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Qual é a importância dos torcedores nos estádios?

03 Jul | BY Betway Insider | MIN READ TIME |
Qual é a importância dos torcedores nos estádios?

Com as atuais medidas de restrição, um ex-especialista em finanças de futebol internacional explica a influência da presença do torcedor nos estádios

O 12º homem em campo: eles fazem a diferença ou são apenas parte da decoração?

Os torcedores que vão aos jogos são parte fundamental do esporte, desde a energia que eles trazem até o dinheiro que eles gastam.

Durante a temporada de 2018/19, a média de público em um jogo da Premier League foi de 38.162 torcedores, enquanto no total mais de 14.5 milhões de pessoas passaram pelas catracas.

Isso equivale a um valor total de £667 milhões gastos por torcedores em dias de jogos.

Além disso, o barulho de uma torcida pode ser mais alto que um show de rock ao vivo – o suficiente para machucar os seus tímpanos e prejudicar a audição.

Entretanto, com as aglomerações proibidas, os estádios que normalmente abrigavam milhares de torcedores estão vazios.

É o novo normal, que ainda levaremos um tempo para se acostumar.

A Bundesliga recomeçou em maio e a ausência dos torcedores foi evidente.

Os estádios com assentos vazios é uma versão do futebol competitivo que se assemelha a uma galeria de arte sem pinturas – você reconhece o cenário, mas algo importante está faltando.

“Sair de um cenário com um estádio lotado para outro com portas fechadas é assustador”, diz o ex-capitão do West Ham, Alvin Martin.

“Toda a atmosfera já não está mais lá, falta a energia contagiante da multidão.”

Martin fez parte do time do West Ham que venceu o Arsenal na final da FA Cup de 1980 e da campanha do time na Taça dos Clubes Vencedores de Taças na temporada seguinte.

O West Ham perdeu por 3 a 1 e, após problemas com os fãs em Madri, a UEFA ordenou que o jogo de volta no Boleyn Ground fosse realizado sem a presença dos torcedores.

“Você podia ouvir cada palavra que estava sendo dita”, diz Martin. 

“Chegamos até a receber uma visita no vestiário, durante nossa conversa com John Lyall no intervalo.”

“Era um dos diretores que foi enviado para perguntar se poderíamos falar menos palavrões”. 

Apesar da provocação, o West Ham venceu naquela noite por 5-1 e por 6-4 no placar agregado, avançando para a próxima rodada.

Martin estava muito mais acostumado a jogar em frente de um estádio lotado.

O zagueiro jogou 17 jogos pela seleção inglesa e é o quinto na lista de jogadores com mais aparições de todos os tempos do West Ham, depois de jogar 596 vezes pelo clube em um período de 18 anos. 

“No West Ham, os torcedores criam uma atmosfera espetacular.”

“É para eles que você joga. Quando eles vão ao estádio, eles preparam todo esse cenário para você.” 

“Eles melhoram o clima do jogo e o valor dele. Você sabe que se estiver jogando na frente de 30 ou 40.000 pessoas, estará fazendo algo importante.”

É fácil entender como os fãs possuem um papel tão importante na atuação do seu time. 

O apoio da torcida e a responsabilidade extra de jogar na frente de uma multidão apaixonada podem elevar o desempenho de um jogador. 

“Essa energia te ajuda a dar 5 ou 10% a mais de você, e isso, você não consegue durante um treinamento”, diz Martin. 

“Eles te deixam nervoso, o que eu considero muito saudável para um atleta. Quando você está nervoso, é quando você dá o seu melhor. 

“Se você entrar em uma disputa e houver uma multidão gritando e torcendo para que você ganhe, acho que isso, inevitavelmente, te dá mais garra.”

“Da mesma forma, quando a torcida comemora e vibra um gol, isso te motiva ainda mais.”

Este apoio no qual Martin se refere – o impulso psicológico que um jogador tira da energia de uma multidão – não se limita apenas ao desempenho no jogo. 

