Se você possui conta em alguma rede social, provavelmente já se deparou com uma postagem de um influenciador digital. Mesmo que não seja a sua praia, é impossível negar que hoje os criadores de conteúdo atingiram um status de quase celebridade em nossa sociedade - além da internet, eles dominam propagandas na televisão, fazem filmes e até participam de reality shows

Mas, por incrível que pareça, a lógica do marketing de influência não é tão recente quanto imaginamos. Apesar de influencers e blogueiros serem ainda uma profissão relativamente nova, associar produtos a nomes que possuem uma boa reputação com o público que a marca pretende atingir é uma técnica que se iniciou lá em 1760. É isso mesmo: o primeiro caso de sucesso foi quando a Rainha Charlotte promoveu a marca de porcelanas inglesas Wedgwood, que inclusive está em atividade até hoje. 

De lá para cá, muitas celebridades co-criaram com os mais diversos segmentos, assinaram produtos e endossaram marcas. Como não lembrar de Xuxa e sua parceria com o hidratante Monange? Ou de Michael Jordan e sua colaboração com a Nike? Ambas um sucesso. 

O motivo de ter dado certo? Simples. “Naquela época, você se projetava no seu ídolo e, por isso, comprava produtos que ele promovia”, explica Christine Caterina, fundadora da agência Press Pass, uma das pioneiras em trabalhar com influenciadores em ações de relações públicas no Brasil. 

Décadas depois, essas parcerias estão ainda mais em alta, mas com uma grande novidade. “Agora a comunicação quer representar a audiência, ter uma imagem mais próxima da realidade para que as pessoas se relacionem com aquilo. Essa é a grande mudança que as redes sociais trouxeram”, completa.

Visando entender como aconteceu essa evolução dos influenciadores, principalmente com a chegada das redes sociais, nosso time de roleta online montou um infográfico com a linha do tempo dessa história. Confira!

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As redes sociais de fato viraram o jogo

Não há como negar, a criação da “social media” trouxe um novo status: o influenciador digital. Apenas uma palavra a mais, mas que faz toda a diferença. Com a conexão das redes, qualquer um pode influenciar um grupo de pessoas, os seus seguidores. Basta se dedicar a criar um conteúdo relacionável e bem feito, que chame atenção da audiência e engaje - ou seja, receba muitas interações como curtidas, comentários e compartilhamentos. 

E isso vale para as redes sociais desde seus primórdios. “Na época do fotolog já havia comunidades sobre marcas. Na da Melissa, as melisseiras, como eram conhecidas, davam seus pitacos sobre os lançamentos e o que elas não gostavam encalhava nas lojas. Começamos a perceber essa movimentação e convidá-las para eventos, tratar como se fossem parte da imprensa”, relembra Christine. Foi assim que nasceu a campanha “Create Yourself”, em 2007, desenvolvida pela agência de publicidade BorghiErhLowe. A marca convidou suas brand lovers para co-criarem uma coleção completa. Entre as “influenciadoras” estava MariMoon, que depois se tornou até mesmo VJ na MTV. De lá para cá, tudo se profissionalizou e o ramo de influencers deve movimentar cerca de R$ 10 bilhões durante 2021, segundo projeções da empresa de mídia digital Adaction.

Mas o que torna a pessoa um influenciador digital? 

De acordo com a plataforma Influency.me, que mede e compara resultados de influenciadores, se trata de “um indivíduo que possui um público fiel e engajado em seus canais online e, em alguma medida, exerce capacidade de influência na tomada de decisão de compra de seus seguidores”. 

E, para engatar o sucesso, basta um conteúdo viral. A influencer Pequena Lo (4.1M de seguidores no TikTok), conhecida por seu humor leve e por ser um grande símbolo de representatividade, é a prova viva disso. Criando conteúdo desde 2015, ela viralizou em 2020 e, desde então, sua carreira foi um verdadeiro boom. “Eu me formei em psicologia e pensava em seguir na área. Mas depois que tudo começou a viralizar, ser influencer se tornou o meu trabalho oficial - e eu amo fazer”, conta.

