{"id":88938,"date":"2022-04-11T16:14:12","date_gmt":"2022-04-11T15:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.betway.com\/futebol\/a-lei-da-saf-vantagens-sublinhadas-mas-muito-a-analisar\/"},"modified":"2023-12-15T10:37:53","modified_gmt":"2023-12-15T10:37:53","slug":"a-lei-da-saf-vantagens-sublinhadas-mas-muito-a-analisar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/futebol\/a-lei-da-saf-vantagens-sublinhadas-mas-muito-a-analisar\/","title":{"rendered":"A Lei da SAF: vantagens sublinhadas, mas muito a analisar"},"content":{"rendered":"","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":0,"featured_media":51998,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[507],"tags":[],"class_list":["post-88938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-futebol"],"acf":{"brief_description":"A possibilidade de transformar os clubes em \u201cSociedades An\u00f4nimas do Futebol\u201d foi recebida com estardalha\u00e7o, mas as facilidades da nova legisla\u00e7\u00e3o levantam outras quest\u00f5es","auto_update_sportal365":true,"main_image":51999,"authors":[86259],"properties":{"ads_enabled":true,"adult_content":false,"important":false,"live":false},"live_url":"","type_of_redirect":"permanent","body":[{"acf_fc_layout":"editor_block","content":"<p><?UMBRACO_MACRO macroAlias=\"FlashtalkingScript\" script=\"&lt;script language=&quot;Javascript1.1&quot; type=&quot;text\/javascript&quot;&gt;\n\nvar isMobile = window.matchMedia(&quot;only screen and (max-width: 900px)&quot;).matches;\nif (isMobile){ var fttagURL=&quot;https:\/\/servedby.flashtalking.com\/imp\/1\/175998;6452561;201;js;BlogBetway;DisplayBLOGSportsAllGEOSSOBFeb22320x50\/&quot; }else{ var fttagURL=&quot;https:\/\/servedby.flashtalking.com\/imp\/1\/175998;6345746;201;js;BlogBetway;DisplayBLOGSportsAllGEOSSOBFeb22\/&quot;}\n\nvar ftClick = &quot;&quot;;\nvar ftX = &quot;&quot;;\nvar ftY = &quot;&quot;;\nvar ftZ = &quot;&quot;;\nvar ftOBA = 1;\nvar ftContent = &quot;&quot;;\nvar ftCustom = &quot;&quot;;\nvar ft320x50_OOBclickTrack = &quot;&quot;;\nvar ftRandom = Math.random()*1000000;\nvar ftBuildTag1 = &quot;&lt;scr&quot;;\nvar ftBuildTag2 = &quot;&lt;\/&quot;;\nvar ftClick_6452561 = ftClick;\nvar ftClick_6345746 = ftClick;\n\nif(typeof(ft_referrer)==&quot;undefined&quot;){var ft_referrer=(function(){var r=&quot;&quot;;if(window==top){r=window.location.href;}else{try{r=window.parent.location.href;}catch(e){}r=(r)?r:document.referrer;}while(encodeURIComponent(r).length&gt;1000){r=r.substring(0,r.length-1);}return r;}());}\nvar ftDomain = (window==top)?&quot;&quot;:(function(){var d=document.referrer,h=(d)?d.match(&quot;(?::q\/q\/)+([qw-]+(q.[qw-]+)+)(q\/)?&quot;.replace(\/q\/g,decodeURIComponent(&quot;%&quot;+&quot;5C&quot;)))[1]:&quot;&quot;;return (h&amp;&amp;h!=location.host)?&quot;&amp;ft_ifb=1&amp;ft_domain=&quot;+encodeURIComponent(h):&quot;&quot;;}());\nvar ftCQs=&quot;&amp;gdpr=${GDPR}&amp;gdpr_consent=${GDPR_CONSENT_78}&amp;us_privacy=${US_PRIVACY}&quot;;\nvar ftTag = ftBuildTag1 + &#x27;ipt language=&quot;javascript1.1&quot; type=&quot;text\/javascript&quot; &#x27;;\nftTag += &#x27;src= &#x27;+ fttagURL + &#x27;?ftx=&#x27;+ftX+&#x27;&amp;fty=&#x27;+ftY+&#x27;&amp;ftadz=&#x27;+ftZ+&#x27;&amp;ftscw=&#x27;+ftContent+&#x27;&amp;ft_custom=&#x27;+ftCustom+&#x27;&amp;ftOBA=&#x27;+ftOBA+ftDomain+&#x27;&amp;ft_agentEnv=&#x27;+(window.mraid||window.ormma?&#x27;1&#x27;:&#x27;0&#x27;)+&#x27;&amp;ft_referrer=&#x27;+encodeURIComponent(ft_referrer)+ftCQs+&#x27;&amp;cachebuster=&#x27;+ftRandom+&#x27;&quot; id=&quot;ftscript_320x50&quot; name=&quot;ftscript_320x50&quot;&#x27;;\nftTag += &#x27;&gt;&#x27; + ftBuildTag2 + &#x27;script&gt;&#x27;;\ndocument.write(ftTag);\n&lt;\/script&gt;\" \/><\/p>\n<p>O Ano Novo at\u00e9 parecia ter chegado atrasado para o Botafogo. Em 13 de janeiro de 2022, cerca de 600 torcedores lotaram a sede social do clube e comemoraram bastante a not\u00edcia de que o conselho alvinegro aprovou a venda de 90% de sua propriedade ao empres\u00e1rio americano John Textor. Oficialmente, os botafoguenses viam concreta a transforma\u00e7\u00e3o do clube em Sociedade An\u00f4nima do Futebol, a t\u00e3o falada SAF. Parte consider\u00e1vel da torcida viu a mudan\u00e7a como a abertura de uma nova era de bonan\u00e7a ao seu time \u2014 ainda que existam mais perguntas que respostas neste primeiro momento.<\/p>\n<p>O sentimento vivido ao redor do Botafogo n\u00e3o \u00e9 \u00fanico no futebol brasileiro. Vasco e Cruzeiro tamb\u00e9m experimentaram rea\u00e7\u00f5es parecidas, enquanto outros times iniciaram seu processo de transforma\u00e7\u00e3o em SAF desde o final de 2021 \u2014 mesmo sem a presen\u00e7a confirmada de um investidor para adquirir a\u00e7\u00f5es. H\u00e1 aqueles que vislumbram uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, outros que almejam uma expans\u00e3o. N\u00e3o se nega que existe uma oportunidade.