A rotina de um jogador de futebol profissional significa que eles, normalmente, são obrigados a jogar mais de 50 partidas por temporada, tendo às vezes até dois jogos por semana.

Não é de surpreender que, muitas vezes, os jogadores entrem em campo ainda lesionados de outras partidas.

Mas, como lembra Martin, a energia da torcida também ajuda os jogadores a superar a dor em campo. 

“Eu me lembro de uma vez com Harry Redknapp, que eu sofri três lesões rapidamente uma atrás da outra”, diz ele. 

“Por duas ou três semanas, eu joguei com um cotovelo fraturado, mão fraturada e um corte feio na cabeça.

“Um dia, durante o aquecimento no Boleyn, eu pensei: não vou conseguir jogar, estou com muita dor.”

“Mas assim que a campainha do vestiário tocou, eu sabia que estava na hora de entrar em campo e isso me deu um pico de adrenalina.” 

A influência dos torcedores também não se limita apenas aos assuntos de campo. 

Os £677 milhões de receita gerados pelas partidas da Premier League em 2018/19 representam 13% do faturamento geral dos 20 clubes. 

Em outras palavras, 1 em cada 7 libras arrecadadas vem dos torcedores.

Embora isso possa não parecer tão significativo, é uma fonte de dinheiro que os clubes não podem menosprezar.

“Se você conversar com qualquer pessoa – não importa a profissão – se ela estiver obtendo regularmente esses fluxos de receita, seria uma tolice desconsiderá-los”, diz Kieran Maguire, especialista em finanças de futebol. 

Obviamente, a soma total não é distribuída igualmente entre cada clube da Premier League – as equipes maiores com estádios maiores ganham mais do que times menores. 

Para a temporada 2018/19, o Manchester United faturou £111 milhões com a receita das partidas – 18% do faturamento total do time de £627 milhões.

O Bournemouth, por outro lado, teve um faturamento de £131 milhões, dos quais apenas £5 milhões foram provenientes dos jogos. Mas mesmo para eles, essa soma é inestimável. 

“5 milhões de libras ainda são 5 milhões de libras”, diz Maguire, que leciona na Universidade de Liverpool e é autor do livro “O preço do futebol”. 

“No caso do Bournemouth, ao longo de uma temporada, o dinheiro arrecadado nos dias de jogos paga o salário de dois jogadores. 

“Você não pode continuar assinando um cheque de 5 milhões de libras todo mês, mesmo que você tenha uma boa quantia de dinheiro no banco. 

“O Bournemouth perdeu £27 milhões na última temporada. Se ele também tivesse perdido essa fonte de receita, isso só agravaria a situação.” 

Logo, é essencial que na ausência de torcedores, os clubes criem fontes alternativas de receita para cobrir o déficit. 

“Eles vão tentar recuperar isso de alguma forma”, diz Maguire. 

“Acho que o futebol pode ter que reinventar sua relação com os torcedores, melhorando a capacidade de lhes proporcionar experiências.

“Os clubes que tiverem uma boa comunicação com seus torcedores terão sucesso e irão trabalhar duro para interagir com eles. 

“A indústria é grande, mas precisa inovar.” 

Se o esporte não conseguir se adaptar, Maguire é claro sobre o futuro que poderá vir pela frente. 

“Os clubes têm custos fixos tão altos que terão que pensar em alternativas para reduzir esses custos. 

“O retorno a alguma forma de ação ao vivo é essencial. Não estou tentando ser sensacionalista.” 

A relação entre futebol e torcedores também é algo que Martin concorda.

“Se você pensar bem, os jogos não existiriam há centenas de anos se as pessoas não gostassem de ir aos estádios”, diz ele. 

“A comunidade e os torcedores apaixonados por seus clubes não existiriam. 

“Esse é o poder que uma torcida pode ter.”

 

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