O Palmeiras perdeu a final da Copa Libertadores de 2000 para o Boca Juniors, em pleno Morumbi. Mas, de certa maneira, o título já havia sido conquistado semanas antes, no mesmo estádio. Vitória nos pênaltis contra o Corinthians, depois de uma virada improvável por 3 a 2, com gol de alguém ainda mais improvável: “Aquele jogo marcou minha carreira. O gol que eu marquei acabou me consagrando no Palmeiras, consagrando com os torcedores. Sou lembrado até hoje por causa daquele momento”.

Palavras de Galeano (veja vídeo acima). Ele, que praticamente nasceu no clube, passou pelas categorias de base, e entre idas e vindas, atuou por quase 20 anos no time profissional. Décimo primeiro jogador que mais vestiu a camisa do clube, com 477 partidas disputadas. Tem uma longa lista de títulos pelo Verdão: Campeonato Paulista (1996), Copa do Brasil (1998), Copa Mercosul (1998), Copa Libertadores (1999), Rio-São Paulo (2000) e Copa dos Campeões (2000). Mas é aquele momento, daquele título que não veio, que ele guarda com mais carinho.

Isso dá uma noção de como a Libertadores mexe com os jogadores brasileiros. Ainda mais quando o confronto é contra um grande rival. E isso vai acontecer de novo nesse sábado. Claro que o grande inimigo do Palmeiras será sempre o Corinthians, seguido de perto pelo São Paulo. Mas a animosidade entre palmeirenses e flamenguistas nos últimos anos é latente. Dois clubes que disputam o domínio do cenário brasileiro, e continental também. Duas torcidas que se provocam o tempo todo: do “cheirinho” criado pelos paulistas, ao “Não tem Copinha, não tem mundial” cantando pelos cariocas. Os dois times são hoje favoritos em qualquer site de apostas online, em qualquer torneio que disputam. Mas, isso tem o lado negativo também: “A rivalidade com time brasileiro é sempre maior. Então a cobrança e a pressão acabam sendo também”, diz Galeano.

Aliás, é a segunda decisão seguida com dois times brasileiros. Sinal dos tempos: “Os adversários de fora estão devendo. Hoje está mais difícil jogar contra times brasileiros do que um time argentino, colombiano, ou chileno. O nível mudou, e os brasileiros estão se sobressaindo”. E para Galeano, essa não foi a única mudança: “As condições são outras. Tudo melhorou. Estádios, gramados, organização”.

Ex-jogador, e ex-dirigente também, Galeano é bem treinado. Não arrisca favorito. Aceita apenas falar sobre o trabalho dos dois treinadores, muitas vezes criticados, mas vencedores: “O Renato Gaúcho cresceu muito nos últimos anos, já vinha fazendo um excelente trabalho no Grêmio, conquistando vários títulos. Tem a vantagem de conhecer muito bem o futebol brasileiro. Já o Abel Ferreira chegou desconhecido. Mas é ex-jogador também, se preparou bastante. Chegou conquistando títulos e já marcou sua história no Palmeiras. Tem que respeitar”.

Flamengo e Palmeiras, no auge de sua rivalidade, se enfrentam buscando o tricampeonato da competição mais cobiçada de todo o continente. Quem marcar o gol da vitória, por exemplo, será um eterno herói. Como aconteceu com Galeano. E ele não esconde para quem vai a torcida: “Espero que o Abel possa levar vantagem mais uma vez, porque eu quero ver o Palmeiras campeão”.