A trajetória do ex-jogador, que passou por todas as competições regionais e o Circuito Desafiante norte-americano, para analista do CBLoL e um dos maiores influenciadores de LoL do Brasil
Gustavo Gomes é a pessoa por trás do nick “Baiano”, que teve uma carreira pelo cenário competitivo de League of Legends (LoL), é streamer, influenciador e agora um dos analistas do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), no Depois do Nexus.
Natural de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, Baiano conta com 5 anos de experiência em equipes profissionais e, desde dezembro de 2019, não atua mais como jogador para se dedicar integralmente às análises e streams.
Baiano atualmente é uma das principais figuras brasileiras pela qual o público acompanha os eventos internacionais de League of Legends por meio do quadro Baianalista, em que analisa e reage o jogo ao vivo com o público. Neste Mundial de 2020 não é diferente, Baiano está realizando streams simultâneas durante todas as partidas em seu canal da Twitch.
Carreira de jogador
No começo, em 2014, Gustavo utilizava o codinome “OwninG” e jogava pela Frequency Gaming, equipe em que jogou ao lado de Mateus “SkyBart” Neves, Bruno “Brucer” Pereira, André Eidi “esA” Yanagimachi e Lucas “Krow” Rabaça. Foi nessa época que, ao lado de esA, Baiano realizou um desafio chamado “Do Unranked ao Challenger em 72 horas”, que deu bastante popularidade para ambos, por completar 42 jogos vencidos e apenas 1 derrota.
Mesmo em uma equipe que era mais uma tag para os jogadores competirem, a Frequency na época já atuava em torneios menores, principalmente porque o CBLoL ainda não existia no formato atual e era mais parecido com um circuito.
Ainda com o nick de OwninG, Baiano jogou em 2015 o Circuito Desafiante pela INTZ Red durante o 1º split, em que o time conseguiu a vaga para a Série de Promoção, após vencer 3 dos 5 torneios do circuito – além de pontuar bem nos torneios que não foram campeões.
Mesmo com o sucesso na INTZ Red, OwninG decidiu mudar de equipe e jogar pela JAYOB e-Sports no Circuito Desafiante. Na JAYOB, ele repetiu o feito com sua equipe e dominou o Circuito – e foi nessa época que mudou o nick para “Baiano”. Na Série de Promoção, o time infelizmente não conseguiu se classificar para o CBLoL, porém foram os que melhor performaram dentre os desafiantes, perdendo de 3 a 2 para a Kabum Black.
Foi após essa série contra a Kabum Black que Baiano foi para a Keyd Stars, principalmente por se destacar positivamente na série de promoção, desempenhando muito bem durante os cinco jogos.
Durante 2016, a Keyd Stars dominou o 1º split com uma equipe composta por Leonardo “Robo” Souza, Gabriel “Turtle” Peixoto, Murilo “takeshi” Alves, Baiano e seu parceiro esA. No entanto, acabaram perdendo a grande final do split, que deixou a equipe um pouco instável para a 2ª etapa do ano, no qual terminaram em 4ª colocação.
O ano de 2017 foi a grande mudança na carreira de Baiano, pois ele se juntou à Big Gods Jackals, para jogar a North America Challenger Series (NACS) como o único brasileiro da line-up. Nessa época, Baiano enfrentou jogadores experientes, como o lendário Hong “MadLife” Min-gi, Lucas “Santorin” Tao Kilmer e Colin “Solo” Earnest (atualmente da FlyQuest) e Lee “GBM” Chang-seok (técnico da Papara SuperMassive).
Mesmo com a chegada de Thúlio “SirT” Carlos na equipe para o 2º split, montando uma dupla brasileira no time, a Big Gods Jackals terminou na 3ª-4ª colocação nas duas etapas.
Voltando para o Brasil em 2018, Baiano entrou na CNB e fez história com a line-up naquele ano, principalmente porque eles ficaram conhecidos como “time do autofill”. Basicamente a equipe tinha jogadores que atuavam em mais de uma posição e na hora do jogo o inimigo nunca conseguia ler a estratégia durante o draft. Baiano nessa época jogou na função de meio e suporte.
Mesmo com uma estratégia tão curiosa para o 1º split, os outros times acabaram se acostumando, além das mudanças impostas por atualizações, e a CNB terminou na 4ª colocação. Na 2ª etapa, o time teve uma boa performance, porém terminou na 3ª colocação, com uma derrota para o Flamengo.
Já em 2019, Baiano começou a jogar no Santos e-Sports, ao lado de William “Tyrin” Portugal, Carlos Henrique “Nappon” Rücker, Guilherme “Atlanta” Matos e Matheus “Drop” Herdy, em qualificatórias para o Circuito Desafiante, porém nas duas tentativas do ano a equipe não obteve sucesso.
