Inter ganhou o Brasileirão de 1979 de forma invicta, caso único até hoje no futebol nacional; relembre como foi a campanha vitoriosa
O Campeonato Brasileiro é um dos mais disputados do mundo, apesar de que nem sempre o nível seja comparável aos grandes torneios da Europa. Com algo em torno de cinco postulantes ao título a cada disputa, o Brasileirão é acirrado a ponto de registrar apenas um único campeão invicto em sua história: o Internacional de 1979.
Criado em 1971, o Brasileirão pode se orgulhar de uma marca de dar inveja aos europeus: nunca houve um campeão e um vice repetidos ao longo dos 50 anos de disputa.
Ou seja, já aconteceram alguns títulos consecutivos (casos de Flamengo, atual bicampeão, e São Paulo, tri com Muricy Ramalho entre 2006 e 2008), mas sempre o segundo colocado variou, o que comprova equilíbrio.
Há, porém, uma campanha irretocável no Campeonato Brasileiro. O Internacional de 1979 passou a edição daquele ano sem nenhuma derrota e chegou ao troféu de forma indiscutível, tornando-se o time que ‘não perdia’.
Relembre como foi a campanha invicta do Internacional no Brasileirão de 1979.
Qual era o formato do Brasileirão de 1979?
O Campeonato Brasileiro teve alguns formatos antes de se estabelecer com pontos corridos, em 2003 — a fórmula com 20 times existe desde 2006. Em 1979, o torneio nacional era dividido em três fases antes da semifinal e da final.
Na primeira fase, 80 clubes foram divididos em oito grupos de 10, com jogos em turno único. Classificaram-se para a próxima fase os quatro melhores dos grupos A, B, C, D, E, F, enquanto os oito melhores das chaves G e H (compostas pelos times “mais fortes”) também avançaram.
Já na segunda fase, também de grupos, somaram-se aos 44 classificados 12 clubes do Rio de Janeiro e São Paulo, que chegavam à competição por meio do Torneio Rio-São Paulo. Sendo assim, foram 56 equipes em sete grupos. Os dois primeiros de cada seguiram disputando o Brasileirão.
Na terceira fase, os 14 sobreviventes se juntaram a Guarani e Palmeiras, campeão e vice da edição anterior, respectivamente, e foram divididos em quatro grupos com quatro clubes. O primeiro colocado de cada uma das chaves avançou para a semifinal, disputada em ida e volta. Os vencedores, então, fizeram a grande final, também em duas partidas.
Naquela edição, o Internacional registrou 23 jogos, já que disputou o Brasileirão desde o começo. Foram 16 vitórias, 7 empates e nenhuma derrota, com 41 gols marcados e 13 sofridos. O Colorado acabou como o time de melhor saldo: 28 no total.
Quem o Inter venceu naquela campanha?
O Internacional começou a disputa de 1979 no Grupo G, que contava com os times mais fortes. Acabou liderando a chave com 15 pontos, superando América-RJ, o rival Grêmio, Santa Cruz e Figueirense, entre outros.
Na segunda fase, Atlético Paranaense e Inter de Limeira estiveram entre as vítimas dos gaúchos, que garantiram classificação também liderando a chave.
Antes da semifinal, o Inter dividiu o grupo com Goiás e os mineiros Cruzeiro e Atlético-MG. O Galo, que se sentiu injustiçado por não mandar nenhum jogo desta fase como mandante, mesmo tendo a pior campanha do quarteto, não entrou em campo nas últimas duas partidas. Desta forma, Goiás e Internacional venceram por W.O.
Àquela altura, o Colorado já estava embalado e impunha seu jogo. Na semi, uma verdadeira batalha com o Palmeiras, então vice-campeão brasileiro. A decisão foi diante do Vasco de Roberto Dinamite, que também não conseguiu vencer a equipe gaúcha.
Como jogava o Inter de 1979, ‘que não perdeu’
O time base do Internacional tinha: Benítez; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Jair e Falcão; Valdomiro (Spina), Bira e Mário Sérgio. O técnico do time que passou sem derrota no Brasileirão de 1979 era Ênio Andrade.
Campeão brasileiro em 1975 e 1976, o Inter tinha uma base interessante para 1979. Só que o fiasco no Campeonato Gaúcho daquele ano acabou com a paz e a confiança do elenco, que viu Zé Duarte deixar o comando técnico.
Chegaram Ênio Andrade e Gilberto Tim (preparador físico), dupla que mexeu com o brio e recolocou o time no topo do país. Escalado em um 4-3-3, o Inter mesclava experiência e juventude (como Mauro Galvão, de 17 anos), sem contar o imenso talento de Falcão.
Outro fator importante era o preparo físico, um dos melhores da época — Gilberto Tim levou fama por isso.
Em campo, duelos duros contra o Palmeiras de Telê Santana e Jorge Mendonça, na semifinal, foram vencidos no talento do maior ídolo da história colorada: Paulo Roberto Falcão. O meio-campista, que posteriormente marcou época na seleção brasileira de 1982 e na Roma, era elegante e mágico com a bola no pé.
Quando os gaúchos venceram de virada o Palmeiras em São Paulo, com o Morumbi lotado, as manchetes se renderam ao craque. “O Palmeiras é bom. Mas não tem Falcão”, destacou o Jornal da Tarde, que na véspera do jogo colocava o palmeirense Mococa no nível do meia colorado.
“O Falcão, quando provocado, jogava ainda mais. Foi assim que ele se sentiu quando leu a manchete ‘Mococa ou Falcão?’ no Jornal da Tarde”, disse Larry, zagueiro reserva do Inter naquele Brasileirão de 1979, em entrevista ao Zero Hora. No dia seguinte, a manchete foi: “Falcão, é claro”.
Na frente, Valdomiro, Batista, Bira, Spina e Mário Sérgio tabelaram com primor com a qualidade que Falcão entregava com a bola no pé. “Somos parte de uma façanha. Ninguém repetiu isso até agora. Na verdade, vencemos o título dentro do Maracanã com os dois gols do Chico. Quando eu marquei no Beira-Rio, já sabia que eles não tinham mais chances”, relembrou Jair ao Zero Hora.
Na decisão, o Internacional foi ao Rio de Janeiro e venceu o Vasco por 2 a 0, gols de Chico Spina. Na volta, com o Beira-Rio lotado, um 2 a 1 (Jair e Falcão) sacramentou o feito que até hoje é inédito no Campeonato Brasileiro.


















