com o tratamento avançando em semanas mais do que tinha conseguido em meses na Espanha, o São Paulo finalmente entrou com força total na disputa pelo atacante. O clube havia acabado de vender Kaká para o Milan e precisava de um craque para seu lugar. Dener, feliz com a forma como São Paulo ajudou a lhe recuperar a forma física, aceitou a proposta tricolor e assinou com o São Paulo até o fim de 2005.

Logo em seu primeiro campeonato com o São Paulo, Dener mostrou que ainda podia jogar muita bola. Ele foi peça fundamental, na campanha que resultou na 3ª colocação no Brasileirão e significou o retorno do São Paulo à Libertadores. Fazendo uma dupla de ataque fatal com Luís Fabiano, Dener marcou 17 gols no certame e colaborou com vários gols dos 29 que o parceiro de ataque guardou, o que resultou em Dener sendo eleito o melhor jogador do clube pelos torcedores.

Em 2004, Dener conduziu o São Paulo a mais uma terceira colocação no brasileirão e à semifinal na Libertadores, mas desta vez de forma menos marcante, em um ano marcado por mais problemas físicos e muito tempo no departamento médico.

Em 2005, aos 34 anos de idade, Dener passa a ser um reserva de luxo no Morumbi, entrando em praticamente todos os jogos e entendendo seu papel de líder mesmo no banco de reservas. No Paulistão, Dener foi importante para a conquista do São Paulo, mas ficou marcado mesmo pelas grandes exibições ao lado de Falcão, craque do futsal. A dupla parecia entender muito bem e deu show nas poucas vezes em que atuou junta.

Mas veio, então, o título que faltava a Dener. Em agosto de 2005, Dener entrou no lugar de Luizão quando o São Paulo vencia o Atlético Paranaense por 3 a 0 na final da Libertadores e marcou o último gol, fechando a goleada por 4 a 0 e conquistando a América pela primeira vez, nos momentos derradeiros de sua carreira.

Com o São Paulo focado no mundial em dezembro, Dener teve mais oportunidades de jogo no Brasileirão, fazendo 8 gols na campanha que terminou com a 11ª colocação. No mundial de clubes, Dener não entrou em campo, mas comemorou o título sobre o Liverpool com seus companheiros e foi homenageado por todos, que já sabiam que ali se encerrava a passagem dele pelo Morumbi.

Em janeiro de 2006, novamente sem clube, Dener decide voltar para a Portuguesa, clube que o lançou ao futebol. Sua primeira missão foi salvar a Portuguesa do rebaixamento no Paulistão, com uma vitória por 2 a 0 na última rodada contra o Santos, com ambos os gols marcados por Dener. No Brasileirão, mais uma missão contra o descenso, Dener fez grande dupla com Alex Alves e salvou a Portuguesa mais uma vez na última rodada.

Aos 35 anos, Dener anunciava o fim de sua carreira, exausto após o triunfo na última rodada do Brasileirão, recebendo todas as honras de um verdadeiro ídolo da Lusa. Ele jamais voltaria a trabalhar diretamente com futebol novamente, dizendo que “não levava jeito para ser treinador”.

 

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