O ano de 2022 já está marcado na história do Fortaleza. O clube centenário disputou a Libertadores pela primeira vez. Passou por um grupo difícil, com River Plate (ARG), Colo-Colo (CHI) e Alianza Lima (PER). Acabou caindo nas oitavas de final para o Estudiantes (ARG), tradicional equipe com 4 títulos da competição, e que esse ano tem um time muito bem montado, aparecendo sempre entre os primeiros colocados no sites de esportes bets.

E não é coincidência que o Fortaleza sentiu o gosto de participar pela primeira vez do principal torneio do continente. O clube passou por uma verdade revolução nos últimos anos.

Antes diretor de futebol, Marcelo Paz assumiu a presidência em 2017 e instaurou uma nova mentalidade, novos processos, que tiveram impacto imediato. De 2018 pra cá, o Fortaleza ganhou duas Copas do Nordeste, quatro Campeonatos Cearenses e foi campeão da Série B.

O Leão está na elite do futebol brasileiro há quatro anos: “O Fortaleza é um exemplo recente de organização, e consequente evolução de um clube no futebol brasileiro”. Palavras do presidente Marcelo Paz.

O segredo está na gestão, que tem como pilares o equilíbrio financeiro, a melhoria constante da infraestrutura de treinamento e de todas as áreas que cuidam do futebol.

Para isso, são trazidos dirigentes remunerados, com executivos contratados para cada setor: “São pessoas que produzem, que têm capacidade intelectual, experiência nas suas respectivas áreas de atuação, e estão colocando o seu tempo à disposição do clube”, explica Marcelo Paz.

E a diretoria quer mais. Por isso, não para de investir. Até o meio de julho, cinco contratações já haviam sido anunciadas: o experiente atacante Thiago Galhardo chega por empréstimo até o final da temporada. Depois de 10 anos na Europa, Lucas Sasha para reforçar o meio-campo. O argentino Emanuel Brítez veio do Union Santa Fé, da Colômbia, e pode atuar tanto como zagueiro quanto lateral direito. Otero, com passagens recentes por Atlético-MG e Corinthians, pode fazer dupla de criação com Lucas Lima. O último reforço foi Fabrício Baiano, que estava no Caykur Rizespor, da Turquia. Outro polivalente que pode jogar de volante, meia ou até ala direita. 

Quase todas as contratações passam pelo CIFEC, o Centro de Inteligência do Fortaleza Esporte Clube. Outro motivo de orgulho para o atual presidente, criado quando ele ainda era diretor de futebol.

Hoje, são quatro pessoas trabalhando com análise de mercado e de desempenho no futebol profissional. Um vasto banco de dados de atletas que podem ser contratados. O zagueiro colombiano Bryan Ceballos, por exemplo, foi identificado pelo CIFEC. O mesmo vale para Moisés, destaque da Ponte Preta no ano passado. São usados diversos softwares diferentes para coleta e cruzamento de informações de centenas de jogadores.

Há quem possa dizer que o Fortaleza não vive um grande momento. No Campeonato Brasileiro, luta para sair da zona do rebaixamento. Mas não há como negar que, nos últimos anos, são muito mais motivos para sorrir do que chorar.