UFC marcou época no Brasil no início da década com domínios de Anderson Silva, José Aldo e outros campeões. Entenda como o país está representado na modalidade atualmente
Anderson Silva, José Aldo, Vitor Belfort, Minotauro. Esses são alguns exemplos de que o Brasil reinou no UFC há não muito tempo e figurou entre os países com mais representantes no card de lutas mais famoso do mundo. O início da década, inclusive, ficou marcado por duelos épicos entre os próprios brasileiros e de brasileiros contra americanos, em sua maioria. Mas a bandeira verde e amarela segue entre as principais da modalidade?
A resposta não é simples, mas dá para dizer que sim, o Brasil ainda segue entre as principais potências do esporte. Basta ver a atenção dada pela imprensa tradicional na cobertura dos eventos. A Globo, principal emissora do país, ainda investe pesado para ter as lutas do UFC em seu canal exclusivo por assinatura Combate. E o modelo de pay-per-view funciona muito bem pois há brasileiros nas principais decisões do octógono.
Aqui, uma ressalva. Historicamente, o país dá atenção para esportes paralelos ao futebol quando se tem um compatriota em destaque. Ayrton Senna popularizou a Fórmula 1, Gustavo Kuerten fez milhares de telespectadores pararem para assistir tênis na virada do século e até o surfe, mais recentemente, tem ganhado holofotes com a “Brazilian Storm” (Tempestade Brasileira), termo utilizado para se referir à dominação da modalidade por brasileiros. Foram campeões mundiais nos últimos anos Gabriel Medina, Adriano de Souza e Ítalo Ferreira.
Ou seja, há mercado no UFC porque existem ainda lutadores brasileiros ganhando duelos importantes, conquistando cinturões e fazendo a alegria de Dana White, proprietário do evento. Mas há de se pontuar que a participação do país em lutas principais caiu em relação aos tempos áureos guiados por Anderson Silva.
Os brasileiros com cinturão no UFC atualmente
No masculino, o grande nome brasileiro e que dá um sopro de esperança aos torcedores é Deiveson Figueiredo. Apelidado de “Deus da Guerra”, o campeão do peso-mosca assegurou o cinturão há pouco tempo e já o defendeu com êxito em uma oportunidade. Se ele traz alegrias ao fã de luta que acompanha os embates por aqui, outros nomes mais conhecidos bateram na trave em eventos recentes e seguem como coadjuvantes em suas categorias.
O cenário, porém, fica agradável quando o assunto é o UFC entre as mulheres. Isso porque Amanda Nunes representa o país como ninguém e já é, hoje, considerada uma das melhores lutadoras de todos os tempos. Atualmente, a baiana detém dois cinturões em sua galeria de troféus. O do peso-galo e do peso-pena.
A trajetória de Deiveson Figueiredo no peso-mosca
Deiveson Figueiredo é daqueles lutadores que estão deixando os brasileiros orgulhosos. Natural do Pará, o atleta de 32 anos chegou ao topo do peso-mosca e parece em condições para mantê-lo por um tempo que seja. O “Deus da Guerra”, baixinho de 1,65m, recolocou o Brasil em um título masculino do Ultimate depois de três anos em julho, quando aplicou um mata-leão em Joseph Benavidez e levou o cinturão.
Depois disso, o paraense já teve de defender o título e não fez feio. No final de novembro, Figueiredo foi desafiado pelo americano Alex Perez e precisou de apenas um minuto e 57 segundos para acabar com a luta. Aplicou uma guilhotina e obrigou o oponente a pedir o fim da luta com três tapinhas.
Se a rotina de lutas está a todo vapor, ela não diminuirá em dezembro. E é por isso que Figueiredo recoloca o nome do Brasil lá em cima. O lutador permaneceu em Las Vegas porque tem novo compromisso no octógono no dia 12 de dezembro. Ele enfrentará o mexicano Brandon Moreno no UFC 256 — o primeiro numerado depois que ele bateu Perez. Este é o tempo mais curto entre duas defesas de cinturão na história do Ultimate.
Se o tempo pode atrapalhar a preparação do campeão, a confiança do “Deus da Guerra” está lá em cima. O brasileiro afirmou que não vê muitas qualidades no adversário e que irá nocautear.
“Brandon Moreno é um desafio para mim. Há uns anos ele me desafiou, e sou meio magoado com ele. Quero conversar dentro do octógono, é lá que vamos resolver. Vamos colocar em pratos limpos. Não gosto nem de falar, não vejo nível nele para mim. É um cara que vou nocautear”, destacou o lutador com currículo de 20 vitórias e uma derrota no UFC.
Independentemente do tempo que permanecer reinando nos moscas, Deiveson Figueiredo cumpriu papel importante em 2020 ao recolocar o Brasil novamente no mapa e ao aumentar a popularidade recente do UFC no país.
Borrachinha e Glover Teixeira não têm cinturões, mas também estão entre os principais lutadores da modalidade. A dupla, assim como Figueiredo, mantém muitos fãs ativos com a competitividade apresentada no octógno.
Amanda Nunes: a ‘rainha’ não valorizada no UFC
Se Anderson Silva é considerado o melhor de todos os tempos entre os lutadores homens, entre as mulheres há uma brasileira que domina o ranking nacional com folga: Amanda Nunes.
No UFC desde 2013, a “Leoa”, apelido que carrega no meio do MMA, é simplesmente a primeira mulher campeã dos pesos pena e galo ao mesmo tempo. E aí, deter dois cinturões ao mesmo na modalidade já é um feito impactante para qualquer lutadora. Só que a baiana de 32 anos representa muito mais.
Utilizando-se do vasto repertório de jiu-jitsu brasileiro, karatê, boxe e judô, Nunes abriu mercado para o UFC no Brasil, dando maior visibilidade para as mulheres, e, mais que isso, conquistou o mundo. Hoje em dia, com seu cartel de 20 vitórias e quatro derrotas, é considerada uma das melhores lutadoras do mundo. Não à toa, detém o cinturão do peso-galo desde 2016 e do peso-pena desde 2018.
De todo modo, a direção do UFC acredita que a genial lutadora baiana ainda não recebe o devido reconhecimento aqui no Brasil justamente por ser mulher. “Acho que é por ela ser mulher [que não valorizam muito], para ser sincero. (…) Acho que é parte da razão, mas está ficando difícil não respeitá-la. Quando ela enfrentou Germaine de Randamie, muita gente disse, ‘Ah, ela pareceu humana nesta luta’. O quê?! Ela enfrentou a melhor trocadora de golpes de todos os tempos! E ganhou a luta! O que vocês querem dessa mulher? E na luta contra a Spencer, incrivelmente dura e durável, ela deu uma aula completa”, pontuou Dana White sobre os desempenhos da brasileira, em junho de 2020.
Valorizada ou não, Nunes é a grande responsável por manter o Brasil em alta no UFC há pelo menos quatro anos.
Nunes se retirou do UFC 256 e a luta contra a australiana Megan Anderson, na disputa do cinturão peso-pena, vai ficar para 2021. Mas isso não significa que o UFC tá parado, pelo contrário: tem muita coisa rolando. Faça suas apostas em quem vai levar o quê no UFC Bets.


















