Se hoje Real e Barça dominam com tanta força o campeonato espanhol, nos anos 90 e no início dos anos 2000, a coisa não era tão polarizada
Real Madrid e Barcelona dominaram a última década do futebol espanhol e até do continente europeu. Para se ter uma ideia, de 2010 a 2019, apenas em 2014 vimos um campeão diferente na Espanha, com o Atlético de Madrid surpreendendo. Nos outros 9 anos da década passada, no entanto, o Barça venceu 7 vezes a La Liga, com o Real Madrid vencendo outras duas.
Na década anterior à passada, o domínio também foi grande, com 4 títulos espanhóis para o Real Madrid e 3 para o Barcelona. Mas claramente não foi tão grande quanto o que vemos atualmente. Isso foi porque o tivemos dois times diferentes levantando a taça. O Valencia, em 2002 e 2004, e o Deportivo La Coruña em 2000.
Se voltarmos à década de 1990, a análise precisa mudar um pouco, pois as coisas parecem iguais ao que vemos hoje, mas não eram. Se olharmos só a lista de campeões, veremos 6 títulos do Barcelona entre 19990 e 1999, além 3 do Real Madrid e um do Atlético de Madrid. Mas a diferença aqui é que os clubes que dominam a lista de títulos não exerciam este domínio com tanta facilidade.
Em 2001, por exemplo, o Real Madrid foi campeão com um total de 80 pontos. Claro, foram 7 a mais do que o vice-campeão La Coruña, mas mesmo assim, 80 pontos é pouco perto do que vemos acontecer hoje, sendo que a fórmula do campeonato não sofreu qualquer alteração desde então. Em seu último título, em 2017, o Real Madrid fez nada menos do que 93 pontos.
Mas o que mais chama a atenção nem são os pontos que Real e Barça conseguem acumular, mas a distância que eles conseguem abrir para os times do chamado “segundo escalão”, que começa a ser contado a partir da 3ª posição na tabela.
Em 2001, o terceiro colocado fez 71 pontos, apenas 9 a menos que o campeão. Em 2017, o Atlético de Madrid terminou com o bronze acumulando 78 pontos, 15 a menos que o Real Madrid. E essa diferença tem aumentado.
Mas não podemos “culpar” Real e Barça por essa diferença crescente. Afinal, são só 2 clubes junto com outros 18. Claro, o poder financeiro destes dois faz uma diferença brutal, mas este sempre foi o caso.
O fato é que o campeonato espanhol, que nunca foi assim, tão competitivo, tem ficado cada vez mais polarizado, e a responsabilidade por isso está muito mais em cima dos outros clubes da elite espanhola.
Mesmo em campeonatos em que os dois principais clubes conseguiam sobrar na pontuação, os jogos eram mais difíceis. Claro, sempre tiveram aquelas mamatas, mas quando Real Madrid e Valencia se encontravam, era garantia de um grande jogo e sem um grande favorito.
O Valencia, por sinal, é o principal expoente desta época. Em 2002, o time campeão era fortíssimo, com o goleiro da seleção espanhola na época, Santiago Cañizares, o lateral esquerdo Fabio Aurélio, que viveu seus melhores dias no clube espanhol, e os meias Kily González, Pablo Aimar e Vicente, todos desejados por grandes clubes europeus. E mesmo com este time, o Valencia fechou o campeonato com meros 75 pontos, 7 a mais do que o segundo colocado, o Deportivo La Coruña. Inclusive, este foi um ano atípico na Espanha, com o Real Madrid terminando em 3º e o Barça só em 4º.
Em 2004, o mesmo Valencia foi campeão com um time ainda mais potente, adicionando o atacante Ricardo Oliveira, ao já forte time que havia vencido dois anos antes. Neste ano, o Valencia foi campeão com 77 pontos, enquanto o Barça veio em segundo com 72 e o Deportivo La Coruña com 71 em 3º. O Real Madrid ficou em 4º com 70, naquela que foi uma das temporadas mais equilibradas da história da La Liga. Esta foi, também, a última temporada que Real ou Barça ficaram fora do top 3 até o momento.
E, como você já deve ter percebido, outro clube também fazia muito barulho nessa época. O Deportivo La Coruña estava sempre entre os líderes do campeonato. O time venceu seu único título nacional em 2000, foi vice nos dois anos seguintes e 3º colocado em 2003 e 2004.
O time do Deportivo La Coruña, claro, era uma verdadeira seleção. No gol, o lendário arqueiro da seleção camaronesa, Jacques Songo’o. A defesa tinha Manuel Pablo, Enrique Romero e o marroquino Noureddine Naybet. Mas era do meio para frente que essa equipe fazia qualquer treinador salivar. Nomes como Mauro Silva, Djalminha, Pauleta, Roy Makaay, Turu Flores e Fran faziam qualquer defesa tremer.
Nos anos seguintes, a equipe ainda teve o artilheiro do campeonato. Em 2002, o recém contratado Diego Tristán fez 21 gols. Em 2003, foi a vez de Makaay fazer 29 gols e ficar com a chuteira de ouro.
Avançando alguns anos, vimos também a época dourada de Sevilla e Villarreal. Claro, muito mais tímidas do que as temporadas de Valencia e La Coruña, mas mesmo assim, eram times fortes. O Sevilla, inclusive, é o maior campeão da Europa League, com 5 conquistas entre 2005 e 2016.
O time do Sevilla em 2006 campeão da Liga Europa, por exemplo, tinha ninguém menos que Javier Saviola, Luís Fabiano, Renato, Jesús Navas, Dani Alves e Adriano Correia. Mas este mesmo time terminou apenas na 5ª posição na La Liga.
E onde estão estes clubes hoje? Bom, não estão fazendo grandes coisas, isso é verdade. O La Coruña, por exemplo, entrou em declínio vertiginoso no início da década passada e nunca mais se recuperou. Hoje, disputa a segunda divisão, conseguindo alguns acessos de volta à elite e caindo de novo.
O Valencia tem oscilado desde seu título em 2004, conseguindo alguns bronzes e, no outro lado da moeda, ficando até em 12º lugar em temporadas bem recentes. Nas duas últimas, o 4º lugar foi o final, mas ainda muito longe dos três líderes.
E o que aconteceu com estes clubes? Bom, podemos colocar uma parcela da responsabilidade na interminável conta bancária de Real e Barça. Clubes como Valencia e Sevilla estão muito atrás em poder financeiro, e isso inevitavelmente vai se traduzir em times mais fortes para quem pode pagar por eles. Mas também temos que colocar uma parcela até maior de responsabilidade nos próprios clubes que não conseguem sequer se aproximar do ritmo dos dois protagonistas.
Afinal, decisões absurdas de gestão, negócios por jogadores questionáveis e que, ultimamente resultaram em más performances, fizeram estes clubes deixarem de ser interessantes para grandes atletas. Está aí o La Coruña, na segunda divisão e incapaz de se recuperar, depois de decisões absurdas de sua diretoria há quase 20 anos e que resultaram na catástrofe que o clube vive até hoje.
Mas o que temos que entender que este é um movimento comum no futebol. O esporte, assim como a vida, é cíclico. Pequenos clubes crescem, grandes clubes morrem e o futebol continua vivo e sempre apaixonante, também por este círculo interminável. E sim, Real Madrid e Barcelona são exceções no futebol, assim como outros grandes clubes do mundo que raramente se viram desafiados em suas ligas nacionais.
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