A máquina mostrou-se plenamente capaz de mexer a rainha para a casa certa, definir quanto precisa ser apostado de acordo com a quantidade de valetes que tem em mãos e até mesmo ajudar no tratamento de doenças e facilitar a mobilidade urbana, como explicado no decorrer dos artigos dessa série sobre a Inteligência Artificial. Mas quando o desafio fica mais complexo, como em um debate no qual é necessário enfrentar os argumentos de um ser humano para convencer as pessoas de que o governo precisa subsidiar pré-escolas?

A IBM desenvolveu a Miss Debater e, no começo deste ano, a colocou frente a frente ao campeão europeu de debates Harish Natarajan. A máquina, a favor do subsídio, começou bem e apresentou pontos articulados, usando um banco de dados com dez milhões de frases retiradas de meios de comunicação e estudos acadêmicos.

No entanto, quando chegou a hora das réplicas, Natarajan, contra o subsídio, destacou-se porque conseguiu pegar pontos da argumentação inicial da Miss Debater para rebater, enquanto a máquina simplesmente seguiu sua linha de raciocínio. Ao fim do debate, a porcentagem dos 700 presentes que discordava que a pré-escola deveria ser subsidiada subiu de 13% para 30% - métrica usada para determinar o vencedor de um debate.

“A tecnologia por trás do IBM Debater ainda não é um produto disponível, mas podemos extrapolar uma visão futura em que as empresas poderão ter o IBM Debater para ajudar nas tomadas de decisão”, diz Henrique von Atzinger, líder do THINKLab da IBM, ambiente em que empresas entram em contato direto com cientistas para resolver os seus problemas. “Imagine um conselho administrativo de uma empresa que, diante de uma decisão importante, que envolve investir em fábricas ou em marketing, possa tomar uma decisão e rever argumento a favor e contra usando uma inteligência artificial, com dados de demografia, vendas, previsões econômicas, etc”.

Segundo Marlos C. Machado, doutor em inteligência artificial pela Universidade de Alberta, no Canadá, uma tendência da no momento é o aprendizado da máquina. Em vez de passar todas as informações, como as regras e os movimentos em um jogo de xadrez, você oferece exemplos e usa táticas de reforço para que ela se desenvolva.

“Este é o Marlos, este é o Bruno. O programa tentará aprender o que faz aquelas fotos serem o Marlos e o Bruno. E uma das coisas que está em voga é o aprendizado por reforço. Você dá uma recompensa, como um cachorro. Um exemplo didático pode ser dado com aspiradores de pó inteligentes. Você poderia falar que bater na parede dói. Ele aprende a não bater na parede. Ele não quer sentir dor. Claro que ele não sente dor, você dá um número negativo ao computador e ele aprende a identificar padrões”, explica.

Tanto Machado quando Von Atzingen concordam que o mercado de inteligência artificial está em ebulição. O diretor do THINKLab da IBM no Brasil afirma que uma das prioridades do momento é deixar o sistema automatizado mais confiável, eliminando vieses. “Para endereçar esse problema, a IBM possui o serviço de software Trust and Transparency, disponível na nuvem, e que dá visibilidade sobre os parâmetros que a IA usa para chegar às recomendações e detecta automaticamente vieses no momento em que os sistemas estão em execução. O serviço pode ser programado para monitorar os fatores de decisão de qualquer fluxo de trabalho, podendo ser personalizado para o uso específico das organizações”, explica Von Atzingen.

Além disso, o diretor acredita que, no futuro, a inteligência artificial será mais usada pelas empresas para o desenvolvimento de produtos, citando o exemplo da Boticário, que usou a tecnologia para colocar no mercado brasileiro duas novas fragrâncias. “Algoritmos de criatividade computacional ajudarão no desenvolvimento de novos produtos nas mais diversas áreas, desde a farmacêutica e de construção civil até a alimentícia e a de consumo. Teremos até cerveja baseada em inteligência artificial”, projeta.

Com o avanço da inteligência artificial, é inevitável se perguntar: os robôs roubarão meu emprego? Considerando que o Washington Post os usou para escrever artigos sobre as Olimpíadas do Rio de Janeiro, a resposta é talvez. Mas, mesmo na aplicação ao jornalismo, por exemplo, o primeiro passo é a colaboração entre humanos e máquinas. O próprio Post e outros veículos como Forbes e Associated Press usaram a tecnologia para auxiliar jornalistas humanos a escreverem reportagens novas com base em notícias antigas e realizar trabalhos mais mundanos de pesquisa.

“Acreditamos que a inteligência artificial mudará o perfil do trabalho”, diz Von Atzingen. “Essa mudança envolve tarefas repetitivas e mecânicas que poderão dar lugar a missões mais complexas, importantes e estratégicas. Haverá uma evolução natural dos postos de trabalho e a IA será uma aliada do ser humano. No campo da medicina, por exemplo. O médico continuará sendo o responsável pelo tratamento, mas terá ao seu lado um assistente que poderá ajudá-lo com processos de diagnóstico digitais e mais precisos. O mesmo ocorrerá na área jurídica. Um assistente baseado em IA poderá estar à disposição para confrontar decisões e ajudar a analisar mais detalhadamente os casos”.

A inteligência artificial pode criar novos empregos e também destruir outros. As questões são a natureza desses postos de trabalho recém-nascidos – não podem ser todos de alta especialização, como programadores de software – e o saldo. No momento, parece estar tudo bem. A empresa de consultoria Gartner publicou um estudo afirmando que, até 2025, a inteligência artificial estará dois milhões no positivo.

“É importante termos essa discussão porque as pessoas precisam entender as mudanças das cadeias de valor das carreiras para poderem aprender, se atualizar e estarem preparadas para esse futuro tão próximo`”, finaliza Von Atzingen.

 

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