Quem imagina, hoje em dia, tirar as dúvidas que nos vêm em mente folheando as páginas de grandes livros e enciclopédias? Impensável - agora recorremos imediatamente à internet, nossa estante de livros moderna, com resposta para tudo - ou, pelo menos, praticamente tudo. 

Na internet, ainda temos uma liberdade a mais: perguntar às ferramentas de busca o que não encontraríamos explicitamente nos livros e, também, não teríamos coragem de perguntar a outra pessoa, com vergonha de serem questões bobas ou até sem sentido. Além disso, convenhamos, seria bem difícil encontrar em uma enciclopédia a resposta para “histórias mal assombradas do espaço sideral”, busca realizada pelo menos 10 vezes por mês no último ano segundo nossa pesquisa feita na ferramenta de análise de dados SEMRush.

Neste artigo, mais do que analisar as milhares de respostas disponíveis na internet, a equipe de roleta online da Betway quis descobrir o que os brasileiros costumam perguntar quando falamos de Universo. Para isso, usamos de base as principais buscas mensais apontadas pelo SEMRush nos últimos 12 meses. 

E o tema é: Universo! Confira as principais buscas feitas na internet pelos brasileiros

Há um volume enorme de pesquisas em relação a o que é o Universo?, e curiosamente o pessoal de Roraima, no norte do Brasil, foi quem mais fez essa pergunta online (segundo análise feita na ferramenta Google Trends, também no período do último ano).  Existe também bastante curiosidade em torno do lugar mais frio do Universo, com 2910 buscas mensais. O físico teórico e professor titular da IF-USP, Elcio Abdalla, explica que no espaço “há locais com temperaturas baixíssimas, como, por exemplo, planetas distantes, onde a temperatura fica poucos graus acima do zero absoluto”.  Atualmente, o lugar mais frio do Universo mapeado pelos cientistas é a Nebulosa do Bumerangue (ou “Nebulosa da Gravata Borboleta”), uma nebulosa protoplanetária que atinge temperaturas de até -272 ºC. 

Com número similar de pesquisas (2900), há também quem busque saber o tamanho do Universo, mas essa resposta é difícil de afirmar com certeza. Segundo Elcio, “desde o início, a luz percorre o espaço por 13,7 bilhões de anos. Não se tem certeza se o Universo é aberto ou fechado, possivelmente seja infinito”. Veja abaixo o ranking das 10 pesquisas mais feitas pelos brasileiros na internet sobre o Universo: 

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O pico de buscas em relação àqual a maior estrela do Universo? foi no estado de São Paulo, no sudeste brasileiro, aponta o Google Trends. E, acreditem se quiser: a resposta para essa pergunta não é o Sol! “Estrelas podem ser muito grandes, quanto maior, menos tempo vivem. A maior estrela conhecida parece ser a UY Scuti, perto do centro da via Láctea, sendo 5 bilhões de vezes mais massiva que o Sol, e tendo um raio 1.700 vezes maior”, explica o físico Elcio Abdalla. 

Além dessas perguntas até que explicáveis pela ciência, algumas pesquisas são bastante curiosas. Há quem queira saber se o Universo é feito de água, mas, na verdade, esse poderia ser o planeta Terra, cuja superfície é coberta por 70% de água. O professor Abdalla conta que não é possível nomear todos os componentes do Universo: “entre o que se pode ver, a matéria clara, temos 75% de Hidrogênio, 24% de Hélio, e resquícios de outros átomos e neutrinos. Ou seja, somos ínfima minoria. Além disso, esta parte clara corresponde apenas a cerca de 5% do Universo, o resto sendo um verdadeiro breu”.

Seria muito difícil também encontrar em um livro de ciências a resposta para “a estrela mais bonita do Universo”, com 70 pesquisas mensais apontadas. É possível listar as mais brilhantes, sendo o Sol a mais brilhante de todas, seguida pelas estrelas Sirius e Canopus, resumindo em um top 3. Mas definir a mais bonita é bem difícil, afinal, beleza é algo bastante pessoal. 

