Todo mundo acha que entende de futebol. Basta sentar-se numa mesa de boteco e pedir uma cerveja que o papo começa. E logo nos primeiros minutos, a conversa esquenta, normalmente quando alguém fala algo que, pelo menos para outra pessoa na mesa, soa absurdo.

E um dos passatempos prediletos dos comentaristas de mesa de bar é criticar aqueles que comentam o esporte por profissão. Claro que em cada crítica feita a um Mauro Cezar Pereira ou um Caio Ribeiro, há uma ponta de inveja, afinal esses caras são pagos para falar de futebol na televisão, e não recebem pouco por isso.

Mas há também críticas, de certa forma, justas. Afinal, no mesmo passo em que há comentaristas lúcidos e que estão preocupados em analisar as coisas com precisão, há uma boa parcela que está aí só pela grana, mídia e pelo circo criado.

O mercado brasileiro de comentaristas está para lá de saturado, com a entrada de novos nomes sendo cada vez mais rara. Deve-se a isso um boom no ramo do jornalismo esportivo nos últimos anos e o interesse cada vez mais comum de ex-jogadores a se aventurarem como analistas, algo que já foi alvo de críticas dos próprios jornalistas.

Mas o que faz um bom comentarista esportivo? Bom, isso depende de como este comentarista quer ser reconhecido. Bom comentarista é algo bem subjetivo, mas vamos tentar definir algumas qualidades que são intrínsecas a um bom analista esportivo.

E esta é a palavra-chave: analista. O que faz de um analista, um bom analista? Afinal, para comentar com precisão, uma pessoa precisa analisar e saber analisar. Não é incomum ver ex-jogadores que era verdadeiros craques em campo, mas que não tem a menor capacidade de analisar um confronto ou uma situação, o que os leva a fazer comentários desconexos e até engraçados, de tão sem sentido.

Os ex-jogadores deveriam ter alguma vantagem neste departamento. Afinal, viveram disso durante anos, lá dentro, aprendendo na prática o que se deve fazer. Não por acaso, a maior parte dos ex-jogadores-agora-comentaristas tiveram carreiras vencedoras, casos de Edmundo, Zico, Junior, Casagrande, Ricardinho e tantos outros que estão no ar em algum programa ou acompanham jogos.

Há aqueles que também já foram descartados como analistas, mas que ainda fazem aparições esporádicas em programas de debate, como Müller, Paulo Roberto Falcão e mais um monte de jogadores, novamente com carreiras vitoriosas.

Mas aparentemente, nem mesmo suas carreiras recheadas de troféus são suficientes para garantir uma boa capacidade analítica. Muito disso deve ter a ver com o fato de que a maior parte dos jogadores tem um nível de escolaridade muito baixo, infelizmente um fator predominante na maioria da população brasileira, e de onde a maior parte dos jogadores de futebol vêm na infância.

Por isso, estes analistas são complementados por jornalistas que tem ao seu lado os estudos teóricos. O grande comentarista esportivo não ex-jogador sempre referenciado, é Paulo Vinicius Coelho, o PVC, que se consagrou como um estudioso ferrenho do futebol e que raramente tem suas análises questionadas por uma grande parcela dos comentaristas ou dos telespectadores. Isso não quer dizer que ele não erre, mas sua capacidade analítica melhora muito o aproveitamento de acertos nos comentários, principalmente ao analisar partidas e as estatísticas que as envolvem.

Então, pelo que vimos até agora, boa capacidade analítica e experiência são fundamentais. Mas será que é só isso?

A ESPN tem um enorme time de comentaristas e praticamente nenhum ex-atleta entre eles. Entre os mais “gabaritados” da emissora estão Paulo Calçade, Mauro Cezar Pereira, Paulo Andrade, Victor Birner, Everaldo Marques e muitos outros nunca foram profissionais de futebol, mas suas análises sempre são escutadas e, mesmo quando questionadas, não causam grandes polêmicas, com exceção de MCP, que costuma ser mais contundente em suas críticas, mas sempre procura embasá-las em fatos ou mesmo elementos subjetivos justos.

Do outro lado, há os tradicionais fanfarrões, que têm espaço em programas mais para gerar audiência na base de polêmicas e situações pitorescas. Nestes programas, é comum ver análises mais superficiais com pose de importante. As tradicionais “barrigadas” dos jornalistas, extremamente frequentes em época de janela de transferências.

Quem não se lembra de Chico Lang cravando a transferência de Riquelme para o Corinthians por uns 3 ou 4 anos seguidos. Obviamente, a negociação nunca se concretizou, e provavelmente sequer aconteceu, mas Lang nunca se preocupou em dizer que o negócio estava por detalhes de ser fechado.

Outra coisa que vemos do lado mais fanfarrão são jornalistas ou ex-jogadores que tem um estilo mais boleiro e baseiam seus comentários neste estilo. Suas análises, porém, são prejudicadas por uma busca pelo humor a todo custo e até por questões de clubismo e parcialidade.

Há casos como o de Neto, na época comentarista da Band ao lado de Luciano do Valle, que durante um Palmeiras e Corinthians, soltou um sonoro “NÃO!” por conta de uma chance de gol palmeirense que quase se concretizou em gol. Em suma, são comentaristas que se comportam como torcedores com um microfone na mão. Isso rende muita conversa, mas raramente aparecem análises bem fundamentadas dali.

Recentemente, saiu uma lista dos “comunicadores do ano”, que incluiu uma série de jornalistas. Na parte esportiva, 3 profissionais com estilos distintos foram eleitos como os melhores. Na mídia escrita, Milton Neves foi eleito como o melhor, por seu portal “3º Tempo”. Na mídia falada, Renata Fan apresentadora da TV Bandeirantes, ficou com o título.

Já na locução esportiva, finalmente tivemos um locutor que não é conhecido pelo futebol. Rômulo Mendonça, da ESPN, criou uma reputação narrando esportes americanos e ganhou fama nacional durante os jogos olímpicos de 2018, quando narrou jogos de vôlei e divertiu os telespectadores.

Porém, enquanto os 3 são conhecidos pelo bom humor de seus programas e análises, já que Rômulo também é comentarista em programas de debate na ESPN, eles também são conhecidos por serem sérios pesquisadores de seus objetos de trabalho, seja o futebol, o futebol americano, beisebol ou basquete.

Então, se formos julgar por esta forma, é possível definir que um bom comentarista precisa saber analisar situações sem cair em parcialidades e sem buscar a polêmica a todo custo.

Agora, para descontrair, dê uma olhada em nosso quiz abaixo e veja se você sabe quem falou estas frases bem famosas.

 

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