É claro que ao pensar no futebol inglês, talvez o mais forte do mundo, clubes como Liverpool, Manchester United, Manchester City, Arsenal, Chelsea e Tottenham logo vêm à cabeça, afinal, trata-se do “Big Six” (seis grandes potências do país). Mas há um time por lá chamando a atenção fora do grupo dos principais clubes: o Everton de Carlo Ancelotti.

O experiente treinador de 61 anos comanda um time de médio porte, porém com nomes interessantes. Entre os destaques, estão o brasileiro Richarlison, James Rodríguez e Dominic Calvert-Lewin -- todos jogadores de meio para frente.

Por falar na parte ofensiva, esta é uma característica do time azul de Liverpool: futebol agressivo e que privilegia atacantes rápidos e de beirada.

Ancelotti assumiu o comando da equipe em dezembro de 2019, algo incomum para o futebol europeu -- geralmente os técnicos trocam de time só na intertemporada. O contrato com o clube inglês veio pouco tempo depois de ser demitido do Napoli e, agora, o italiano está prestes a completar um ano à frente do Everton.

De lá para cá, chegaram alguns reforços, o time deu uma ‘encorpada’ e dá indícios de que pode brigar pelas primeiras colocações do Campeonato Inglês e, quem sabe, conquistar uma vaga na próxima Liga dos Campeões.

Para tentar brigar com as equipes de ponta da Premier League, Ancelotti investiu para valer levando em consideração o patamar e a força financeira do Everton: trouxe o brasileiro Allan por 25 milhões de euros, o meio Abdoulaye Doucouré por 22 milhões e Ben Godfrey para a zaga, por 27,5 milhões.

A experiência do italiano, conhecido por tem o vestiário na mão ao longo de sua rica carreira como treinador, culminou também na contratação gratuita e definitiva de James Rodríguez.

Encostado no Real Madrid e depois de rodar por diversos clubes por empréstimo, o colombiano tem sido o principal destaque do time na temporada. Era de se esperar pelo histórico atuando em parceria com o técnico mais uma vez.

Abaixo, a Betway lista alguns pontos interessantes do Everton neste início de ano.

James Rodríguez, o homem de confiança do treinador

Uma das frases mais clichês do futebol é aquela de que treinadores têm seus atletas de confiança -- e os levam para todos os lugares para onde vão. É exatamente como se resume a relação entre Carlo Ancelotti e James Rodríguez.

Tudo começou depois da Copa do Mundo de 2014, em que James brilhou no Brasil, saiu como destaque da competição e foi contratado pelo Real Madrid. Sob o comando de Ancelotti, então técnico merengue, o meia colombiano fez uma temporada convincente em 2014/15: foram 46 jogos disputados, 17 gols e 18 assistências. Quando o italiano deixou o clube espanhol, no entanto, as coisas começaram a cair. Foi aí que James perdeu espaço no Real e foi liberado para empréstimo pela diretoria.

Ancelotti, que assumia o Bayern de Munique à época, logo pediu a contratação de seu ‘xodó’ e foi atendido pelo clube bávaro, que viu o canhoto ter bons desempenhos na mão do treinador na Alemanha.

Em 2020/21, as atuações de James Rodríguez vão provando que a parceria é realmente eficaz para seu futebol. Nos sete primeiros jogos atuando mais na ponta direita, e caindo para o meio, marcou três gols, deu quatro assistências e vem sendo o líder técnico da equipe do Everton a ponto de ser defendido publicamente por Ancelotti e comparado até a Ronaldo Fenômeno.

“Quando eu estava em Milão, trouxemos Ronaldo. Quando chegou, ele pesava cem quilos. Antes do primeiro jogo, eu disse a ele: ‘Você sabe que não posso jogar com você porque você precisa perder peso’. Ele respondeu: 'O que você quer que eu faça em campo? Marcar ou correr? Se for para correr, coloque-me no banco; se for para fazer gols, jogue comigo'. Joguei com ele e ele não correu, mas fez dois gols. Com James é a mesma coisa”, disse Ancelotti em entrevista no começo de novembro à “France Football”.

Richarlison evolui taticamente no Everton

Outro ponto positivo do futebol agressivo, de velocidade e ofensivo do Everton é o brasileiro Richarlison. Utilizado pelas beiradas no 4-3-3 montado pelo italiano no time inglês, o “Pombo” vai aos poucos evoluindo a parte tática com o experiente comandante. Cumpre funções de marcação com mais precisão, ocupa melhor os espaços no campo e consegue, desta forma, guardar energia para a hora de partir em velocidade. Não à toa tem quatro gols e duas assistências no ano e ganha notoriedade na Inglaterra.

“Eu estou aprendendo a cada dia lá [na Inglaterra], principalmente com o professor Ancelotti, que trabalha muito a parte tática. Na seleção não é diferente, tento pegar o máximo de informações para quando entrar dar meu melhor. A Premier League faz o jogador evoluir e eu tento pegar o máximo de informações com o Ancelotti, que criou praticamente tudo. Estou aprendendo a cada dia e tenho muito a evoluir mais", afirmou Richarlison quando esteve a serviço da seleção brasileira, em outubro.

O grande parceiro do brasileiro no comando de ataque tem sido Dominic Calvert-Lewin. O inglês de 23 anos, que atua mais centralizado, é o artilheiro do Everton na temporada até o momento. Municiado por passes de qualidade no meio, seja na criação de James Rodríguez ou nas aparições de Allan no ataque, o atleta soma 11 gols nos nove primeiros jogos, sendo oito deles anotados na Premier League.

Se ao longo da carreira como treinador Carlo Ancelotti lidou mais com elencos badalados e times de ponta do futebol europeu, agora vive uma nova fase em um time que busca um espaço entre as potências da Inglaterra.

Já que não tem questões de ego para ‘gerir’ como nas épocas de Real Madrid e Milan, por exemplo, o treinador consegue aproveitar brechas com jogadores caros em baixa no mercado -- como foi com James e se especula que Isco é o próximo do Real a desembarcar em Liverpool. Também pode focar na parte tática e em aperfeiçoar o modelo de jogo ofensivo da equipe, e vem conseguindo mostrar características novas na gestão de um time. 

Se dará certo ou não, não se sabe, mas é interessante o início do Everton com o italiano. Não deixe de acompanhar o desempenho do time e faça suas apostas na Premier League.