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da Lei N\u00b0 14.193, a chamada \u201cLei da SAF\u201d, garantiu um novo mecanismo jur\u00eddico para a opera\u00e7\u00e3o dos clubes de futebol no Brasil. Os times interessados j\u00e1 tinham caminhos abertos para se transformar em empresas no pa\u00eds, inclusive em sociedades an\u00f4nimas. Por\u00e9m, n\u00e3o com o regime tribut\u00e1rio especial \u2014 com as taxas de impostos mais pr\u00f3ximas \u00e0s das pr\u00f3prias associa\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m n\u00e3o com as aberturas garantidas na renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas. Tais benef\u00edcios carregam consigo obriga\u00e7\u00f5es, mas pesam bem mais na hora de atrair investidores que antes viam empecilhos maiores na hora de atuar no futebol. \u00c9 essa empolga\u00e7\u00e3o que circunda alguns clubes de massa at\u00e9 ent\u00e3o afundados.<\/p>\n<p>H\u00e1 motivos para se acreditar numa guinada. Os times ganham uma inje\u00e7\u00e3o financeira, recebem novas perspectivas para quitar seus d\u00e9bitos e precisar\u00e3o operar dentro de crit\u00e9rios que exigem mais transpar\u00eancia. Contudo, muitos dos caminhos ser\u00e3o descobertos com o tempo. A chegada de um novo dono n\u00e3o \u00e9 a garantia de que a gest\u00e3o ser\u00e1 bem feita e nem que as promessas ser\u00e3o cumpridas. Mais importante, o futebol n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia exata e, mesmo que as contas se acertem, isso n\u00e3o resultar\u00e1 necessariamente no sucesso esportivo. Todos os anos, s\u00f3 um vence o Brasileir\u00e3o, s\u00f3 um vence a Copa do Brasil. E a pr\u00f3pria Lei da SAF deixa abertura para que cada clube conduza seu processo interno, o que desde j\u00e1 causa entraves sobre direitos.<\/p>\n<p>\u201cO brasileiro precisa ficar de olho em dois pontos principais. O primeiro \u00e9 sobre que SAF est\u00e1 sendo criada, o que est\u00e1 sendo colocado nessa SAF. Depois, quem est\u00e1 comprando essa SAF, qual o perfil desse investidor, qual a \u00edndole desse investidor, qual a perspectiva dele com o clube. Estamos falando de clubes com caracter\u00edsticas muito distintas, expectativas da torcida muito distintas, e isso tamb\u00e9m vai pesar\u201d, afirma o jornalista e pesquisador Irlan Sim\u00f5es, organizador do livro \u2018Clube Empresa: abordagens cr\u00edticas globais \u00e0s sociedades an\u00f4nimas no futebol\u2019.<\/p>\n<p>J\u00e1 Luciano Motta, advogado especializado em direito desportivo e autor do livro \u2018O mito do clube empresa\u2019, sinaliza que mesmo as vantagens prometidas na Lei da SAF correm o risco de n\u00e3o serem cumpridas: \u201cPara al\u00e9m do aspecto filos\u00f3fico, ou seja, da discuss\u00e3o do qu\u00e3o eficaz uma mudan\u00e7a legal se traduz numa mudan\u00e7a de postura social, tem-se o fato da lei n\u00e3o ter sido muito bem elaborada nesse aspecto. Se adicionar-se a fragilidade que a sociedade brasileira tem em respeitar aspectos legais e todas as consequ\u00eancias desse fato, a situa\u00e7\u00e3o torna-se mais cr\u00edtica\u201d.<\/p>\n<h2>O contexto brasileiro<\/h2>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria do futebol brasileiro, os clubes do pa\u00eds operam como associa\u00e7\u00f5es civis. S\u00e3o entidades sem fins lucrativos, que contam com suas massas de associados para organizar o funcionamento como institui\u00e7\u00e3o e decidem os rumos tomados. Ser bem gerido ou mal gerido n\u00e3o \u00e9 algo inerente ao modelo. Existem clubes mais profissionais ou menos profissionais, mais democr\u00e1ticos ou menos democr\u00e1ticos, mais vi\u00e1veis ou menos vi\u00e1veis. E nem sempre isso andou de m\u00e3os dadas com t\u00edtulos, cabe dizer. Verdadeiras bagun\u00e7as j\u00e1 se consagraram com ta\u00e7as e bastidores serenos lidaram com o caos do rebaixamento.<\/p>\n<p>O que existe, dentro da associa\u00e7\u00e3o civil, \u00e9 um regime pol\u00edtico interno que tantas vezes atravanca pr\u00e1ticas de boa gest\u00e3o. Mas que n\u00e3o impede uma boa governan\u00e7a, mesmo sem um investidor para assumir as r\u00e9deas da condu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do mais, o jogo pol\u00edtico externo aos clubes tamb\u00e9m explica problemas que chegaram ao limite. D\u00edvidas acobertadas e falta de regulamenta\u00e7\u00e3o em diferentes n\u00edveis geraram uma bola de neve que levaram alguns clubes a crises praticamente incontorn\u00e1veis.