E as perguntas curiosas não acabam por aí: pode parecer inusitado, mas há quem busque saber se a lua é de queijo - pelo menos 10 buscas mensais nos últimos 12 meses - ou se o sol é verde, mas essa pode ser apenas uma impressão dos olhos de quem vê, afirma o físico Abdalla: “estrelas emitem vários comprimentos de onda. Podemos dizer que ele é da cor que o vemos, para nossos olhos, mas há uma enorme gama de frequências sendo emitidas pelo Sol”.

Algumas pesquisas feitas na internet também são bastante incomuns, como “coisas do espaço sideral com a letra D”, com pelo menos 50 buscas. Uma resposta para essa busca seria Deimos, uma das duas luas de Marte. A outra se chama Fobos, e ambas foram descobertas em 1877 pelo astrônomo norte-americano Asaph Hall. Confira as outras perguntas curiosas sobre o Universo que as pessoas andam fazendo na internet: 

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Apesar de recorrer à internet e não sempre a grandes livros para tirar a maioria das nossas dúvidas sobre temas como o Universo, é nos estudos científicos que fundamentamos nossas respostas. Mas durante a pesquisa, vendo as principais dúvidas atuais das pessoas sobre o espaço sideral e assuntos correlatos, nos questionamos: quais eram os principais termos usados para explicar a origem do mundo antes da ciência?

O que se falava sobre o Universo antes da internet e da ciência

Muito diferente dos dias atuais, em que já estamos direcionados a compreender a existência de planetas, estrelas e sistemas solares, como ficou explícito nos infográficos anteriores, os povos antigos buscavam explicar a origem do mundo a partir do que chamamos de cosmogonias

“A cosmogonia está vinculada ao mito, às religiões, que geralmente são engessadas pelos dogmas, onde a questão sempre vai ser se você tem fé ou não, e acreditar no que está sendo dito é fundamental”, explica o filósofo e professor pós-graduado na Universidade de São Paulo, Alberto Siufi. “Já a cosmologia é a filosofia propriamente dita, onde através da razão, observação e senso crítico acabamos descrevendo nosso mundo, onde nos encaixamos nele e procuramos responder às questões que aparecem no caminho''.

É possível que você já tenha alguma familiaridade com a cosmogonia Grega. O historiador Erik de Lima Correia, mestrando em História pela Universidade Federal de São Paulo, aponta que segundo a tradição antiga, antes de tudo havia o Caos, o ponto de partida para a interpretação do Universo para o pensamento grego. “Do Caos nasceu a Terra, Gaia, a mãe natureza, o aspecto feminino da criação. Através de partenogênese, Gaia concebe Uranos, seu filho e marido, a quem ela irá se unir. Enquanto Gaia é a Terra, o firmamento abaixo, Uranos é o céu, o firmamento acima”, conta.

Você também já deve ter visto a relação entre os planetas do nosso sistema solar com os nomes de vários deuses antigos do panteão grego e romano, mas principalmente os equivalentes latinos dos deuses gregos. Esse é um feito moderno, e não dos povos antigos. “Temos Mercúrio, o primeiro planeta do sistema solar que é nome do deus do comércio e da velocidade no panteão romano. Seu equivalente grego é o deus Hermes. Vênus é nomeado a partir da deusa da beleza e do amor, sendo sua equivalente na cosmovisão grega a deusa Afrodite”, explica o historiador. “Júpiter e Saturno são nomeados, respectivamente, por conta do deus dos céus e de seu pai, o titã do tempo, que na cosmovisão grega equivalem a Zeus e a Cronos; Netuno é o equivalente a Poseidon, deus dos mares. O ex-planeta do sistema, Plutão, é o deus do mundo inferior, do desconhecido, sendo seu equivalente grego o deus Hades”, conclui.

O caos está presente em diversas cosmovisões, da nórdica à tupi-guarani. É um termo usado para referenciar o nada, o vazio. O “caos”, na teoria mais defendida pela ciência atualmente, do Big Bang, seria uma singularidade quente e muito densa do espaço que se expandiu e deu origem ao Universo - que continua em expansão há 14 milhões de anos. 