No final de 2019, Baiano disputou e foi campeão da Logitech G Challenge 2019 jogando no Santos. No entanto, após esse torneio, Gustavo deixou o cenário competitivo para fazer parte da equipe da Riot Games como analista convidado do Depois do Nexus em janeiro de 2020.
A vida de analista e influenciador
Mesmo como jogador profissional, Baiano sempre manteve suas streams e era uma as referências na comunidade por sua proximidade com os fãs, mesmo que em uma frequência menor em algumas épocas do competitivo, como quando estava na América do Norte.
No entanto, foi após a saída do Santos em 2019 que ele começou a dedicar integralmente e começou a fazer com muito mais frequência o quadro de Baianalista, que começou quando ainda estava no Santos, em que assistia os jogos do Mid-Season Invitational, Mundial 2019 e analisava jogadas e draft junto com o público.
Em 2020 também criou o Depois do Crime para mostrar as “gameplays criminosas” que aconteciam no cenário, Casos do Cenário para tratar das polêmicas envolvendo os jogadores e também o CBolão, um torneio que mistura os profissionais com ex-jogadores e nomes conhecidos da SoloQ para se enfrentar em prol da caridade.
O CBolão fez tanto sucesso que conseguiu arrecadar R$ 125 mil com a ajuda da comunidade, além de um pico de 100 mil visualizações ao longo da competição que durou um final de semana.
Mesmo com quadros que são mais eventuais, o principal quadro de Baiano ainda é o Baianalista, que realiza análises durante partidas do CBLoL, Circuito Desafiante, Mid-Season Invitational e Mundial.
Durante o Mundial de 2019, Baiano conseguiu superar a marca de 53 mil espectadores únicos durante o último dia de jogos do Flamengo eSports (dados da TwitchTracker). Vale ressaltar que após o Mundial 2019 o quadro bateu mais de 500 mil visualizações únicas com as finais da LoL European Championship (LEC) e CBLoL, então é esperado que o Mundial 2020 bata esses números.
A Betway Insider conversou com Baiano para falar um pouco mais de sua trajetória e perspectivas do futuro. Confira a seguir o conteúdo na íntegra:
Betway Insider: Você foi um dos primeiros jogadores brasileiros a jogar fora do Brasil (NACS), experimentando muito da realidade dos jogadores de lá. Com a chegada da franquia, você acha que pode abrir “portas mais fáceis” para novos jogadores?
Baiano: Acho que vai abrir muita oportunidade, inclusive mais que o cenário merecia, pois o Brasil não estava pronto ainda. Se você entrar em uma SoloQ e ver os possíveis jogadores profissionais, não têm tanta vaga assim. Mas é o começo de tudo né, então acredito que temos que torcer para os times filtrarem da melhor forma. Com toda certeza vai abrir muitas vagas e vai ter muito jogador que era bom, mas não tinha o incentivo necessário e agora com incentivo da franquia, com salários maiores e plano de carreira, talvez esses jogadores resolvam virar profissionais.
Betway Insider: Jogando na CNB com a equipe autofill, que está marcada na história do CBLoL, vocês dominaram por muito tempo o split de 2018. Como foi jogar suporte e meio ao mesmo tempo em uma line tão mista?
Baiano: Não era um desafio tão grande, eu tenho certa facilidade de jogar em outras roles. O caso da CNB era muito do time, pois todos estavam confiantes e tivemos sorte de ter jogadores que atuavam em outras posições, por exemplo o Robô já jogava comigo no bot em SoloQ e era todo mundo muito amigo – eu também jogava com o Brucer brincando em duo. Até que surgiu a ideia em um treino e a gente falou: “dá pra fazer? é uma doideira e tal, mas vamos tentar e ver o que acontece”.
Quando começamos a pegar em treino, ganhamos jogos em 15 minutos, com o pessoal tiltado, pausando e xingando, então falamos: “Ninguém vai saber lidar com isso, então vamos levar pro campeonato, pela maior doideira que seja, ‘bora levar pro campeonato’”. Aí teve uma reunião com todo o pessoal, juntou técnicos, diretores e donos do time porque eles acharam que a gente ia trollar, mas a gente falou que estava funcionando e eles ainda estavam desacreditados.
Até que convencemos a organização a deixar, chegamos no stage e deu tudo certo. Ninguém sabia jogar contra e ganhamos quase 10 jogos seguidos no CBLoL desse jeito, mas começou a mudar o patch e a gente perdeu muita força naquele split.
Betway Insider: Você sempre foi muito conhecido por ser shotcaller e muito analítico nas equipes. Passando para a função de analista, você acha que mudou muita coisa relacionada à sua visão de game?
Baiano: Acho que não mudou nada, na verdade vou perdendo um pouco dessa visão. Eu consigo entender mais, agora olhando de fora, a característica de cada jogador. Quando você tá com um time e morando junto, influencia muito o lado pessoal e profissional, enquanto hoje eu consigo ver melhor as características individuais.