<\/p>\n<p>Especialmente nos \u00faltimos 25 anos, o poder p\u00fablico no Brasil at\u00e9 atuou de maneira a possibilitar a quita\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e abrir caminhos a uma gest\u00e3o mais racional dos clubes de futebol. Em 1998, a Lei Pel\u00e9 chegou a estipular um prazo de dois anos para que as associa\u00e7\u00f5es civis se tornassem empresas, o que foi revogado depois de um grande imbr\u00f3glio jur\u00eddico. Clubes-empresa surgiram de norte a sul do pa\u00eds desde os anos 1990, mas sem as benesses e os est\u00edmulos existentes \u00e0s associa\u00e7\u00f5es civis. O poder p\u00fablico continuou oferecendo caminhos aos clubes associativos, como o Profut em 2015, que passou a incentivar a transpar\u00eancia e a responsabilidade fiscal atrav\u00e9s de um reparcelamento de d\u00edvidas por 20 anos, com redu\u00e7\u00e3o de juros e multas.<\/p>\n<p>O Profut n\u00e3o impediu que as d\u00edvidas de muitos clubes aumentassem nos \u00faltimos anos, seja pela inger\u00eancia ou por um contexto de crise maior que suas pr\u00f3prias realidades. Da mesma forma, seguia uma demanda pela abertura das associa\u00e7\u00f5es civis a investidores que desejassem atuar no futebol, mas dentro de um contexto espec\u00edfico que n\u00e3o tratasse os clubes com os encargos existentes a qualquer empresa. \u00c9 nesse momento que a Lei da SAF se insere, espelhando um cen\u00e1rio comum a clubes de futebol de diferentes cantos do globo.<\/p>\n<p>Clubes de futebol h\u00e1 d\u00e9cadas possuem donos em pa\u00edses como Inglaterra e It\u00e1lia. O processo de transforma\u00e7\u00e3o em sociedades an\u00f4nimas com regimes espec\u00edficos, por serem entidades esportivas, tamb\u00e9m rege a modalidade em Espanha e Portugal, mesmo na Am\u00e9rica do Sul no Chile. H\u00e1 mesmo pa\u00edses que n\u00e3o abandonam o modelo de associa\u00e7\u00e3o civil, concedendo aberturas a investidores, como a Alemanha. Restava ao Brasil criar suas pr\u00f3prias especificidades, o que ocorre com a Lei da SAF.<\/p>\n<p>Irlan Sim\u00f5es, ali\u00e1s, refor\u00e7a como a Lei da SAF no Brasil \u00e9 bastante distinta da legisla\u00e7\u00e3o que vigora em outros pa\u00edses: \u201c\u00c9 dif\u00edcil comparar porque cada pa\u00eds tem sua realidade. O caso do Brasil \u00e9 um processo que vem muito depois dos outros, que voc\u00ea pega clubes de grande hist\u00f3ria e vencedores com d\u00edvidas impag\u00e1veis, mas voc\u00ea n\u00e3o tem obrigatoriedade. Ent\u00e3o, o que ocorre \u00e9 que voc\u00ea tem um processo facultativo, uma lei que veio para criar uma verdadeira mamata para quem quer comprar clube, porque cria circunst\u00e2ncias que nenhum outro pa\u00eds criou. Mas, de todo modo, voc\u00ea n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o. Os clubes podem escolher o formato que quiserem, o modelo que quiserem, para quem v\u00e3o vender, para quantas pessoas, como vai dividir esse capital\u201d.<\/p>\n<p>Nossa equipe de <a rel=\"noopener noreferrer\" href=\"https:\/\/betway.com\/pt\/sports\" target=\"_blank\">esporte bet<\/a> montou uma s\u00e9rie de infogr\u00e1ficos sobre a SAF. Neste abaixo, confira a situa\u00e7\u00e3o dos clubes brasileiros neste momento.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" id=\"__mcenew\" src=\"\/media\/27408\/campanha-saf_info-01_v2.png\" alt=\"\" data-udi=\"umb:\/\/media\/083785def9aa48eda967796fe1d29c74\"><\/strong><\/p>\n<h2>Vantagens e desvantagens na mesa<\/h2>\n<p>Conforme a Lei da SAF, os clubes brasileiros que passarem pela transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisar\u00e3o deixar de ser associa\u00e7\u00f5es civis. A mudan\u00e7a at\u00e9 pode acontecer de maneira total, mas, por enquanto, o mais comum \u00e9 ver associa\u00e7\u00e3o e sociedade an\u00f4nima coexistindo. O antigo sistema associativo ainda \u00e9 o detentor das d\u00edvidas. Entretanto, os ativos passam \u00e0 SAF, que ganha mais liberdade de gest\u00e3o. Precisa atender crit\u00e9rios de transpar\u00eancia e passa por uma fiscaliza\u00e7\u00e3o maior, com riscos de fal\u00eancia, mas com uma tributa\u00e7\u00e3o vantajosa.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a Lei da SAF se torna atraente a tantos investidores: a \u201criqueza\u201d de cada clube fica em suas m\u00e3os, assim como o poder decis\u00f3rio sobre os pr\u00f3ximos passos. A associa\u00e7\u00e3o civil ainda possui certos direitos sobre a propriedade intelectual do clube, mas seu papel se torna reduzido. Quem poder\u00e1 explorar a marca de um clube s\u00e3o os investidores. H\u00e1 um gasto significativo estipulado e a assinatura de compromissos. Em compensa\u00e7\u00e3o, o poder se torna intransfer\u00edvel e o investimento por parte dos novos donos n\u00e3o precisar\u00e1 ser cont\u00ednuo, al\u00e9m do montante designado no acordo inicial.