Narrar um jogo esportivo é uma arte. Não são raras as vezes em que o jogo está monótono, mas nós nos prendemos à TV ou ao rádio, pois alguém não nos deixa sair, colocando uma dose de emoção com um microfone na mão. Eles são responsáveis não apenas por informar, mas por explicar o que acontece e adicionar adrenalina a qualquer evento esportivo.

E como brasileiro vive rodeado de esporte, não são poucos aqueles narradores que marcaram nossas vidas. Todos têm um favorito, seja da TV ou do radinho. Mas nosso trabalho hoje não é escolher nossos favoritos. Hoje teremos a dura tarefa de elencar os principais narradores brasileiros de todos os tempos.

Então esqueça aquele seu narrador favorito (ou não), pois gosto pessoal não terá vez aqui. Para elencarmos os maiores, teremos que analisar basicamente duas coisas: o impacto e importância que ele ou ela teve para a narração esportiva como um todo e o tempo em que ele se manteve relevante. Vamos à lista, que inclui profissionais do rádio e da TV.

10- José Carlos Araújo, o Garotinho

Outro dos longevos radialistas, Garotinho possui narrações e bordões marcantes ao longo de uma carreira que se iniciou em 1964 e ainda segue em alta velocidade, mesmo com ele no auge de seus 80 anos.

9- Januário de Oliveira

Ele é um dos muitos pais da locução esportiva no Brasil. Foi ele quem criou alguns dos bordões mais divertidos entre tantos que já vimos, como “tá lá um corpo estendido no chão” e “cruel, muito cruel”. Ele não narrou por pouco tempo, também. Januário de Oliveira ficou em atividade entre 1952 e 1998, quando teve de se aposentar por complicações na visão em decorrência de diabetes. Garotinho narrou com emoção uma série de finais de campeonatos brasileiros e estaduais, além estar presente em todas as Copas do Mundo desde 1986.

8- Nilson César

Este homem é uma instituição. Suas narrações são como nenhuma outra. Ele é capaz de adicionar emoção aos lances mais banais. Quem está ouvindo pelo rádio imagina que a bola quase entrou, quando na verdade ela nem foi tão perto assim.

Aos 58 anos, ele segue firme e forte na narração desde 1982 e já figura entre os maiores narradores do país por conta de seu estilo carismático, voz inimitável e talvez uma boa dose de sorte em estar presente nos momentos mais importantes do esporte.

7- Cléber Machado

Ele é um daqueles narradores subestimados, que muitos não gostam, mas sua contribuição para a difusão do esporte no Brasil é fundamental e não pode ser ignorada.

Cléber teve um certo azar de ser o “reserva” de Galvão Bueno por décadas, o que talvez o tenha impedido de ser mais reconhecido, mas isso não faz dele um narrador ruim. Pelo contrário, o fato de ele se segurar por tanto tempo em uma posição tão importante (e cada vez mais, à medida que Galvão reduz suas participações), Cléber é um narrador consolidado há muito tempo e deve continuar por muitos anos, principalmente quando Galvão decidir sair de cena, algo que não deve demorar tanto a acontecer. Com 58 anos, e 28 desses dedicados à Rede Globo, ele não é um narrador de muitos bordões, mas mais do que compensa com boas doses de humor leve e informação. Seu momento mais famoso, por incrível que pareça, é um bordão que foi usado oficialmente apenas uma vez, o famoso “hoje não, hoje não, hoje sim”, na derrota polêmica de Rubinho Barrichello para Michael Schumacher. A frase tem quase 20 anos, mas segue firme na cultura popular do brasileiro.

6- Osmar Santos

Ele tinha tudo para ser o maior. Dono de uma voz linda e marcante, ele é conhecido como “o pai da matéria”. Foi ele quem “moldou” Galvão Bueno, então um jovem narrador, durante a Copa de 1986, quando Osmar era o narrador número 1 da Globo. Na Copa seguinte, já estava na extinta Rede Manchete.

Infelizmente, a carreira de Osmar foi abreviada por um grave acidente automobilístico que comprometeu sua fala. Mas sua importância e colaboração para o esporte brasileiro já estavam concretizadas e nem sua aposentadoria precoce diminuiu isso. Tanto que foi criado, em 2004, 10 anos após seu acidente, o troféu Osmar Santos, entregue ao “campeão” do primeiro turno do Brasileirão.

5- Fiori Gigliotti

Ele foi o primeiro dos grandes narradores. Na década de 1950, com a concorrência da TV, ele uniu a narrativa informativa e dramática nas rádios Bandeirantes, Pan-Americana, Tupi e Record, revolucionando a narração esportiva e inaugurando a era romântica da locução de esportes.

4- Silvio Luiz

Silvio Luiz é um dos mais respeitados narradores até hoje. Fez história na Bandeirantes e conquistou o público como o rei dos bordões, como “pelas barbas do profeta”, “pelo amor de meus filhinhos” e “éééééé, foi, foi, foi ele, o craque da camisa número 10”.

Silvio Luiz também transcendeu gerações, colaborando com narrações em jogos de videogame que ajudaram jovens a conhecer o trabalho de um dos profissionais mais velhos ainda na ativa.

3- José Silvério

O último dos pais da narração brasileira em sua forma clássica, José Silvério tem um estilo único, com uma voz forte e um ritmo um pouco mais cadenciado. Seu contrato com a Rede Bandeirantes foi rescindido há apenas um mês, mas já afirmou que, mesmo aos 74 anos, quer continuar narrando esportes, e dada a sua contribuição inestimável à locução esportiva, é improvável que ele fique desempregado por muito tempo.

2- Luciano do Valle

Luciano do Valle é o narrador mais versátil dessa lista. Sua contribuição transcendeu os campos de futebol e foi parar em outros esportes, como a Fórmula 1 e futebol americano. Luciano acreditava que era trabalho do jornalista e principalmente dos narradores esportivos ajudar a difundir outros esportes em uma terra dominada pelo futebol, e ele conseguiu isso. Se hoje o futebol americano da NFL é o esporte que mais cresce no Brasil, parte disso se deve ao esforço de Luciano do Valle, que fez uma aposta em uma época em que era muito complicado transmitir outros esportes na TV aberta, e ainda mais um tão complexo como o futebol americano.

Mas foi no futebol que ele se destacou realmente, com bordões clássicos, um estilo respeitado por todos os jornalistas do país, uma capacidade analítica rara e, principalmente, seu carisma e amor pelo trabalho de locução esportiva. Saudades, Luciano.

1- Galvão Bueno

Não tinha como ser outro. Mesmo com grandes nomes, Galvão Bueno é, sim, o maior narrador de todos os tempos das telecomunicações brasileiras.

Galvão narrou sua primeira Copa do Mundo em 1986 e foi para todas desde então. No entanto, ele já afirmou que não irá narrar a Copa de 2022, deixando seu total de Copas narradas em nove. Só alguém muito competente e importante consegue fazer isso, ainda mais da forma que ele conseguiu, quase como uma unanimidade.

É verdade que seu estilo exagerado não agrada a todos, mas é impossível pensar na profissão de narrador esportivo e outro nome vir à mente antes do dele.

Para completar, Galvão também é dos mais versáteis, sendo, ao lado de Luciano do Valle, o principal responsável pela difusão da Fórmula 1 no Brasil, principalmente durante as décadas de 1980 e 1990, até a morte de Ayrton Senna.

Capaz de se reinventar a cada ano, Galvão parece ficar melhor com o passar do tempo e a próxima Copa do Mundo será estranha sem ele.

 

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