Em título paulista de 1996, Palmeiras ficou marcado por um desempenho histórico; conheça a história daquele time
Há times que ficam marcados no imaginário dos amantes de futebol. Imagine, então, uma equipe que fez mais de 100 gols em um único campeonato. Isso aconteceu em 1996, com o Palmeiras, no Paulistão – veja curiosidades sobre o estadual mais antigo do país . O Verdão, à época, era comandado por Vanderlei Luxemburgo, que começava a ganhar destaque como treinador, e ficou com a taça do estadual.
Nos 30 duelos que disputou, o Alviverde teve 27 vitórias, dois empates e apenas uma derrota – o revés aconteceu diante do Guarani, por 1 a 0. Foram, ao todo, 102 gols feitos pela máquina palmeirense, uma média incrível e praticamente impossível de ser repetida de 3,4 tentos por partida.
O time-base não sai da cabeça dos torcedores que acompanharam a campanha: Velloso; Cafu, Sandro, Cléber e Júnior; Amaral, Galeano, Rivaldo e Djalminha; Müller e Luizão. O Palmeiras era patrocinado pela Parmalat e, após ser bicampeão paulista e bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, também com Luxemburgo no comando, conseguiu formar o esquadrão de 96.
Naquele ano histórico, mesmo com um elenco avassalador, a única taça levantada pelo Palmeiras foi o Paulistão. A equipe chegou à final da Copa do Brasil, mas perdeu o título para o Cruzeiro. No primeiro jogo, no Mineirão, as equipes empataram por 1 a 1. Na partida de volta, disputada no estádio Palestra Itália, hoje Allianz Parque, o Verdão saiu na frente com Luizão, logo no começo, mas tomou a virada e saiu derrotado por 2 a 1. A decisão aconteceu poucos dias depois da conquista do Campeonato Paulista.
Mesmo assim, o time do Parque Antártica, que logo foi desmanchado, encerrou a temporada de cabeça erguida. Foram 224 gols marcados em 82 jogos – média de 2,7 tentos por partida. Um dos duelos históricos de 1996 aconteceu na pré-temporada, diante do Borussia Dortmund, quando a equipe de Luxa derrotou os alemães, que foram campeões da Champions League e do Mundial em 1996/97, por 6 a 1.
Desempenho no Paulistão
O Campeonato Paulista de 1996 foi disputado por 16 equipes, e aconteceu em sistema de pontos corridos, com todos se enfrentando em turno e returno. O regulamento previa que o vencedor do primeiro turno enfrentaria o vencedor do segundo turno em uma final. Caso a mesma equipe conquistasse as duas ‘etapas’, que foi o que aconteceu com o Palmeiras, seria declarada campeã sem necessidade de decisão.
Na classificação final, somando os dois turnos, o Alviverde terminou com 83 pontos — 28 a mais que o São Paulo, segundo colocado, que ficou com 55. O aproveitamento do Palestra foi de 92%, com as 27 vitórias nos 30 jogos, além de um saldo de gols de 83 (102 marcados e 19 sofridos). Para efeito de comparação, o segundo melhor saldo da competição foi o do Corinthians, 27, com 58 gols marcados e 31 sofridos.
A campanha palmeirense teve vitórias contundentes, como uma goleada sobre o Santos por 6 a 0, na casa do Peixe, na Vila Belmiro. Os gols foram marcados por Rivaldo (2), Cléber (2), Cafu e Djalminha, e a vitória garantiu a conquista do primeiro turno. Até então, o time alviverde estava com 57 gols em 14 partidas, e não pôde mais ser alcançado pela Portuguesa, que era a segunda colocada.
Por coincidência, a conquista do returno também aconteceu em um duelo contra o Santos, clube com mais artilheiros na história do Paulistão . O placar, no entanto, foi mais modesto: ‘apenas’ um 2 a 0, no dia 2 de junho de 1996, com tentos de Luizão – veja lista de jogadores que passaram por Palmeiras e Corinthians – e Cléber. O confronto aconteceu no estádio Palestra Itália, para um público de 27 mil torcedores.
A primeira goleada palmeirense naquele torneio foi logo na estreia, diante da Ferroviária, por 6 a 1. Outros resultados marcantes foram contra Botafogo-SP (8 a 0), Novorizontino (7 a 1), América (6 a 0), União São João (5 a 0), Juventus (5 a 1) e XV de Jaú (4 a 0). Em entrevista ao Resenha ESPN, dez anos depois da conquista, Vanderlei Luxemburgo relembrou os placares elásticos. “Eles não paravam de fazer gols. Chegava o tempo técnico, estava quatro, cinco e eles mesmos (jogadores) pediam mais gols”, disse.
O ex-meia Djalminha, um dos principais destaques daquele time, também participou do programa e exaltou a equipe que, segundo ele, foi “a melhor que eu joguei, que dava mais prazer de desfrutar em campo”. “A gente queria jogar, porque realmente era um prazer entrar em campo. Com as determinações do Vanderlei, era assim: ‘faz um, dois, faz três [gols], não para”, completou o hoje comentarista.
Por que é praticamente impossível um time repetir o ‘ataque de 100 gols’
Assim como em 1996, o Paulistão atualmente também é disputado por 16 equipes, mas o formato é diferente. Nas edições atuais, os participantes são divididos em quatro grupos. Cada equipe enfrenta somente adversários de outros grupos. A soma de jogos na primeira fase, portanto, é de 12 por time. Somando com as fases seguintes, um time que chega à final disputa, ao todo, 16 partidas, pouco mais da metade do que era disputado há quase 30 anos.
Mas o que torna o feito do ataque de 100 gols ser quase impossível de ser repetido não é somente a quantidade de jogos. Se formos comparar médias de gols, a equipe do Palmeiras de 1996 era muito superior ao que estamos acostumados no futebol. Como dito no texto, foram marcados, em média, 3,4 tentos por partida. Para efeito de comparação, o São Paulo, campeão do Paulistão na última temporada, teve uma média de 2,3 – foram 38 gols em 16 confrontos.


