<\/p>\n<p>De uma maneira geral, as responsabilidades dos investidores da SAF n\u00e3o s\u00e3o exatamente onerosas. Na renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas, eles dever\u00e3o repassar 20% das receitas e 50% dos dividendos para a quita\u00e7\u00e3o. Tal taxa \u00e9 recompensada com uma centraliza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos, que auxilia o pagamento ao englobar diferentes credores, em um per\u00edodo de 10 anos que estende esse pagamento. As responsabilidades sociais tamb\u00e9m n\u00e3o atravancam tanto assim o processo, com o cumprimento de medidas educativas e um foco maior nas categorias de forma\u00e7\u00e3o, inclusive a feminina, em iniciativas que representam fra\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao dinheiro que \u00e9 movimentado dentro do futebol de elite no Brasil.<\/p>\n<p>O que foi pensado para atrair investidores, todavia, n\u00e3o contempla totalmente cen\u00e1rios desfavor\u00e1veis aos clubes. A depender do percentual da SAF negociado com os novos donos, a limita\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o civil dentro da sociedade ser\u00e1 grande. Existem at\u00e9 mecanismos para que a associa\u00e7\u00e3o impe\u00e7a decis\u00f5es como a mudan\u00e7a de s\u00edmbolos ou mesmo que permita a reorganiza\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. Contudo, o texto da lei n\u00e3o \u00e9 muito claro em pontos como o futuro das licen\u00e7as esportivas em caso de fal\u00eancia ou ent\u00e3o quest\u00f5es sobre os patrim\u00f4nios f\u00edsicos. Caber\u00e1 aos pr\u00f3prios clubes, em seus acordos, observarem bem quais os seus passos e quais cl\u00e1usulas foram acertadas.<\/p>\n<p>Sobre as brechas na legisla\u00e7\u00e3o, Luciano Motta est\u00e1 entre aqueles que reivindicam mudan\u00e7as desde o in\u00edcio das discuss\u00f5es: \u201cAntes das ades\u00f5es a lei j\u00e1 apresentava v\u00e1rias falhas, exaustivamente expostas e compartilhadas por especialistas. Desde situa\u00e7\u00f5es mais simples, como a necessidade de um capital social m\u00ednimo e de sua manuten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es controversas envolvendo movimenta\u00e7\u00e3o patrimonial sem nenhum tipo de controle. As disputas legais, eventuais casos de fal\u00eancia (t\u00e3o comuns no meio empresarial) simplesmente ir\u00e3o expor as debilidades, muitas vezes camufladas, ignoradas ou mesmo ocultadas\u201d.<\/p>\n<p>Para Motta, a maneira como a discuss\u00e3o foi acelerada \u00e9 causa desse entrave: \u201cDe forma geral, a lei partiu da premissa da urg\u00eancia urgent\u00edssima. Sob essa bandeira pulou etapas que seriam de grande valia para, qui\u00e7\u00e1, elaborarmos uma lei interessante (ou mais interessante)\u201d.<\/p>\n<h2>O que olhar l\u00e1 fora<\/h2>\n<p>A Lei da SAF oferece suas particularidades ao Brasil. Mesmo que outros pa\u00edses possuam suas regulamenta\u00e7\u00f5es distintas e seus pr\u00f3prios contextos, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel notar acertos e erros que tendem a se repetir nos clubes brasileiros. H\u00e1 exemplos para muitas equipes daqui seguirem, mas tamb\u00e9m riscos aos quais os torcedores precisam estar mais atentos.<\/p>\n<p>A Alemanha, por exemplo, preserva um modelo no qual o poder decis\u00f3rio se mant\u00e9m entre os associados do clube \u2014 com a famosa regra do 50+1. At\u00e9 existem exce\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, mas as associa\u00e7\u00f5es civis alem\u00e3s continuam com mais de 50% das a\u00e7\u00f5es e evitam que investidores tomem rumos indesejados. H\u00e1 tamb\u00e9m contrapartidas, como uma pr\u00f3pria barreira no limite de investimento de cada clube. Mesmo assim, isso n\u00e3o impede a ascens\u00e3o de clubes bem geridos no contexto local.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso dizer que um clube com bons resultados n\u00e3o precisa ter um magnata por tr\u00e1s. A Atalanta \u00e9 um exemplo claro de crescimento sustent\u00e1vel no futebol italiano, com aposta nas categorias de base e boas a\u00e7\u00f5es no mercado de transfer\u00eancias. N\u00e3o \u00e0 toa, a fam\u00edlia Percassi vendeu 55% de suas a\u00e7\u00f5es do clube por \u20ac500 milh\u00f5es. Aproveitaram a valoriza\u00e7\u00e3o ocorrida durante os \u00faltimos anos, com boas campanhas na Serie A e participa\u00e7\u00f5es na Champions League.