Time inglês conseguiu feito histórico na temporada 2015/16: relembre título do modesto Leicester na Premier League
Está cada vez mais difícil para times fora do Big Six (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham) vencerem a Premier League. Entre os diversos motivos, o mais impactante é a diferença no orçamento entre os gigantes ingleses e as equipes de menor expressão.
Se historicamente nunca foi fácil enfrentar times como Liverpool e United, a injeção de grana de bilionários no futebol da Inglaterra (Chelsea e City são os principais beneficiados) traz ainda mais dificuldade para quem tem menos dinheiro para a temporada.
É por isso, portanto, que o feito recente do Leicester, em 2015/16, está para sempre na história do futebol como um dos mais épicos de todos os tempos. Sim, a pequena equipe da cidade de mesmo nome conseguiu superar os milionários clubes ingleses e ser campeão da Premier League, considerada por muitos como o melhor campeonato nacional do mundo.
É como se o Avaí ou o Juventude ganhassem o Campeonato Brasileiro nos dias de hoje. Mas como isso foi possível? Abaixo, a Betway lista alguns pontos que estiveram por trás do maior título da história do Leicester.
Prognóstico era de rebaixamento
Antes de relembrar e esmiuçar a campanha do campeão da Premier League 2015/16, vale destacar que, no início do torneio, o prognóstico para a Raposa era dos piores. Afinal, o time da cidade com 360 mil habitantes tinha o quarto elenco menos valioso dos 20 clubes, ficando à frente apenas dos que vinham da segunda divisão.
Naturalmente, isso já fazia do Leicester um forte candidato ao rebaixamento. À época, Jamie Vardy, que ficou até os 23 anos na 7ª divisão do futebol inglês, era um completo desconhecido. No fim, o atacante terminou como um dos principais artilheiros da competição.
Esquema tático encaixou perfeitamente, e rápido

Para uma equipe de menor expressão e pouca condição financeira vencer um time grande, estruturado há a necessidade de ser perfeito em campo. Algo alcançável no futebol em 90 ou 180 minutos, principalmente em jogos de mata-mata.
Mas o que o Leicester fez foi o improvável: era uma competição longa, por pontos corridos e que premia a regularidade. É por isso que muitos classificaram aquela conquista da Premier League como o maior feito da história do futebol mundial.
Para bater de frente com o Big Six, o técnico italiano Claudio Ranieri montou o time no 4-4-2. Um esquema clássico e consagrado no futebol, mas que casou perfeitamente ao estilo dos jogadores daquele time. A absorção também foi rápida, o que ajudou o time de Leicester a sempre estar na briga pelas primeiras colocações.
Em campo, o futebol era reativo. À espera dos adversários, o Leicester tinha as duas linhas de quatro, de defensores e meias, bem compactas e fortes na marcação. Para se ter uma ideia, foram 1.610 desarmes da equipe em 38 rodadas, segundo o jornal britânico The Telegraph. O número, que resultou em uma média de cerca de 42 por partida, demonstra a disposição daquele time para marcar, e é muito superior ao de qualquer adversário na temporada: foram 200 desarmes a mais do que o segundo colocado do torneio na estatística.
Surgem craques ao futebol inglês

O sistema defensivo funcionou (muito) bem e o Leicester teve uma rara eficiência para engatar 23 vitórias em 38 jogos do Campeonato Inglês. Foram ainda 12 empates e apenas três derrotas do campeão, que fechou a tabela com 81 pontos — o Arsenal, vice, finalizou o campeonato com 71.
Sem um elenco vasto e turbinado como os rivais do Big Six, a Raposa contava com 11 jogadores essenciais. Ou seja, a escalação foi bastante repetida ao longo da temporada, e as trocas vieram somente em casos necessários, como lesões e suspensões.
A equipe campeã tinha como base: Schmeichel; Simpson, Morgan, Huth, Fuchs; Kanté, Drinkwater, Albrighton, Mahrez; Okazaki e Vardy.
No meio de campo, a grande surpresa foi o francês N’Golo Kanté. Hoje no Chelsea, o volante era o motor da equipe: corria de área a área, como gostam os ingleses; além de ser muito efetivo no desarme, conseguia armar contra-ataques e se apresentar aos homens de ataque com competência. O sucesso em campo o fez chegar aos Blues e o coloca, atualmente, como um dos melhores da posição no futebol mundial.
No ataque, Mahrez e Vardy funcionaram de forma perfeita e com muita velocidade nos contra-ataques, principal arma ofensiva do Leicester. O primeiro, ponta direita, hoje no Manchester City, é habilidoso, rápido e fazia boas tabelas com os companheiros de ataque. Jamie Vardy, por sua vez, caiu como uma luva no sistema, já que não é um centroavante fixo, de área, e explora bem a velocidade.
Desta forma, sólido atrás e cirúrgico e rápido na frente, o Leicester segurou muitas vezes seus adversários e venceu pelo placar mínimo de 1 a 0.
Modelo reativo se contrapôs ao “Guardiolismo”
Naquele momento, temporada 2015/16, o título da Premier League do Leicester foi uma surpresa por também se contrapor ao futebol ofensivo, de posse de bola, estabelecido como padrão pelo Barcelona de Pep Guardiola.
Pragmático, e mais próximo aos times da década de 1990, o Leicester serviu de oposição ao estilo de jogo da moda. “O futebol sempre foi isso. Sempre tivemos técnicos dispostos a romper a ordem estabelecida, seguidos pela busca de fórmulas para neutralizá-los. Agora vivemos um novo ciclo desses”, afirmou, em 2016, o comentarista Carlos Mansur, em entrevista para a revista Época.
Conquista lotou ruas e bombou redes sociais
Quando o improvável aconteceu, o mundo parou para aplaudir o pequeno Leicester. No Reino Unido, a conquista bombou o Twitter, que registrou um aumento de 83% em suas atividades na noite em que o título foi consumado. A rede social também marcou 5,5 milhões de tuítes falando sobre a façanha em todo o planeta. Nas ruas da pequena cidade inglesa, trio elétrico e muita gente para recepcionar os heróis (veja na foto).


















