A cada ano, milhões de pessoas apostam numa chave do torneio da NCAA. Em todos os anos, essas apostas sempre acabam sendo derrotadas.

Não importa se você é fanático por basquete universitário e passa meses pesquisando sobre possíveis campeões, sobre zebras e sabe tudo sobre contos de fadas, ou se é um fã comum, que escolhe os vencedores meio que ao acaso. O mais provável é que você nunca tenha chegado perto de acertar uma chave perfeita no March Madness.

Mas nas casas de apostas, para muitos, boa parte da diversão está justamente em tentar acertar a chave do torneio da NCAA.

Já imaginou você acertar o resultado de todos os 63 jogos do torneio? Até onde sabemos, ninguém jamais conseguiu e temos quase certeza de que ninguém jamais acertará.

A chance de acertar ao acaso todos os 63 jogos é absurda: uma em 9.223.372.036.854.775.808. Quer dizer: 9,2 quintilhões.

Deixe-me passar uma ideia do tamanho desse número. 9,2 quintilhões de segundos é o equivalente a 292 bilhões de anos.

Claro que ninguém monta a sua chave de forma inteiramente aleatória. E o fato de você conhecer um pouco sobre basquete universitário vai aumentar e muito a sua chance de acertar 63 de 63, é óbvio.

Pensando nisso, em 2020, a NCAA usou os dados do seu desafio de chaves para estimar que um jogador médio tem uma chance em 120,2 bilhões de acertar uma chave perfeita.

Comparado com a chance de um em 9,2 quintilhões, esse número pode parecer mais alcançável, mas na verdade ainda é um número de grandeza astronômica.

Talvez a melhor maneira de contextualizar uma chance em 120,2 bilhões seja compará-la a outras ocorrências extremamente raras, mas que são objetivamente muito mais prováveis de ocorrer do que o acerto de uma chave perfeita.

Considere, por exemplo, a chance de se tornar um jogador profissional de basquete.

Numa temporada qualquer, cerca de 540.000 jovens fazem basquete nas equipes masculinas no ensino médio nos Estados Unidos. Menos de um em 35 desses jovens vai jogar na liga universitária, e menos de um em cada 75 jogadores veteranos da NCAA é selecionado para a NBA.

Levando tudo isso em consideração, a chance de um garoto que joga basquete durante o ensino médio chegar à NBA é de cerca de uma em 3.300. Bem improvável, não é mesmo? Mas isso ainda é cerca de 36 milhões de vezes mais provável do que acertar uma chave perfeita.

Considere agora a probabilidade de receber um royal flush – a mão mais rara num jogo de pôquer de cinco cartas –, que é exatamente uma em 854.318. Ainda é 185.000 vezes mais provável de ocorrer do que uma chave perfeita.

A probabilidade de ser atingido por um raio é de uma em um milhão, 120.000 vezes mais provável do que acertar uma chave perfeita.

Ser atingido por um meteorito vindo do espaço parece quase ridiculamente improvável. Mas a chance é de um para 1,6 milhão, ou seja, é 75.000 vezes mais provável de acontecer com você do que você gabaritar a chave agora em março.

A probabilidade de ganhar o prêmio principal da loteria é de 1 em 33,3 milhões – 3.610 vezes mais provável do que acertar a chave perfeita. E a chance de nascerem quíntuplos é de uma a cada 55 milhões de nascimentos naturais, tornando esse resultado 2.185 vezes mais prováveis do que acertar 63 de 63 neste mês de março.

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Mesmo assim, a busca pela chave perfeita continua. Neste ano, muitos daqueles que buscam o Santo Graal do basquete universitário vão se inspirar em Gregg Nigl. No último torneio da NCAA, em 2019, foi quem chegou mais perto de acertar uma chave perfeita até hoje.

O Gregg ficou famoso por conseguir acertar 49 de 49 jogos no início do campeonato, prevendo corretamente todos os resultados até a fase eliminatória [Sweet Sixteen], quando a vitória do Purdue sobre o Tennessee interrompeu a sua sequência de acertos.

O desempenho do Gregg foi realmente incrível, considerando que a chance de acertar só a primeira rodada de jogos é de cerca de um em 17.000.

Mas, vejam, a chave perfeita ainda estava muito longe. A chance de ele acertar os próximos 15 últimos jogos da fase eliminatória ainda eram de cerca de um em 32.786.

Na verdade, o mais provável é que ninguém jamais vai acertar uma chave perfeita do torneio da NCAA. No mês de março deste ano, mais uma vez milhões de pessoas montarão suas chaves depois de se debruçar sobre as estatísticas e as previsões dos especialistas para cada jogo. Muitos deles perderão logo no primeiro dia.

Por outro lado, só precisa acertar uma vez. Quem sabe? Neste ano pode ser você.