Outra descoberta curiosa da nossa pesquisa é que, apesar de serem histórias totalmente diferentes, as mitologias japonesa, egípcia e chinesa têm algo em comum na forma de explicar a origem do Universo: um ovo. As três lêem, em suas mitologias, que o surgimento do universo teria se dado a partir de algo com formato oval, como no mito chinês de Pan Ku: uma divindade que teria se desenvolvido dentro do Caos na forma de um enorme ovo, que representaria a unidade. Ele teria permanecido assim por 18 mil anos, até despertar e partir-se em dois, representando a dualidade e formando a terra (Yin) e o céu (Yang)¹

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Mesmo pertencentes a culturas distintas, é legal observar também que na maior parte das cosmogonias, incluindo para as mitologias, ou seja, as cosmogonias asteca, nórdica, africana, babilônica e inca, falava-se da criação do universo a partir da ação de deuses. O historiador Erik remonta a cosmovisão asteca: “tudo era o vazio”, afirma, como vimos no infográfico 3. “Em algum momento na cosmovisão Asteca, neste vazio, o deus dual Ometecuhtli/Omecihuatl criou a si mesmo. Ele era os dois lados semelhantes e opostos de tudo: masculino e feminino, era bom e mau, era a ordem e o caos.”, explica.

“Assim como o Caos na cosmovisão Grega antiga, Ometecuhtli deu a luz através de partenogênese a seus filhos, e ele/a teve quatro filhos, cada um representando uma direção: Xipe Totec era o norte, Huitzilopochtli era o sul; Quetzalcoatl era o Leste e Tezcatlipoca era o Oeste”, conta Erik. “A criação de todo o mundo dependeu destes quatro deuses antigos. No entanto, a criação ficou estagnada, pois tudo que eles criavam, acabava caindo no mar primordial e era comido por Cipactli. Os deuses guerrearam contra o monstro marinho e de seu corpo todo o universo foi criado”.

Mas hoje em dia, considerando o volume de pesquisas relacionados a termos ligados à ciência (infográfico 01 e 02), podemos ver que as cosmologias não são a forma mais procurada na internet de compreender o Universo, o céu, as estrelas e a origem do mundo. No ranking elaborado pela Betway, a cosmogonia grega é a mais buscada, com um volume de 390 buscas mensais apontado pelo SEMRush. 

Com queda de 82% em relação ao volume de pesquisas do primeiro lugar do ranking, a segunda cosmologia mais procurada é a egípcia, com 70 pesquisas, seguida pela asteca (50) e inca (30). As cosmogonias romana, nórdica e africana despertam um nível similar de curiosidade entre os brasileiros, com média de 20 pesquisas por mês no último ano.

Os últimos lugares são ocupados pelas cosmogonias japonesa, com 10 buscas, e mesopotâmica e chinesa, com volume baixo de pesquisas, apontado como 0 na ferramenta de análise. Seriam cosmovisões menos populares? Fica a reflexão: você já havia se questionado sobre o que esses povos pensavam sobre a origem do Universo antes desse artigo?

Depois dessa nossa imersão nas duvidas do ser humano sobre o Universo e suas origens, é evidente que independente dos meios que tenhamos para tal, a nossa espécie sempre vai tentar alcançar explicações para tudo. Para o filósofo e professor Alberto Siufi, “isso é exatamente o que nos diferencia do resto dos animais. E essa percepção do nosso ser, da nossa existência e da nossa finitude, naturalmente nos causa uma angústia e a busca por respostas a questões basilares como ‘de onde viemos’ ou ‘para onde vamos’ se torna ainda mais latente sem o alicerce do mito ou de religiões”.

Apesar de as mitologias terem sido extremamente importantes para amparar seus povos e a sociedade nas épocas em que foram criadas, o estudo da Betway aponta que a ciência conquistou mesmo o seu lugar: é nela que já baseamos não só as nossas respostas, mas também as nossas perguntas!

¹Revista Macau: Os Mitos da Criação na Cultura Chinesa
*Fontes: Nasa Jet Propulsion Laboratory, Space.com