Já em conhecimento de jogo, quando eu era pro player eu sabia até mais, porque você vive o jogo. Fui shotcaller de quase todos os times que passei, então eu tinha que saber tudo o que estava acontecendo, pois ser shotcaller não é saber só sua rota, mas sim aprender tudo e estudar mais o jogo por completo.
Betway Insider: Qual foi sua reação com o crescimento de suas lives acompanhando os torneios? Você acha que a comunidade estava sentindo falta de um formato diferente assim?
Baiano: Nunca pensei que era uma necessidade da comunidade, era mais uma coisa que eu achava legal e que queria fazer, eu achava que seria um conteúdo legal, ver os jogos e ter as reações com a galera. Para todo mundo que perguntei, todo mundo falou que era uma ideia horrível: “Ninguém nunca vai fazer isso, ficar só escutando o jogo sem ver. Não existe isso! Impossível de dar certo”.
E estamos aí né! Muita gente inclusive tentando copiar o modelo. O que criei de identidade visual para as lives, hoje já tem umas 30 pessoas no Brasil que fazem de uma forma igualzinha a mim. Ser modelo eu acho legal, mas no começo era complicado, quando eu perguntava pra galera se dava pra fazer e todo mundo falando que ia ser um lixo.
Além disso, no começo eu fazia enquanto estava treinando e às vezes tinha jogo às 4h – como é o caso do Mundial – e eu passava noites virado treinando e fazendo stream desses campeonatos.
Betway Insider: O CBolão foi um sucesso enorme, como você teve a ideia de juntar profissionais e os monochampions das ranqueadas em um torneio tão diferente?
Baiano: Essa ideia apareceu, pois sempre tinham discussões no cenário que eu sempre ficava indignado. Como a discussão que a Riot sempre vendeu de “Quem é a melhor Katarina do Brasil: Kami ou Yoda?”, só que eu jogava contra um cara na SoloQ que era 80 vezes melhor que os dois.
Eu ficava: “Que pergunta é essa gente? Se esse cara jogar contra os dois, vai deixar eles 0/10/0 de Katarina. E não tem o que fazer né, porque o cara é muito melhor!”. Eu trazia isso na live, o pessoal não acreditava e falava que era impossível, enquanto eu falava: “O monochampion ganha de qualquer proplayer, ainda mais com o boneco dele”.
Aí eu pensei em tudo, tive a ideia de não poder banir os mono para eles entrarem competitivos. E tá aí, criei uma nova modalidade! Inclusive nesse final de semana teve um campeonato organizado pelos próprios monochampions. Uma coisa era que eles estavam completamente esquecidos, antes eles pegavam 50 viewers em stream e depois do CBolão estão com 5 mil views, foi muita visibilidade para muita gente.
Betway Insider: Como você teve a ideia de criar o Casos do Cenário?
Baiano: Esse foi um caso que sim, foi mais necessidade do cenário. Pois muita gente falava sobre isso, sobre SoloQ e região, era muita ideia para falar e muita opinião, mas o pessoal nunca juntou nada e era só farpas em redes sociais. Aí juntou todo mundo em uma chamada para falar tudo um para o outro.
Não era uma ideia de salvação do cenário, mas sim para o pessoal entender e formar um conceito. E formamos durante o programa, pois tinham opiniões completamente diferentes sobre como deveria ser a SoloQ e quebrou muito da expectativa.
Betway Insider: Por fim, você fazia aqueles desafios “Do unranked ao challenger” em 72 horas, você faria isso mais uma vez?
Baiano: Não apenas fiz mas como farei, não sei se no meio do Mundial dá para fazer, mas depois sim. E está tudo certo com o esA, já upamos as contas e vamos jogar. Fazer no tempo de antes é quase impossível, pois temos um dos recordes mundiais, em que ganhamos 42 jogos e perdemos apenas 1. Fazer nesse ritmo é meio difícil, mas vamos tentar, porque na época a gente estava muito mais aquecido.
Mas ainda dá, vamos fazer um “Do unranked ao mestre” sem parar e sem dormir. Espero que dure umas 30 horas, com base no que fizemos antes, e no máximo umas 33 horas se der um pouco errado. Mas dá para aguentar.
Acompanhe o trabalho do analista e influenciador Gustavo “Baiano” Gomes em suas redes sociais do Twitter, Facebook e Instagram, além das transmissões periódicas via Twitch como o quadro Baianalista que está acontecendo durante o Mundial.
Já conhecia o trabalho do Baiano? Ele é um dos grandes expoentes brasileiros no cenário de League of Legends. Pegue todo esse conhecimento e faça suas bets para o Mundial de LoL 2020.


















