Um menino brasileiro que sonhava em ser jogador de futebol e de repente se viu no Milan, treinando com Ibrahimovic, Nesta, Kaká, Seedorf. Esse mesmo garoto passou a defender as seleções de base da Itália. E, já não tão jovem, o futebol o levou para a Espanha, onde hoje, se sente em casa. A história de Rodrigo Ely é rica, cheia de reviravoltas, mas, mesmo longe do fim, já pode ser vista como um caso de sucesso.

Aos 27 anos, ele fez mais uma temporada segura e eficiente no Alavés. A quarta no clube, terceira como jogador contratado, depois de atuar por empréstimo no primeiro ano. O Alavés terminou na 16ª colocação e atingiu o principal objetivo: permanecer na divisão de elite. A próxima temporada será a sexta seguida enfrentado Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid. E, dessa vez, meta alcançada com um gosto especial: o clube completou um século de vida. O zagueiro brasileiro está feliz em fazer parte dessa história.

Nascido em Lajeado, no Rio Grande de Sul, Rodrigo Ely se destacou na base do Grêmio. Chamou a atenção de clubes europeus, e acabou indo jogar no Milan. Chegou novo, inexperiente, e para ganhar rodagem, foi emprestado para três clubes menores da Itália: Reggina, Varese e Avellino. “Tinha 17 anos, e estava jogando com caras de 35. Lutando contra o rebaixamento. Foi uma experiência incrível e me fez crescer muito”, diz Rodrigo no vídeo acima.

Foi nessa época que ele acabou convocado para as seleções Sub-19 e Sub-20 da Itália. Não demorou para o Brasil ficar de olho no jovem zagueiro de 1m89 de altura, com velocidade e personalidade: “Coração falou mais forte. Sou brasileiro, minha família vive no Brasil, cresci sonhando em jogar pela seleção. Então, foi isso que escolhi”.

Na seleção olímpica, foi até capitão em uma partida. Atuou ao lado de meninos que acabaram virando estrelas do futebol mundial: o goleiro Ederson e o atacante Gabriel Jesus, hoje no Manchester City. Fabinho, volante do Liverpool. Fred, do Manchester United.

De volta ao Milan, não teve tantas oportunidades. Ou melhor: não teve tanta paciência para esperar as chances aparecerem. Por isso, resolveu ir para a Espanha. E no Alavés se encontrou. O clube não luta pelo título espanhol, não aparece como favorito em nenhum site de soccer bets. Mas tem uma torcida fiel e apaixonada. Fica em Vitoria-Gasteiz, no País Basco, considerada uma das melhores cidades para se viver na Espanha: “Meu perfil se encaixa perfeitamente aqui. Um clube familiar, com uma torcida apaixonada. Aqui, eu me sinto em casa”. E o menino que cresceu jogando bola na rua, hoje marca Lionel Messi.