Seleção brasileira é a única que participou de todas as edições da Copa do Mundo; entenda como foi cada classificação ao Mundial
Apesar do jejum de quatro Copas completas sem título, a seleção brasileira ainda é bastante prestigiada no mundo do futebol: afinal, o Brasil é o país com mais taças do torneio de maior relevância da Fifa, são cinco conquistas, e o único a ter disputado todos os Mundiais desde a primeira edição, em 1930.
Todas as outras seleções de grande porte, casos de Alemanha, Argentina, Itália, Inglaterra e França, por exemplo, já ficaram fora de alguma edição da Copa, ao menos. O Brasil, mesmo quando atravessou fases com gerações ruins, conseguiu garantir uma das vagas destinadas às seleções da América do Sul.
Abaixo, veja como e por que a seleção brasileira nunca ficou fora das 21 edições de Copa do Mundo organizadas pela Fifa.
No início, amadorismo e ‘sorte’ do Brasil
Antes de as Eliminatórias para a Copa do Mundo ganharem prestígio e espaço fixo no calendário do futebol mundial, como se vê atualmente nas confederações filiadas à Fifa, a definição dos participantes nas Copas do Mundo envolvia também questões políticas, não se limitando apenas ao âmbito esportivo.
Em 1930, primeira edição do torneio mundial, a Fifa convidou os países filiados à entidade e contou com o maciço interesse dos sul-americanos, já que a sede era o Uruguai. A competição não recebeu algumas forças tradicionais do futebol europeu, como a Itália, porque alguns países não quiseram cruzar o Atlântico para disputar o campeonato.
Quatro anos mais tarde, houve interesse de 34 países pela Copa, o que fez a Fifa desenvolver as Eliminatórias. No caso do Brasil, Chile e Peru desistiram de ir à Itália antes mesmo da fase de classificação, colocando automaticamente brasileiros e argentinos na disputa.
Já em 1938, antes da pausa do torneio por causa da Segunda Guerra Mundial, a Fifa escolheu a França como sede. A decisão favorável aos franceses, que disputaram com argentinos e alemães para receber o evento, causou revolta nos países das Américas. Ocorreu, então, um boicote geral das seleções da região, com Brasil e Cuba sendo os dois únicos a não aderirem ao movimento. Ambos foram para a França.
Brasil sedia Copa em 1950

Terminada a Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi sede da Copa do Mundo de 1950. Com isso, ganhou automaticamente a sua vaga. Foi a primeira vez que a seleção chegou à final do torneio, mas o Uruguai calou o Maracanã e venceu por 2 a 1 com o estádio lotado.
Em 1954 e 1958, vagas pelas Eliminatórias
Nas Copas da Suíça e Suécia, em 1954 e 1958, respectivamente, as vagas do Brasil foram garantidas pelas Eliminatórias. Em 54, a seleção derrotou Chile e Paraguai no grupo. Quatro anos depois, a vítima foi o Peru.
Mais experiente, seleção passa fácil pelas Eliminatórias
Campeão das Copas do Mundo de 1958 e 1962, o Brasil começou a ganhar status mundialmente. Pelé e os outros craques do país, que se preocupavam mais em ampliar a lista de troféus no Mundial, passavam com facilidade pelas Eliminatórias, quando precisavam. Afinal, com o bicampeonato, o Brasil ganhou vagas direto em duas edições por ser o último campeão.
Em 1993, Romário salvou o Brasil de vexame
Passando as gerações de Zico, Cerezo, Falcão e outros craques, que não venceram a Copa, mas que garantiram vaga nos Mundiais com facilidade, o Brasil viveu um drama em 1993, um ano antes da Copa dos Estados Unidos.
Confusões extracampo marcaram aquela trajetória nas Eliminatórias: Careca desistiu de vestir a camisa verde e amarela e Romário deixou de ser convocado por conta de briga com Parreira.
Necessitando de uma vitória na última rodada para garantir a vaga nos Estados Unidos, a torcida pressionou o técnico para convocar o Baixinho, e ele decidiu ao voltar ao time: Romário fez os dois gols da vitória diante do Uruguai, com o Maracanã lotado.
“Com a camisa da seleção, esse [jogo contra o Uruguai] foi o meu maior jogo, da história da minha vida”, afirmou Romário anos depois.
Além de servir como uma vingança para a derrota na decisão da Copa de 1950, aquele importante triunfo no Maracanã foi o início da trajetória do tetra. Guiado por Romário e Bebeto, o Brasil derrotou os italianos na final e interrompeu um jejum de 24 anos sem título do Mundial.
Com turno e returno, domínio brasileiro

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) fixou o formato de turno e returno, com todas as seleções se enfrentando, a partir das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998. De lá para cá, poucas vezes o Brasil passou algum tipo de susto.
Para o penta em 2002, a classificação veio com um terceiro lugar — classificam-se os quatro primeiros e o quinto vai para uma repescagem. Em 2006, primeira edição em que o campeão anterior não tinha, oficialmente, sua vaga garantida, o passaporte foi assegurado com um primeiro lugar na tabela: Brasil e Argentina empataram com 34 pontos cada.
O cenário se repetiu para a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e em seguida o Brasil ganhou a vaga como sede para o Mundial de 2014. Nas Eliminatórias para o torneio da Rússia, finalizada em 2017, o Brasil fechou com 10 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Uruguai, e apenas uma derrota. De quebra, a seleção registrou o melhor desempenho da história do classificatório.


















