No dia 26 de novembro de 2017, após a bandeira quadriculada balançar na 55ª volta no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi, Felipe Massa colocou a sua Williams na 10ª posição, mesmo lugar de onde tinha largado no início da corrida, e encerrou sua passagem de quase 15 anos na Fórmula 1.

Último brasileiro a vencer uma corrida, mal sabia que pelos próximos cinco anos, pelo menos, ele também seria o último brasileiro a sentar no cockpit de um carro de Fórmula 1. Desde então, o Brasil, terceiro país a mais vencer o título do Campeonato de Pilotos da categoria, com oito conquistas, nunca mais viu seus pilotos em uma das 20 posições do grid de largada.

Além de alguns pilotos, como Pietro Fittipaldi, que ocupa a posição de piloto reserva da Haas, a seca de brasileiros parecia que seria cada vez mais longa. Contudo, bons nomes apareceram nos últimos anos e reacenderam a chama da esperança de voltarmos a ver as cores verde e amarela voando a mais de 300 km/h nas principais pistas do mundo.

Atual líder da Fórmula 2, principal categoria de acesso à F1, Felipe Drugovich tem sido observado por muitos como o próximo piloto a conseguir o seu assento. Piloto independente, ele precisa superar as dificuldades de não estar em um dos programas de desenvolvimento das equipes, como Mercedes, Ferrari e Red Bull. Drugovich não é o único, na mesma categoria mais um Fittipaldi tenta levar o nome da família de volta à Fórmula 1.

Conheça um pouco mais sobre os principais nomes do Brasil nas categorias de acesso à F1.

Felipe Drugovich - Fórmula 2

Nascido em Maringá, no interior do Paraná, Felipe Drugovich viu sua história no automobilismo começar como a da maioria daqueles que sonham entrar no esporte: por meio do kart. Disputando campeonato no Brasil e no mundo, o brasileiro se destacou e logo conseguiu dar um salto na carreira direto para as categorias de fórmula.

Em 2016, aos 16 anos, ele estreou na Fórmula 4, correndo pela Neuhauser Racing e conquistou apenas um pódio na temporada, em Zandvoort, na Holanda, onde Max Verstappen tem sido a principal atração nos últimos anos.

Nos próximos anos, Drugovich rodou pelas categorias europeias, como a Fórmula 4 italiana, onde alcançou um terceiro lugar no campeonato de pilotos. Em 2017, quebrou recordes de vitórias na Euroformula Open, alcançando 14 vezes o lugar mais alto do pódio e garantindo o título no tradicional circuito de Monza, na Itália.

Em 2020, Felipe Drugovich chega, enfim, à Fórmula 2 e faz uma boa temporada de estreia, acumulando bons resultados. Seu melhor momento, no entanto, tem sido a temporada de 2022. Após um retorno a MP Motorsport, equipe em que estreou na categoria, ele tem brilhado no campeonato, com vitórias em Mônaco, Jeddah e Barcelona.

Atualmente, ele lidera o campeonato com 154 pontos, 39 pontos a mais que o segundo colocado, Logan Sargeant.

Enzo Fittipaldi - Fórmula 2

Carregar um sobrenome tão importante no automobilismo é difícil para qualquer piloto. Neto do bicampeão da Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, Enzo Fittipaldi tem a gasolina correndo no sangue da família.

Assim como Drugovich, sua estreia no esporte aconteceu no Kart, aos 9 anos, no campeonato americano, onde correu de 2009 a 2015. Antes de chegar aos monopostos, Fittipaldi teve uma breve passagem pelo turismo no Campeonato Simpson Race Products Ginetta Junior, onde marcou 113 pontos.

Em 2016, Enzo Fittipaldi estreou pela Fórmula 4 pela Prema, equipe com relações muito fortes com Mercedes e Ferrari. Ao final do ano, Fittipaldi é convidado pela equipe italiana para fazer parte do programa de pilotos da Ferrari. Dois anos depois, em 2018, o brasileiro se sagrou campeão da Fórmula 4 italiana.

A chega à Fórmula 2 não tardou. Em 2021, ele fez sua estreia em Monza e disputou oito corridas ao longo do ano. Em Jeddah, sofreu um acidente gravíssimo na largada, acertando em cheio o carro de Theo Pourchaire. O resultado foi uma fratura do tornozelo direito e algumas lesões leves.

Em 2022, Enzo Fittipaldi ocupa, atualmente, a 5ª colocação no campeonato de pilotos da F2, com 75 pontos.

Caio Collet - Fórmula 3

Hexacampeão Paulista e tetracampeão brasileiro de kart, Caio Collet surgiu como um nome forte das categorias de base do automobilismo brasileiro, disputando campeonatos no Brasil, Europa e Estados Unidos.

Apesar de rápida, sua primeira temporada na Fórmula 4, com apenas 8 corridas em 23 no calendário, ele já conquistou sua primeira vitória e duas pole positions. No ano de 2019, ele tornou-se parte da academia de pilotos da Renault (atualmente, Alpine) e foi disputar a Fórmula Renault.

A chegada a Fórmula 3 ocorreu em 2021, pela MP Motorsport. Apesar de não conquistar vitórias, Caio Collet teve uma temporada regular, terminando o campeonato na nona posição. O bom desempenho lhe garantiu uma continuidade na equipe para 2022. Na atual edição do campeonato, Collet ocupa a oitava colocação, pontuando em cinco das seis corridas no ano.