E é assim que isso se torna uma profissão: ao atingir um engajamento bacana com sua base, o creator - como também são chamados - atrai marcas que estejam dispostas a pagar por um espaço na rede social. O diferencial está quando o próprio criador de conteúdo pode dar o seu toque na publicidade, fazendo-a de forma pessoal e passando longe dos moldes tradicionais de propaganda. 

Nesse jogo, muita coisa importa: a reputação do “influencer” com seu público, os seus resultados e, principalmente, o seu estilo de vida. Não adianta enganar os seus seguidores - aquelas pessoas que te seguem, às vezes por anos, já têm a sensação de que conhecem a sua personalidade e farejam de longe quando um posicionamento de marca vai na contramão do que o influenciador fala diariamente. 

Um caso pré-era digital que é um ótimo exemplo foi a associação da cantora Sandy ao lançamento da marca de cervejas Devassa em 2011. A cantora já havia falado abertamente na mídia sobre como ela não bebe cerveja e, assim que as propagandas surgiram, o público logo percebeu que não era um endosso verdadeiro da cantora. 

Porém, com o direcionamento certo, as vendas de uma empresa podem se tornar estratosféricas. Entre os influenciadores que mais vendem produtos e convertem bem, estão Felipe Neto, Whindersson Nunes e Carlinhos Maia. Além disso, metade dos brasileiros procura a opinião do seu “influencer” de confiança antes de efetuar uma compra importante. Estes são dados da Qualibest, confira alguns outros números no infográfico abaixo.

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E quanto vale um post?

O valor que cada creator ganha por post é um mistério - não existe um preço tabelado e dificilmente eles topam falar sobre lucros. Muitas variáveis entram no jogo: a comprovação de que aquele post vai retornar em vendas para o contratante, o número de seguidores e o quão conhecida a pessoa é. 

A ferramenta Hooper HQ, que analisa dados internos do Instagram e considera números publicados oficialmente, divulgou que, em 2020, a celebridade que mais faturou com os seus “publiposts” mundialmente foi o ator Dwayne Johnson. O The Rock recebeu US $1.015.000,00 por um post, algo em cerca de R $5.868.900,00. A segunda colocada foi Kylie Jenner, a irmã mais nova das Kardashians, recebendo US $986.000,00 em um post, que equivale a R$ 5.701.000,00. O primeiro brasileiro dessa lista não poderia ser outro: Neymar Jr recebeu US $704.000,00, que são R$ 4.070.000,00.

A rede social do momento

Novas redes sociais sempre pipocam pela internet, mas são poucas as que ganham aderência em massa mundialmente. O TikTok foi uma que, recentemente, se tornou “a rede social obrigatória” ao redor do mundo. 

Famosa entre pessoas da geração Z (nascidos após 1999), seu público ainda é bem jovem. Pequena Lo revela que, no aplicativo, sua audiência é muito mais nova se comparada aos seguidores no Instagram, por exemplo. Os vídeos de no máximo um minuto da rede ganharam força total no ano passado - em abril de 2020, o aplicativo atingiu a marca de 1 bilhão de downloads apenas no sistema android. 

Com uma interface intuitiva, os vídeos aparecem na tela do usuário de duas formas: tradicionalmente um feed com aquelas pessoas que você segue, assim como Instagram ou Facebook, ou no “For You”, uma página com curadoria de algoritmo que mostra conteúdos que você possa curtir. 

Apesar do sucesso inegável, Pequena Lo acredita que este ainda nem seja o ápice do app. “Ele ainda está crescendo muito e as pessoas que estão lá estão começando a serem reconhecidas agora. Há muitas atualizações também, então acredito que a tendência seja ficar ainda maior”. 

Confira o infográfico em que reunimos os números impressionantes do TikTok!

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Não há dúvidas: o TikTok é a rede social do momento. No entanto, Pequena Lo alerta que boa parte da profissão influenciador é estar pronto para se moldar às tendências: “A gente nunca sabe quando algo vai perder o sucesso assim, então temos que estar prontos para mudar e se adaptar ao novo”, finaliza.