Se você é fã de luta, conhece sem titubear Mauricio Rua, o Shogun. Se não é tão próximo do MMA, provavelmente já tenha ao menos escutado falar do curitibano. Pois se trata de uma das maiores lendas do Brasil na modalidade e que segue no card do UFC mesmo aos 38 anos de idade.

Chegou a hora do ex-campeão dos meio-pesados dar adeus à carreira de sucesso na modalidade? Ao que tudo indica, sim. A idade vem pesando nas últimas apresentações do brasileiro no UFC, a ponto de Dana White, proprietário do Ultimate, destacar publicamente que é hora de Shogun largar o octógono.

"Acho que chegou a hora dele [Shogun] parar, não gostaria de ver ele lutar de novo. (...) Não me pareceu o Shogun. Ele pareceu velho. (...) Sim, quero que ele pare, acho que ele tem mais duas lutas no contrato", disse Dana após o UFC 255, no final de novembro, em que lutador perdeu por nocaute para Paul Craig. É provável, portanto, que o empresário marque uma conversa em particular para definir o futuro do seu atleta em breve.

Antes de relembrar os tempos áureos de Shogun, vale recuperar as últimas lutas do paranaense no card. Em 2020, foram duas exibições, sendo uma vitória e outra derrota -- a citada acima para Craig. Esta, por sinal, era um acerto de contas para o brasileiro. Depois de empate técnico em São Paulo, em 2019, Shogun tentou levar a melhor diante do escocês, mas acabou derrotado. O gringo de 33 anos havia feito apenas uma exibição também neste período, entre uma luta e outra com o meio-pesado brasileiro -- finalizou Gadhzimurad Antigulov.

Em julho, Shogun protagonizou mais um capítulo da rivalidade histórica que alimenta contra Rogério Minotouro. O terceiro e último embate dos brasileiros terminou com vitória de Shogun -- pela terceira vez --, na Ilha da Luta, por decisão dividida dos juízes. Minotouro, também de carreira super vitoriosa no MMA, aposentou-se sem vencer o rival.

“Tentei o nocaute a luta inteira, usei o meu boxe e a luta foi muito equilibrada. Eu dividi o octógono com os maiores nomes do esporte. Estou com 44 anos de idade e fico feliz em dividir o cage com um grande campeão como Maurício Shogun”, afirmou Minotouro após o combate entre eles, em julho, que marcou a aposentadoria do baiano.

Shogun, por sua vez, exaltou a sequência que teve no octógono em 2020 depois das duas lutas. Em sua visão, foi importante manter-se em atividade aos 38 anos, independentemente dos resultados.

“Foi um camp bom. Não tive nenhuma lesão, a minha equipe está há muito tempo comigo também e tem muita qualidade. Acho que, na verdade, era preciso eu ter essa continuidade, sem lesões. Então, depois da luta contra o Minotouro, consegui descansar um pouquinho e marcar a próxima luta”, afirmou Shogun ao site “Tatame”, após a derrota para Craig.

“Acho que mais uma ou duas lutas na minha carreira e depois paro, mas eu também não sei ao certo quantas lutas tenho no contrato. Eu vou seguir lutando”, destacou o lutador.

A trajetória de Mauricio Shogun no MMA e no UFC

Mauricio Shogun está no UFC desde 2007. De lá para cá, o curitibano coleciona muita história. Nem dava para ser diferente. Aos 38 anos, ele tem 27 vitórias, 11 derrotas e um empate ao longo dos 13 anos no Ultimate.

Mas a trajetória de sucesso começou ainda antes, em 2002. Ainda jovem aos 20 anos, o lutador logo se tornou um dos nomes de destaque da Chute Boxe, academia renomada e liderada por Rudimar Fedrigo -- a academia revelou, entre outros nomes, Anderson Silva. As vitórias, que por si só chamavam a atenção, ganhavam ainda mais as capas dos jornais pelo fato de que em sua maioria vinha no primeiro round. Assim ele foi parar no extinto Pride, evento japonês de grande repercussão no início do século.

Em 2005, lutando pelos médios, caminhou rumo ao título do Pride com vitórias diante de lutadores consolidados e indiscutíveis no card até então, tais como Quinton “Rampage” Jackson e Alistair Overeem. Também foi no campeonato e neste ano que venceu a primeira contra Rogério Minotouro. A luta, que aflorou a rivalidade entre eles, é considerada uma das maiores da história do MMA. O troféu da categoria veio aos impressionantes 23 anos.

Os tempos áureos fizeram com que ele trocasse o ringue para o UFC em 2007. Ganhou dos ex-campeões Mark Coleman e Chuck Liddell e recebeu a oportunidade de disputar o cinturão dos meio-pesados com o compatriota Lyoto Machida. Perdeu por decisão dos juízes que até hoje é contestada pela comunidade do MMA e, portanto, viu Dana White o conceder mais uma luta pelo título no ano seguinte.

Aí não deu chance. Faturou o cinturão da categoria com nocaute feroz no primeiro round. A única defesa do título dos meio-pesados foi fracassada. Perdeu para o lendário Jon Jones, que permaneceria por mais de uma década no topo dos lutadores até 93 kg.

De 2011 para cá, depois do revés para Jones, algumas vitórias marcantes fizeram com que Mauricio Rua permanecesse entre os principais brasileiros do UFC. Bateu Griffin, fez embates bons com Dan Henderson e reencontrou Minotouro.

Só que a atuação do lutador no cage começou a cair ao passo em que foi ficando mais velho. Tanto é que soma só seis lutas nos últimos quatro anos (três vitórias, duas derrotas e um empate). Para além dos resultados, Dana White e a comunidade do UFC passaram a questionar o desempenho dele no octógono: seja por causa da lentidão ou pela ausência de força que o consagrou anos atrás.

Por isso, talvez seja o momento de Shogun seguir os passos de Minotouro e outras lendas brasileiras que alavancaram o esporte no país no início do século. Se esta for a decisão tomada, independentemente se ele cumprir ou não as duas lutas restantes no contrato, o curitibano ficará marcado na história da modalidade. Seja no Brasil ou no cenário internacional, em que brilhou em muitas apresentações.

Agora que você está por dentro da situação de uma das maiores lendas brasileiras do MMA, ficou ainda mais fácil fazer suas apostas no UFC.