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, um neg\u00f3cio favor\u00e1vel ao investidor no futebol n\u00e3o necessariamente depender\u00e1 de ganhos esportivos. Basta ver o caso do Newcastle, que contou com gastos m\u00ednimos de seu antigo propriet\u00e1rio, Mike Ashley. Os Magpies se acostumaram a fazer campanhas na parte inferior da tabela e n\u00e3o traziam grandes contrata\u00e7\u00f5es, mas o empres\u00e1rio n\u00e3o indicava mudan\u00e7as na sua opera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se mostrava disposto a novos investimentos. Os torcedores estavam de m\u00e3os atadas e mesmo a controversa chegada do fundo p\u00fablico da Ar\u00e1bia Saudita foi bem recebida na cidade. Ashley embolsou \u00a3300 milh\u00f5es ao vender 80% das a\u00e7\u00f5es, um baita neg\u00f3cio considerando sua in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes n\u00e3o se tem uma compreens\u00e3o concreta de que as perspectivas e os interesses do propriet\u00e1rio nem sempre batem com a expectativa do clube, de buscar um t\u00edtulo, buscar um patamar esportivo mais alto. E o risco da pr\u00f3pria atividade econ\u00f4mica desregulada, que \u00e9 o futebol. Poucas atividades econ\u00f4micas conseguem ser t\u00e3o insanas como o futebol, em que voc\u00ea tem que buscar os resultados esportivos mesmo que eles comprometam os resultados financeiros. O que a gente v\u00ea no futebol dos tempos atuais \u00e9 basicamente isso: os grandes vencedores n\u00e3o s\u00e3o clubes que d\u00e3o retorno financeiro. Os clubes que d\u00e3o retorno financeiro de fato s\u00e3o os clubes mais med\u00edocres que voc\u00ea tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o nas ligas do mundo inteiro. Ent\u00e3o essa rela\u00e7\u00e3o entre dinheiro e vit\u00f3rias n\u00e3o necessariamente est\u00e3o casadas\u201d, afirma Irlan Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda casos mais extremos, como o do Belenenses, em Portugal. O grupo Codecity, do empres\u00e1rio Rui Pedro Soares, adquiriu 51% das a\u00e7\u00f5es e passou a centralizar as decis\u00f5es, sem di\u00e1logo com a associa\u00e7\u00e3o civil. N\u00e3o fazia investimentos, n\u00e3o ajudava com os custos do est\u00e1dio, n\u00e3o usava a base. Ainda se envolveu em casos de corrup\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o. A cl\u00e1usula de recompra por parte dos associados foi derrubada pela justi\u00e7a e, assim, ningu\u00e9m poderia tirar o Codecity do poder. Em 2018, o clube se rompeu em dois: o chamado B-SAD, como sociedade an\u00f4nima, manteve o time profissional na primeira divis\u00e3o; a associa\u00e7\u00e3o Belenenses formou uma nova equipe com jogadores da base na sexta divis\u00e3o, ao menos preservando o patrim\u00f4nio \u2014 o est\u00e1dio e o centro de treinamentos, bem como escudo e demais elementos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Irlan Sim\u00f5es salienta como a perspectiva de imobilidade \u00e9 pouco abordada no Brasil: \u201cSe o dono atravessar uma terceira ou quarta temporada com resultados med\u00edocres, voc\u00ea n\u00e3o tem a menor capacidade de esperar que ele saia. Voc\u00ea vai tentar pedir para ele mudar o corpo de profissionais da SAF, mas voc\u00ea n\u00e3o pode fazer nada, simplesmente n\u00e3o existe possibilidade nenhuma de alterar o estado das coisas por um processo de renova\u00e7\u00e3o que acontece, por exemplo, nas associa\u00e7\u00f5es, onde voc\u00ea tem uma m\u00e1 gest\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 reeleita ou ent\u00e3o n\u00e3o tem continuidade porque os profissionais s\u00e3o ruins, as ideias s\u00e3o ruins, as pr\u00e1ticas s\u00e3o ruins. A SAF vai ficar \u00e0 merc\u00ea do interesse do propriet\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo clubes bem geridos n\u00e3o est\u00e3o isentos de outros imbr\u00f3glios dentro do modelo de sociedade. O Sevilla \u00e9 uma agremia\u00e7\u00e3o exemplar, pelos resultados esportivos alavancados durante as duas \u00faltimas d\u00e9cadas e tamb\u00e9m pela gest\u00e3o financeira que faz seu caixa girar. Por\u00e9m, em seus bastidores, prevalece uma disputa pol\u00edtica entre seus acionistas \u2014 com os ativos divididos entre antigas fam\u00edlias que compunham massas de associados. Mesmo a chegada da 777 Partners, que se tornou dona do Vasco, criou uma cis\u00e3o na disputa pelo poder. O grupo americano se aliou ao antigo presidente na tentativa de aumentar sua participa\u00e7\u00e3o, rompendo assim com os atuais mandat\u00e1rios.