O implacável processo de globalização, a abertura das economias nacionais, a integração dos mercados, os efeitos dos primeiros anos de Internet e o exponencial processo de automação das indústrias marcaram a década de 1980, as profissões e o exercício de futurologia - afinal, o novo milênio se aproximava e a velocidade com a qual as mudanças sociais e tecnológicas se desenrolavam eram sem precedentes.

Uma ideia contagiosa dizia que o mundo estava em declínio e a vida das gerações seguintes estava comprometida. “Bons” empregos estavam desaparecendo, pais de família caíam na pobreza e o crime acabaria em uma situação fora de controle. O mundo pós-Guerra Fria se fragmentava e a descoberta do buraco na camada de ozônio dava tons de apocalipse.

Mas também existia uma ideia igualmente contagiosa, porém radicalmente otimista: estávamos a beira de um boom econômico global em uma escala nunca antes vista, como muito bem detalhava uma publicação da Wired na época. Entrávamos em um período de crescimento sustentado, que poderia eventualmente dobrar a economia mundial a cada dúzia de anos e trazer prosperidade crescente para - literalmente - bilhões de pessoas no planeta. Um alinhamento sem precedentes de uma Ásia ascendente, de uma América revitalizada e de uma Europa maior ainda e reintegrada.

Eram as primeiras ondas de uma corrida de 25 anos que resolveria problemas aparentemente intratáveis.

Mas fato é - e décadas depois comprovado -, que historiadores e cientistas enxergariam aquele como um momento extraordinário; o período de 40 anos, de 1980 a 2020, como os anos-chave de uma transformação notável, com tecnologias que quebrariam paradigmas, democratizariam o acesso à informação e daria voz para qualquer um, em quaisquer lugares do mundo.

Essas duas megatendências - mudança tecnológica fundamental e um novo ethos de abertura - transformaram nosso mundo no início de uma civilização global, que floresceria principalmente na entrada do século seguinte.

Pense na época que seguiu à Segunda Guerra Mundial, o mesmo período de 40 anos, só que entre 1940 e 1980 predecessor ao nosso recorte. Primeiro, a economia dos EUA foi inundada com uma série de novas tecnologias que foram interrompidas pelo esforço de guerra: computadores de mainframe, energia atômica, foguetes, aeronaves comerciais, automóveis e a televisão. Foram criadas instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

A economia ocidental rugia nos anos 1950. Até 1973, houve um crescimento consistente de  4,9% do PIB médio. Nas costas dessa economia estrondosa e crescente prosperidade, vieram repercussões sociais, culturais e políticas. Não é por acaso que os anos de 1960 foram chamados de revolucionários.

Forças surpreendentemente semelhantes - se não ainda mais poderosas - começaram a se movimentar nas duas últimas décadas do século XX. O fim do estado militar de prontidão nos anos 80, como nos anos 40, desencadeou uma série de disrupções, tal qual a Internet. O fim da Guerra Fria também viu o triunfo de um conjunto de ideias há muito defendidas pelos Estados Unidos: as da economia de livre mercado e, em certa medida, a democracia liberal. Isso abriu caminho para a criação de uma economia verdadeiramente global, um mercado integrado.

Durante o impasse global da Guerra Fria, as pessoas se apegaram às visões ideológicas de uma forma pura de comunismo ou capitalismo. A partir de 1980, com um mundo cada vez mais conectado, historiadores e cientistas - pessimistas e otimistas - faziam um mapa desse período de 40 anos que se estenderiam ao novo milênio.

Fazer previsões sempre foi laboratorial, mas há um campo em que a previsão pode ser ainda mais difícil do que os prognósticos sobre as casas em que viveríamos ou os carros que usaríamos: o tipo de emprego que teremos. Pessoas estão sempre tentando descobrir para qual caminho a sociedade está indo e, com base nisso, determinar quais serão os trabalhos do futuro.

Mas olhe para a próxima década, nosso paralelo à de 1960. Começavam cinco grandes ondas de reinvenção tecnológica - computadores pessoais, telecomunicações, biotecnologia, nanotecnologia e energia alternativa - que conceitualmente começava a crescer vertiginosamente.

E esse tipo de previsão, embora tenha sua margem de acerto, parece sempre trazer as ideias mais malucas. Um artigo publicado no dia 5 de setembro de 1988, no jornal Press and Sun-Bulletin, de Nova York, falava com diversos especialistas sobre como os trabalhos do futuro seriam. A automação estava começando a colocar suas garras tanto em trabalhos intelectuais, quanto em trabalhos braçais, fazendo com que esses especialistas colocassem na balança todo o contexto de então para exercitar como seria o mundo em 2020.

Pensando em comparar as previsões da década de 80 com o que é realidade hoje em dia, aqui no cassino online da Betway montamos este infográfico onde fizemos um exercício para entender a era que vivemos, a margem de acerto dessas práticas de futurologia e traçamos ainda caminhos para os próximos anos. Confira!

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Quase todos os itens da lista existem hoje como um trabalho possível – talvez a única exceção seja astrônomo lunar. E não há muitos “gerentes de hotel no oceano”, pelo menos não da maneira como os futuristas da década de 1980 teriam imaginado. Em tese, deveríamos ter vastas cidades sob as ondas do oceano, ala Atlantis dos quadrinhos do Aquaman.

O “Autoburger” também está próximo da realidade atual. O McDonald’s tem alguns restaurantes superautomatizados, mas os humanos ainda estão trabalhando nesses lugares. O Caliburger, em Pasadena, na Califórnia, tem um robô chapeiro chamado “Flippy”. E a Creator, uma empresa que vende máquinas que fazem hambúrgueres, abriu um “restaurante robotizado” em 2018.

Marvin Cetron, um analista tecnológico, analisava o ano 2000 e previa uma semana de trabalho de 32 horas. Em alguns países isso já acontece. De acordo com dados mais recentes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na Holanda a média de trabalho é de 29,2 horas por semana. Na Dinamarca é de 32,4. Já no Brasil, esse tipo de jornada reduzida é algo bem distante da realidade. Por aqui, o padrão são 40 horas semanais.

Cetron também dizia que estudantes universitários do futuro estudariam engenharia genética e robótica, o que hoje é, de fato, uma tendência profissional. Em ambos os casos, especialistas afirmam o mercado é bastante promissor. 

Por fim, no topo da lista de previsões de Cetron para candidatos a emprego do futuro estão as profissões relacionadas a informática: “Certifique-se de ter conhecimentos de informática. Você não vai conseguir entrar no mercado de trabalho se não tiver isso. Vai ser uma necessidade tão básica quanto dirigir um carro”. Essa ele acertou na mosca.