Conheça o halo, peça criada para trazer segurança aos pilotos na F1; veja como funciona, quando foi criada e mais detalhes
Sempre que equipes e pilotos são confirmados para uma temporada da Fórmula 1, os fãs de automobilismo se agitam para saber as novidades nos boxes, as mudanças nos carros e todas as informações da maior categoria do mundo do esporte a motor. Em 2022, por exemplo, e a dança das cadeiras movimentaram a pré-temporada e promoveram modificações importantes no grid – .
Em 2018, uma mudança considerada ‘radical’ no carro gerou muitos debates entre os fãs e os veículos de imprensa especializados em Fórmula 1. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) implementou o halo como peça obrigatória aos carros, com o objetivo de trazer uma proteção extra aos pilotos.
À época, nove das dez equipes votaram contra o acessório, mas a organização do campeonato bancou a decisão. Niki Lauda, tricampeão da categoria e então presidente não-executivo da Mercedes, chegou a dizer que o halo era um ‘erro absoluto’ da categoria. Atualmente, no entanto, a peça está estabelecida no torneio, tem o aval das montadoras e já evitou alguns acidentes importantes.
A cada temporada, é bom destacar, o halo passa por atualizações de segurança. A FIA analisa o desempenho da peça a partir dos acidentes com os pilotos e a deixa ainda mais eficiente.
“Uma peça muito mais forte foi integrada ao carro de 2022. O acidente de Grosjean [a peça protegeu o piloto de um objeto que voou em sua direção] demonstrou que o halo se adequou ao seu propósito; um sistema, não apenas o halo, mas todo o veículo, se juntando para criar a possibilidade de sobrevivência. O ‘halo 4.0’ será um dispositivo mais forte, capaz de suportar uma carga maior”, afirmou o engenheiro Clive Cranfield, um dos idealizadores da peça em 2018, no início do ano.
A seguir, veja todas as informações sobre o halo da Fórmula 1. Como ele surgiu, mais detalhes de como funciona, na prática, quem o inventou e pilotos que já foram salvos pelo acessório – aproveite e acesse .
Todas as informações sobre o halo da Fórmula 1
O que é o halo?
Halo é um sistema de proteção usado em carros da F1, desenvolvido justamente para trazer mais segurança aos pilotos. O acessório consiste em uma barra curva colocada para proteger a cabeça do atleta. Ou seja, é uma proteção no cockpit que, seguramente, vem salvando vidas na Fórmula 1.
Onde fica o acessório?
Como o halo foi criado para dar mais segurança à cabeça dos pilotos, ele fica exatamente na frente dos participantes da F1, no cockpit. O termo, que, traduzido, significa painel de controle, diz respeito ao pedaço do carro em que o atleta se senta e controla, de fato, o automóvel. Por isso, aliás, o halo gerou muito debate e foi considerado um acessório polêmico. Muita gente achou a peça feia, um problema no âmbito da estética da F1 e muito grande, a ponto de poder atrapalhar os pilotos.
O uso do halo na F1 é obrigatório?
Sim, o uso do halo é obrigatório desde que a FIA estabeleceu a sua entrada na Fórmula 1. Desta forma, desde a temporada 2018 todos os carros que vão às pistas da categoria máxima do automobilismo são compostos pelo acessório.
Tecnicamente, o que o halo traz de benefícios?
Obviamente que a Fórmula 1 não apresentaria como obrigatório um acessório grande e que foi tão criticado sem passar por inúmeros testes. Quando oficializou o uso da peça, a partir das corridas de 2018, a organização apresentou os benefícios do halo em três cenários importantes de colisão.
De acordo com a FIA, em um acidente carro-a-carro, o halo foi capaz de suportar 15x a carga estática da massa total e de reduzir significativamente o potencial de lesões. Já em acidentes carro-objetos externos, ele foi bem-sucedido para desviar os objetos grandes do cockpit e preservar os pilotos [caso do Grosjean]. Detritos pequenos podem ainda acertar o piloto, mas com menor chance.
Por fim, em uma colisão carro-meio ambiente, foi estabelecido que o acessório é capaz de evitar, em muitos casos, o contato do capacete com uma barreira ou um muro, por exemplo.
Qual é o peso do halo da Fórmula 1?
O halo foi desenvolvido para proteger o piloto em colisões, com uma alta resistência à tração e uma desejável resposta na relação de resistência/peso. A peça ainda é feita de titânio, para suportar impactos de até 12 toneladas. Essas características fazem com que o acessório pese cerca de 7 kg.
Brasileiro desenvolveu peça que virou esboço para o halo
O halo tem assinatura dos engenheiros da Fórmula 1 e da FIA, passou por inúmeros testes, mas tem um brasileiro que serviu de inspiração para a peça. O designer de produtos Ubiratan Bizarro Costa, o Bira, que desenvolveu uma luva ‘biônica’ para o maestro João Carlos Martins voltar a praticar a sua atividade, pensou em uma peça para proteger o cockpit.
Fã da categoria, o brasileiro criou o ‘PCP F1’ e apresentou o produto na sede da FIA, em Paris, em 2012. A porta de entrada foi Charlie Whiting, então diretor técnico do campeonato, que posteriormente viraria um amigo de Bira. Semelhante ao halo atual, a peça do brasileira foi o primeiro esboço para o sistema de proteção que, hoje, está estabelecido no campeonato.
Prevenção: Hamilton já foi salvo pelo halo
A Fórmula 1 sofreu com uma enxurrada de críticas quando oficializou o halo, principalmente no âmbito estético. Mas, a cada batida em que o sistema atua e preserva a vida de um piloto, fãs voltam atrás e exaltam a importância do equipamento. Um exemplo clássico de que o halo é muito útil aconteceu em 2021.
Max Verstappen e Lewis Hamilton (), que disputaram o título mundial até a última corrida, se chocaram no GP da Itália, e o episódio assustou. O carro do holandês passou por cima do veículo do piloto da Mercedes em Monza, e, não fosse pelo halo, o britânico poderia perder a vida, com o carro da Red Bull atingindo seu pescoço.
Após o acidente e ao rever a batida, Hamilton, que é fã de Ayrton Senna, disse que se sentia abençoado porque o halo havia o salvado de um desfecho pior. O chefe da equipe Mercedes, Toto Wolff, destacou que o halo ‘certamente salvou 100% a vida de Hamilton’. No fim das contas, o heptacampeão só ficou com dores no pescoço, sem nenhum ferimento importante.


