<\/p>\n<p>Outro ponto para se ter em mente \u00e9 que os clubes que realmente entram no jogo por t\u00edtulos maiores n\u00e3o s\u00e3o aqueles que possuem propriet\u00e1rios que desejam ganhos financeiros, mas sim os que est\u00e3o mais interessados na influ\u00eancia pol\u00edtica que o futebol traz consigo. Exemplos como o Chelsea, Manchester City e Paris Saint-Germain existem, mas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. Fazer um clube ser vitorioso e rent\u00e1vel \u00e9 algo ainda mais raro. \u201cExistem clubes bem geridos, mas a realidade \u00e9 sempre essa: voc\u00ea est\u00e1 competindo num ambiente de desigualdade financeira muito grande e os vencedores s\u00e3o os que gastam mais do que podem, porque seus propriet\u00e1rios realmente n\u00e3o t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o nenhuma com o retorno financeiro daquela atividade\u201d, assinala Irlan Sim\u00f5es.<\/p>\n<h2>O que j\u00e1 se nota aqui dentro<\/h2>\n<p>Por conta das vantagens oferecidas pela Lei da SAF, um primeiro perfil identific\u00e1vel de clubes iniciou suas transforma\u00e7\u00f5es: times com grandes torcidas e hist\u00f3rias de peso, mas com d\u00edvidas imensas e passagens recentes pela segunda divis\u00e3o. Naturalmente, eram grandes oportunidades, considerando que as equipes em baixa poderiam se valorizar muito mais quando estivessem em alta. Por isso, investidores logo surgiram. Botafogo, Cruzeiro e Vasco foram os primeiros que embarcaram na nova possibilidade jur\u00eddica.<\/p>\n<p>No entanto, cada clube possui a sua especificidade. O Vasco negociou 70% de sua SAF e conseguiu uma promessa de investimento maior por isso, na casa dos R$700 milh\u00f5es, al\u00e9m do pagamento de suas d\u00edvidas. Botafogo e Cruzeiro cederam 90% por R$400 milh\u00f5es mais a quita\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas e, com esse percentual, possuem margens menores de manobra diante de uma poss\u00edvel mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o. Prova disso \u00e9 o que acontece com os cruzeirenses, com um imbr\u00f3glio envolvendo a administra\u00e7\u00e3o da Toca da Raposa I e II, o que gerou uma disputa interna e d\u00favidas sobre a pr\u00f3pria continuidade de Ronaldo como investidor celeste.<\/p>\n<p>Se de um lado a urg\u00eancia gerada pelas d\u00edvidas acelerou os processos nos tr\u00eas clubes, por outro h\u00e1 aqueles que preferem passos mais contidos. Alguns clubes j\u00e1 conduziram as discuss\u00f5es internas de transforma\u00e7\u00e3o em SAF, como Coritiba e Chapecoense. N\u00e3o quer dizer que, neste primeiro momento, fecharam com investidores. Clube de S\u00e9rie A, o Cuiab\u00e1 mudou seu estatuto como clube empresa para SAF na inten\u00e7\u00e3o de aproveitar melhor os benef\u00edcios da nova legisla\u00e7\u00e3o. E ainda h\u00e1 uma s\u00e9rie de equipes de menor proje\u00e7\u00e3o que esperam que os investidores alavanquem suas possibilidades. \u00c9 o caso do Athletic Club, de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rey, que disputa a primeira divis\u00e3o mineira e vendeu 49% de suas a\u00e7\u00f5es a um grupo de empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para Luciano Motta, duas quest\u00f5es elementares devem ser analisadas no momento em que um clube avalia a ades\u00e3o \u00e0 Lei da SAF: \u201cTer claro qual \u00e9 o ponto de partida. Isto \u00e9, de forma transparente, detalhada e assertiva, saber qual \u00e9 a real situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira que o clube est\u00e1 vivendo. Em segundo lugar, verificar qual o objetivo e quais os caminhos est\u00e3o dispon\u00edveis para a minha realidade espec\u00edfica\u201d.<\/p>\n<p>Motta tamb\u00e9m enfatiza como a falta de um processo bem estruturado pode ser danosa: \u201cO problema n\u00e3o est\u00e1 em ser inovador e\/ou c\u00e9lere. O grave problema \u00e9, sem nenhuma an\u00e1lise cr\u00edtica, se aventurar sem conhecimento de causa, que, infelizmente, \u00e9 majorado por um \u2018frenesi midi\u00e1tico\u2019. Pesa, ainda, uma pr\u00e1xis atabalhoada, a pular etapas; sem mensurar os riscos, sem an\u00e1lise, sem estudo. N\u00e3o adianta surfar em uma onda sem saber nadar. A chance de cair e morrer afogado \u00e9 enorme\u201d.<\/p>\n<p>Por mais que a Lei da SAF traga incentivos, os clubes brasileiros n\u00e3o deveriam perder de vista que a gest\u00e3o equilibrada e a transpar\u00eancia s\u00e3o diretrizes constantes, sem depender de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Deveria ser o norte da governan\u00e7a, tanto em associa\u00e7\u00f5es civis quanto em sociedades an\u00f4nimas. E n\u00e3o \u00e9 o fato de que o investidor injete dinheiro que o impedir\u00e1 de gerar novas d\u00edvidas e causar outros problemas. A boa administra\u00e7\u00e3o depende das pessoas que a fazem, e n\u00e3o necessariamente da lei que a orienta.