Santa Cruz foi de 18º colocado para vice-campeão no Brasileirão Série B 2015, protagonizando uma das maiores arrancadas do torneio; relembre
Desde que o Brasileirão Série B passou a ser disputado no formato atual, de pontos corridos com 20 clubes, em 2006, poucos times conseguiram reverter inícios ruins a tempo de escapar do rebaixamento e, de quebra, conquistar o acesso para a divisão de elite do futebol nacional. Um dos casos mais simbólicos é o do Santa Cruz, em 2015.
Geralmente, as equipes que começam com resultados ruins não costumam brigar na parte de cima da tabela da Série B por alguns fatores: pressão contra uma possível queda para a terceira divisão, equilíbrio do torneio, que geralmente não dá espaço para arrancadas muito longas, e tempo. Às vezes, um clube até se recupera e fica entre os 10 melhores, só que não atinge o G4 por falta de jogos.
No caso do Tricolor do Recife, em 2015, aconteceu de tudo: mudança de técnico, empolgação, arrancada, estádio lotado, reforço de peso, acesso para a Série A e até um vice-campeonato. Há quem diga que, se o campeonato tivesse algumas rodadas a mais, o ‘Santinha’ conseguiria tirar o título do Botafogo naquela edição (no fim, o Alvinegro fechou com 72 pontos, contra 67 do Tricolor).
Ano de 2015 não era bom para o Santa
Assim que a temporada 2014 foi finalizada para o Santa Cruz, a diretoria e os torcedores eram quase unânimes de que o ano seguinte não seria promissor ao clube. O desempenho ruim fez com que a equipe não disputasse, por exemplo, a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil. Somente essas duas baixas já eram significativas perdas no orçamento e nas projeções para 2015.
O início do ano, sob o trabalho de Ricardinho, demorou para engrenar, e o Santa amargou algumas derrotas duras em pleno Arruda. Ainda assim, a força da Cobra Coral se fez presente: título estadual (o quarto em cinco anos) e certa confiança para a disputa do Brasileirão Série B. Ao menos era o que parecia…
Série B: início do Santa Cruz em 2015 foi péssimo
O Santa Cruz não convencia o torcedor com o título estadual pois o futebol não era dos melhores. Mas bastaram algumas rodadas do Brasileirão Série B para a torcida perder de vez a paciência com o técnico Ricardinho, que nunca foi querido pelas arquibancadas.
Nos sete primeiros jogos, o clube só venceu uma, com outros dois empates e quatro derrotas. O ato final do ex-jogador no comando do time foi em um empate sem gols com o Boa Esporte, no Arruda, pela 7ª rodada. Pronto. Ali a diretoria também perdeu a paciência e resolveu trocar o treinador.
Marcelo Martelotte chegou e mudou Santa Cruz
Com apenas cinco pontos ganhos em 21 disputados, o Santa Cruz demitiu Ricardinho na 18ª colocação na tabela. A situação era terrível, e o plano na Série B passou a ser o de evitar uma nova queda para a terceira divisão.
Sem dar sinais de melhora, o time precisava de alguém para agitar o vestiário e que fosse identificado com o clube. Marcelo Martelotte era o nome perfeito. O ex-goleiro, que defendeu o clube ao longo da carreira, chegava para a sua quarta passagem pelo Arruda (duas como técnico e outras duas como jogador).
Série B: como foi a arrancada do Santa Cruz em 2015?
Como começou muito mal, mas logo trocou de treinador, o Santa Cruz ainda teve um certo tempo de recuperação para atingir o G4 da Série B. Engana-se, porém, quem acha que a chegada de Martelotte transformou o time e a Cobra Coral foi absoluta da 8ª rodada em diante.
Entre vitórias como mandante, alguns empates e derrotas, principalmente atuando fora, o Santa Cruz chegou à parte final do Brasileirão Série B sob desconfiança: a torcida não sabia se seria possível alcançar o acesso.
A 31ª rodada representou bem esse momento, quando a equipe perdeu para o Náutico por 3 a 1, no Arruda. Além de sofrer uma derrota em um clássico, que abala a confiança de qualquer equipe, a matemática não era fácil — a essa altura, no entanto, nem se falava mais sobre rebaixamento no clube.
Depois da derrota para o Náutico, a arrancada: o Santa Cruz não perdeu mais. Em sete jogos restantes, foram seis vitórias e um empate (Atlético-GO, fora de casa). Entre os triunfos, tiveram alguns adversários de peso: Botafogo (campeão), Bahia e Vitória. O acesso foi garantido em Itu, contra o Mogi Mirim (3 a 0), na 37ª rodada. A festa ficou para a última rodada, com um compromisso em casa.
“Alfabeto” do futebol nacional e Grafite: histórias do acesso
A arrancada heroica na parte final do Brasileirão Série B deu para a Cobra Coral a oportunidade de disputar a Série A depois de 10 anos. Só que não foi um acesso qualquer: neste período, o ‘Santinha’ conheceu o pior do futebol brasileiro e completou o “alfabeto” nacional, indo da Série D para a elite. “Este acesso é a maior das conquistas, porque é uma volta à Série A depois de 10 anos, em um momento que o Santa precisa disso, e depois de ter passado por tanta coisa”, destacou o técnico Marcelo Martelotte, à época.
João Paulo, Daniel Costa, Bruno Moraes e Wellington Cézar foram alguns destaques daquele time que fez história no Recife. Mas tinha um jogador especial, já renomado, que chegou para agregar nos últimos jogos da Série B: Grafite.
Depois de surgir no Tricolor, o camisa 9 rodou o mundo, fez sucesso na Alemanha e chegou à seleção brasileira. Em 2015, já próximo de encerrar a carreira, ele acertou um contrato com o Santa e foi especial no acesso.
Além dos sete gols em 15 jogos, o craque garantiu alguns pontinhos, mas aumentou o número de sócios-torcedores, elevou o público no Arruda e foi um líder dentro e fora de campo para os garotos. Em muitas oportunidades, Grafite chamava a ‘pressão’ e ajudava a equipe a vencer. A passagem do astro mexeu com o futebol pernambucano e ficou conhecido por “Efeito Grafite”.


















