O que o que é, que comporta 210.000 pessoas, abriga uma pirâmide de 40 toneladas e ainda tem uma fazenda produtora de leite?

Nada disso. Se achou que seria alguma atração turística do Egito, errou feio. Estamos falando do Festival de Glastonbury.

Evento anual lançado em 1970, o festival está de volta depois de um recesso forçado de três anos para celebrar com atraso o seu aniversário de 50 anos.

Os números são mesmo impressionantes. Com área equivalente à de uma pequena cidade, surge do nada e desaparece numa questão de poucas semanas antes e depois do festival.

Para se ter uma ideia da dimensão, se o Festival de Glastonbury fosse mesmo uma cidade, os 210.000 participantes fariam dela a 27a maior cidade do país, rivalizando com Milton Keynes e Norwich.

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Se não bastasse tudo isso, ainda mais impressionante é pensar que quase toda a cidade é temporária – exceto a estrutura do Pyramid Stage.

Há mais de 100 palcos espalhados pelas mais de 30 áreas do festival, incluindo pelo menos 3.300 banheiros.

Montar toda a estrutura e garantir que tudo corra bem para os participantes é uma tarefa colossal. Os ingressos dão direito de participar dos 5 dias do evento.

“A organização é feita durante quase o ano todo”, afirma Sally Howell ao nosso time de cassino online, que há 36 anos é responsável pela organização do Croissant Neuf, um dos campos do festival.

“Nossos funcionários enviam CDs e mensagens de e-mail o ano todo. Então, não chegamos a parar totalmente.

“Mas a operação se intensifica mesmo depois do Natal e agora está em pleno vapor. Estamos contratando funcionários, atraindo exibições e formando equipes.

“Apesar de ter uma área pequena, preciso conduzir tudo de forma muito rigorosa. Meu time de funcionários é composto por equipe local, equipe de palco e som, equipe da barraca, equipe de apoio 24 horas, equipe de instalações, equipe de acampamento e equipe de portão, com cerca de 175 pessoas. Esse número não inclui nenhum artista.

O projeto surgiu a partir de uma comunidade com preocupação ambiental, explica Sally. Ela afirma que está sempre preocupada em produzir um senso de comunidade no Croissant Neuf, mesmo antes do festival.

“Sou responsável por toda a equipe organizadora que trabalha nesta área. Eu mesma que preciso contratar todos eles. Muitos deles vêm todo ano, somos como uma família.

“É isso que cria esse sentimento de comunidade.”

Entre as diferentes áreas do Festival de Glastonbury, o Croissant Neuf é um dos campos mais antigos, lançado originalmente em 1986.

O campo em si é composto pela tenda Croissant Neuf, onde ocorrem os principais eventos, um coreto, onde os músicos tocam durante as trocas na tenda principal, um café, uma dúzia de exibições e uma porção de barracas.

“Nosso campo traz elementos de uma vila verde”, afirma Sally.

“Temos um lago, um jardim, área para as pessoas se sentarem. Tudo é organizado com um espírito ecológico e é relativamente pequeno em comparação com outros campos do festival.”

A diversidade se torna aparente quando comparamos o tamanho do Croissant Neuf com outras campos do festival.

O Block9, por exemplo, é uma área de diversão noturna, cujo palco principal, o IICON, tem a forma de uma cabeça metálica, leva três meses para ser construído e tem quase 100 toneladas de material.

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E não é só esse palco que tem dimensões superlativas, a tarefa de organizar tudo é enorme.

“É como organizar um mini festival dentro do festival maior”, afirma Sally.

“Na parte do trabalho braçal, somos capazes de construir rápido e podemos até começar um pouco mais tarde.

“Normalmente eu me mudo para o local do evento a partir da terça-feira da semana anterior ao início, e a equipe começa a chegar no dia seguinte, com a maior parte chegando na sexta-feira.

“Então, damos tudo que podemos nos quatro dias seguintes. Todos já sabemos bem o que precisa ser feito, somos todos profissionais e conseguimos montar tudo em poucos dias.

“Depois que termina, permaneço com a minha equipe principal na segunda-feira, para desmontar, com cerca de 20 a 25 pessoas.

“Dependendo da condição climática, desmontamos em dois dias e às vezes ainda continuamos no local do festival até sexta-feira depois do encerramento.

“Geralmente chego em casa na sexta-feira à tarde, aí consigo parar e tomar um bom banho de banheira.”

O Croissant Neuf é o único campo de Glastonbury inteiramente movido a energia solar.

Como nunca podemos confiar no tempo britânico durante o verão, especialmente em Glastonbury, essa solução de certa é arriscada.

“Nunca ficamos sem energia em todos esses anos. Temos que revisar bem os números com os técnicos e fazer a programação das apresentações de acordo com a capacidade instalada”, afirma Sally.

“Em relação ao clima, o maior problema é a condição do solo, que pode ficar mole quando chove.

“Nosso ano mais difícil foi 2016, porque choveu muito antes do festival e durante a montagem.

“O trânsito de carros transformou todos os campos em verdadeiros lamaceiros. Foi um pesadelo.”

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Claro, preparar um festival vai além da montagem das coisas, você também tem que conseguir apresentações que consigam agradar ao público.

Apesar do tamanho da responsabilidade, a Sally já está acostumada.

“A contratação das bandas é feita diretamente por mim e pelo meu engenheiro de som, que é meu filho, só nós dois”, diz ela.

“Recebemos músicas o ano todo e peço para as pessoas aguardarem uma resposta até janeiro. Até o fim de março, já fechamos todas as apresentações. E à medida que nos aproximamos do festival, minha vida se torna uma grande planilha.

“Tentamos incluir todos os gêneros e precisamos estar atentos, ouvindo diferentes estilos de músicas o tempo todo.

“A Rádio 6 ajuda muito, assim como o networking com outros gerentes de palco do festival. Mantemos um bom relacionamento com outros gerentes e trocamos experiências entre nós.

“Mas estamos sempre em busca de novidades e de bandas promissoras. Oferecemos uma plataforma para o lançamento de novos artistas.”

Em 2011, por exemplo, a Sally foi responsável pelo lançamento de um jovem desconhecido, de 19 anos, chamado Ed Sheeran.

“Na verdade, nem posso me gabar pela descoberta, porque ele era amigo de um amigo de pessoas que tocavam aqui no palco.

“No primeiro ano dele no festival, apresentou apenas algumas músicas junto com um amigo, e foi incrível.

“No ano seguinte, veio por conta própria e lançou o A Team aqui no nosso palco. Depois disso, ele estourou e não pudemos mais pagar o cachê dele.

“Oferecemos a ele uma oportunidade para dar o primeiro passo na carreira, e esse é bem o espírito do Croissant Neuf.”