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o que ocorreu na pr\u00f3pria Espanha, onde a cria\u00e7\u00e3o de sua lei das sociedades an\u00f4nimas desportivas surgiu em um momento de grandes d\u00edvidas p\u00fablicas dos clubes. A inten\u00e7\u00e3o com o novo movimento era gerar mais dinheiro ao redor do futebol e, assim, sanar os d\u00e9bitos. Nem todas as agremia\u00e7\u00f5es fizeram isso e a pr\u00f3pria postura complacente das autoridades com os problemas dos times causou novos endividamentos massivos. Algumas equipes tradicionais precisaram se reconstruir a partir das divis\u00f5es de acesso, mesmo que sem declarar fal\u00eancia. Casos como os de Deportivo de La Coru\u00f1a e Racing de Santander se inserem nesse contexto. Considerando as rela\u00e7\u00f5es de poder no Brasil, n\u00e3o d\u00e1 para afastar essa hip\u00f3tese.<\/p>\n<h2>Quanto se paga<\/h2>\n<p>Outra quest\u00e3o central neste primeiro momento da Lei da SAF s\u00e3o os valores envolvidos nos neg\u00f3cios. Os novos investidores realizam uma promessa inicial de aporte financeiro, que pode ser dividida ao longo dos anos, e t\u00eam o dever de quitar d\u00edvidas astron\u00f4micas que chegam \u00e0 casa do bilh\u00e3o. Apesar disso, h\u00e1 quem veja os montantes envolvidos como baixos para o que realmente valem os clubes brasileiros. \u00c9 o que criticou M\u00e1rio Celso Petraglia, presidente do Athletico Paranaense, outro clube que alinha sua transforma\u00e7\u00e3o como SAF para os pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>\u201cO que estamos vendo atualmente s\u00e3o os clubes se entregando a investidores por pre\u00e7os absurdamente baixos. \u00c9 o pre\u00e7o de um jogador\u201d, afirmou Petraglia, em entrevista ao site UmDois Esportes, concedida em fevereiro. O cartola athleticano leva em considera\u00e7\u00e3o a promessa de investimento, n\u00e3o a d\u00edvida assumida. Jogadores vendidos por \u20ac100 milh\u00f5es, cifra esta j\u00e1 batida 12 vezes, valem mais que o investimento prometido em Botafogo ou Cruzeiro. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real como moeda acaba amplificando essas diferen\u00e7as e tornando o futebol brasileiro at\u00e9 mais atrativo a investidores estrangeiros.<\/p>\n<p>Por enquanto, essas primeiras negocia\u00e7\u00f5es acabam regidas mais pelo problema a se assumir do que por aquilo que o clube pode render. O repasse dos ativos foi bem mais pautado pelas d\u00edvidas exorbitantes. Por\u00e9m, os tr\u00eas clubes citados possuem um valor de mercado consider\u00e1vel, dado o tamanho de suas torcidas em territ\u00f3rio nacional e tamb\u00e9m o reconhecimento internacional de suas marcas. E \u00e9 dessa capacidade que os investimentos pr\u00e9-determinados v\u00e3o se beneficiar, j\u00e1 que s\u00e3o a chance de impulsionar a parte esportiva e, assim, valorizar mais os ativos. Desembolsar R$400 milh\u00f5es pode at\u00e9 parecer um valor acess\u00edvel, pelas cifras envolvidas no esporte \u2014 ainda mais quando parte desse dinheiro, ap\u00f3s um primeiro momento, pode ser revertido dos pr\u00f3prios lucros do investidor com o clube.<\/p>\n<p>E, que se leve em considera\u00e7\u00e3o a diferen\u00e7a dos mercados ou mesmo o peso das moedas, os clubes brasileiros aparecem atr\u00e1s de outras equipes europeias negociadas nos \u00faltimos anos. John Textor pagou por 18% do Crystal Palace pouco mais da metade do valor total da d\u00edvida do Botafogo. J\u00e1 a 777 Partners adquiriu o Genoa por um valor superior que os d\u00e9bitos acumulados pelo Vasco. Que ambos os clubes estejam em ligas com receitas muito maiores que o Brasileir\u00e3o, o potencial local de ambos tamb\u00e9m \u00e9 inferior ao de botafoguenses ou vasca\u00ednos em tamanho de torcida e representatividade nacional.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ter em vista que, embora a Lei da SAF se volte inicialmente \u00e0s d\u00edvidas, a proje\u00e7\u00e3o de investimento \u00e9 que realmente deveria impulsionar sua expans\u00e3o no Brasil. Por isso mesmo, a tend\u00eancia \u00e9 que as pr\u00f3ximas vendas no pa\u00eds n\u00e3o aconte\u00e7am em processos t\u00e3o acelerados. Os clubes poder\u00e3o avaliar melhor suas possibilidades no mercado e a atratividade. Tamb\u00e9m dever\u00e3o buscar mais de um investidor, vendendo parcelas menores de suas SAF. N\u00e3o h\u00e1 a necessidade de abra\u00e7ar o primeiro \u201csalvador da p\u00e1tria\u201d que surgir e, com isso, j\u00e1 comprometer 90% de seus ativos.