Para chegar ao objetivo final de levantar o troféu mais importante do continente, Palmeiras e Flamengo colocarão em campo vários confrontos individuais no dia 27 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai. A rivalidade que não para de crescer desde a reestruturação das equipes fora dos gramados também traz um duelo curioso entre técnicos que se gostam e manifestam admiração um pelo outro nas entrevistas que dão, mas que têm estilos bem diferentes de trabalho no dia a dia.

Bastante unidos nos bastidores e com trocas de elogios públicos, os dois têm mais diferenças do que semelhanças na hora de comandar a equipe e na preocupação com a própria imagem. Um é mais folclórico e apela para o histórico vitorioso como jogador, enquanto o outro faz questão de explicar a teoria de cada decisão que toma na prática.

O flamenguista gosta de alimentar uma ideia de ser “o Rei da Praia” e cria um personagem que dificilmente se sustenta nas derrotas. Na hora que é contestado pela imprensa, quase nunca dá explicações táticas e normalmente escolhe alvos para terceirizar a sua culpa.

Quando estava no Grêmio, ele dizia que não podia ganhar tudo porque não tinha orçamento necessário na hora de justificar o desempenho ruim no Brasileirão. Agora que está em uma equipe com o melhor elenco do país e dinheiro em caixa, culpa o calendário e a arbitragem, além de desafiar a imprensa para tentar ganhar parte da torcida.

“Se eu falar da parte tática em público, vou estar fazendo o trabalho do jornalista. Eu sou pago para treinar a minha equipe”, resumiu Renato em uma de suas entrevistas.

No dia a dia do Flamengo, a principal característica de Renato é o de tentar deixar o ambiente mais leve. Vários relatos de pessoas que vivem o cotidiano rubro-negro dizem que a parte mais tática fica por conta de seus auxiliares.

O próprio comandante fez questão de ironizar a necessidade de ter uma formação reconhecida pela CBF e disse que prefere estar na praia a ter que receber curso para treinar uma equipe. Ele defende o ditado de “quem anda de bicicleta nunca mais esquece” e aplica essa tese nos gramados.

Esse estilo de trabalho só funciona enquanto o time estiver vencendo e é facilmente contestado quando o bom futebol não aparece. A grande diferença é que, em Porto Alegre, Renato tinha total apoio da diretoria, da torcida e do grupo de jogadores. Sua influência começava no jeito de a grama ser cortada e ia até a contratação ou dispensa dos atletas.

Com uma estátua na porta do estádio gremista, as histórias de jogadas incríveis e gols marcados eram o suficiente para criar um ambiente competitivo. No Ninho do Urubu, com um elenco extremamente vitorioso e ainda com saudades de Jorge Jesus, essa receita nem sempre emplaca.

O sucesso do hoje técnico do Benfica, aliás, é um elemento que une os dois comandantes da final da Libertadores. Se Renato é criticado por não conseguir fazer o Flamengo dar show, Abel Ferreira é sempre comparado a seu compatriota e questionado sobre a qualidade de futebol apresentada pelo Palmeiras, como se todo técnico daquele país fosse ter o mesmo estilo.

O palmeirense é adepto de uma filosofia totalmente diferente da de Renato e taticamente oposta a de Jorge Jesus. Tanto nas coletivas de imprensa quanto no dia a dia na Academia de Futebol, Abel diz que o futebol é baseado em estudos: táticos, técnicos e psicológicos. Ele gosta de analisar o adversário, montar estratégias focadas em anular os pontos fortes dos rivais, mesmo que para isso o futebol bonito seja totalmente deixado de lado.

Sua vida é futebol: ler, assistir e ouvir. Afastado da família, que ainda está em Portugal, ele não tira tempo para quase nada de lazer e vê-lo curtindo um momento com os pés na areia é missão quase impossível. No começo de seu trabalho, morou no próprio hotel do clube, tendo como seus melhores amigos os funcionários do Centro de Treinamento.

Na hora de conversar com seus jogadores, gosta de explicar o motivo de cada pedido e usa uma prancheta à beira do campo com seus dois auxiliares para mostrar exatamente o que cada atleta precisa fazer.

O momento em que ele mais se assemelha a Renato é quando sua equipe vai mal. Com frequência, Abel diz que os questionamentos da imprensa são rasos, critica quando a torcida protesta e, por vezes, usa do mesmo subterfúgio de criar balões de ensaio para tirar o foco de seu time. Pode ser ameaçando “falar o nome de jornalistas imparciais” ou “mandando o vizinho chato calar a boca”.

Depois de um ano de Palestra Itália, o português é exaltado como o técnico que fez nomes como Gustavo Scarpa e Raphael Veiga voltarem a jogar bola. Na palavra dos dois, nunca um outro treinador explicou tão bem o que cada atleta precisa fazer em campo.

Enquanto isso, na sua história de técnico já mais longeva do que a do português, Renato normalmente é elogiado por “dar moral” aos jogadores que não vivem seus melhores momentos. Basta ver o tanto de atletas que ele reergueu no comando do Grêmio que, hoje, luta para não ser rebaixado.

Os dois treinadores que brigam pela América já se enfrentaram quatro vezes, com duas vitórias do europeu justamente nas finais da Copa do Brasil, contra uma do brasileiro e um empate.

Agora, novamente na final da Libertadores, os dois lutam para dar a suas equipes o tricampeonato. Abel defende o troféu conquistado em 2020 e apostará em um futebol coletivo para escrever ainda mais o seu nome na história palmeirense. Para isso, ele precisará quebrar o tabu de o Palmeiras não vencer o Flamengo desde 2017.

Do outro lado, Renato diz que vai potencializar as individualidades de seus atletas e tenta ter melhor sorte quando o assunto é enfrentar o português em finais: na vez em que isso aconteceu, o Alviverde passou por cima do Grêmio comandado por ele.

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