<\/p>\n<p>Irlan Sim\u00f5es alerta, ali\u00e1s, a falta de cogita\u00e7\u00e3o sobre modelos mais abertos: \u201cEu acho muito curioso que no Brasil n\u00e3o tenha acontecido isso ainda: os clubes terem conseguido conceber que mais de um grupo pode participar da sociedade do clube de futebol. Eu acho at\u00e9 seguro que voc\u00ea tenha interesses diferentes, perspectivas diferentes. Voc\u00ea pode ter um desses grupos que vai querer sair do neg\u00f3cio, outro pode adquirir essa participa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Se as d\u00edvidas tornam alguns movimentos mais urgentes do que outros, alguns clubes poder\u00e3o pensar em sua transforma\u00e7\u00e3o em SAF como neste sentido de abrir leques. Considerando receitas altas e balan\u00e7os superavit\u00e1rios, a chance de conseguir investidores com maior capacidade de investimento \u00e9 consider\u00e1vel \u2014 ainda que isso traga tamb\u00e9m o \u00f4nus de dividir os lucros, em vez de reinvesti-los apenas no departamento de futebol, como o modelo associativo permite.<\/p>\n<p>\u201cTem clubes que est\u00e3o organizados, com suas contas equilibradas, n\u00e3o t\u00eam muitas d\u00edvidas e enxergam a SAF como uma possibilidade de dar um salto, sair da prateleira de baixo para a de cima. E isso pode acontecer? Pode. Eu acho que existem muitos fatores que impedem nesse caso, como no caso de voc\u00ea ter um mercado consumidor e um p\u00fablico torcedor, mas uma SAF pode permitir isso\u201d, adiciona Irlan Sim\u00f5es. \u201cSe a gente estiver falando dos clubes que est\u00e3o muito endividados, a SAF \u00e9 uma sa\u00edda quase inevit\u00e1vel. Deve ser vista como um meio, n\u00e3o um fim. Podem criar SAF\u2019s ao mesmo tempo em que profissionalizam a associa\u00e7\u00e3o. Isso tamb\u00e9m poderia estar nessa discuss\u00e3o, mas n\u00e3o, os clubes brasileiros j\u00e1 est\u00e3o sendo vendidos em baixa, nossa moeda \u00e9 horrorosa, est\u00e1 desvalorizada. A\u00ed aparece qualquer americano com 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares e pra gente \u00e9 uma fortuna inestim\u00e1vel. Isso se torna algo quase irrecus\u00e1vel, quando, na verdade, todo neg\u00f3cio \u00e9 recus\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Confira o infogr\u00e1fico em que comparamos a venda dos clubes europeus x os clubes nacionais.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" id=\"__mcenew\" src=\"\/media\/27406\/campanha-saf_info-03_v2.png\" alt=\"\" data-udi=\"umb:\/\/media\/788684526a0c49db968690fc390f4d04\"><\/strong><\/p>\n<h2>Quem paga<\/h2>\n<p>Os tr\u00eas principais investidores que desembarcaram no Brasil t\u00eam liga\u00e7\u00f5es anteriores com o futebol. Ronaldo dispensa apresenta\u00e7\u00f5es por sua carreira como jogador e, como dirigente, realizou seu principal investimento no Valladolid, a partir de 2018. John Textor chegou ao Crystal Palace em 2021 e negociou com o Benfica, adquirindo ainda o Molenbeek, da B\u00e9lgica, depois do Botafogo. A 777 Partners primeiro comprou cerca de 10% do Sevilla em 2018, at\u00e9 abocanhar 99,9% do Genoa em 2021. Ainda assim, esses antecedentes significam pouco aos clubes brasileiros que assumem.<\/p>\n<p>Primeiro, porque essas experi\u00eancias iniciais ou s\u00e3o muito curtas ou n\u00e3o possuem sucessos expressivos. Mesmo naquelas que se desenvolvem h\u00e1 mais tempo, o Valladolid acabou rebaixado com Ronaldo e a 777 Partners tem m\u00ednima influ\u00eancia no sucesso que j\u00e1 ocorria com o Sevilla. Sequer d\u00e1 para tra\u00e7ar os objetivos desses investidores: se querem absorver lucros futuros, se querem alavancar suas imagens atrav\u00e9s do futebol, se desejam que um sucesso no Brasil permita a compra de times em outros pa\u00edses. As respostas vir\u00e3o com o tempo, e as tr\u00eas torcidas sentir\u00e3o na pele se algum deles n\u00e3o for o benfeitor imaginado por muita gente.<\/p>\n<p>\u00c9 dessa maneira que a Lei da SAF tamb\u00e9m exp\u00f5e o futebol brasileiro: se uma \u201ccarta de inten\u00e7\u00f5es\u201d teria pouco efeito pr\u00e1tico, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o oferece prote\u00e7\u00e3o suficiente em rela\u00e7\u00e3o aos poss\u00edveis compradores. Eles podem ser meros aventureiros que n\u00e3o saber\u00e3o dirigir um neg\u00f3cio t\u00e3o espec\u00edfico como o futebol, que n\u00e3o depende s\u00f3 de acertos para dar certo em campo. Mas, pior, eles podem n\u00e3o ter o dinheiro prometido e gerar entraves ainda mais graves. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Milan, salvo por um fundo de investimentos que dava garantias ao calote do chin\u00eas Li Yonghong.<\/p>\n<p>Enquanto as cifras s\u00e3o colocadas adiante dos nomes, contudo, o avan\u00e7o na an\u00e1lise \u00e9 pequeno. Como afirma Irlan Sim\u00f5es: \u201cEu acho que o grande lance ideol\u00f3gico dessa parada \u00e9 isso: como o dinheiro encanta. O dinheiro impacta o debate. O debate \u00e9 interditado quando voc\u00ea fala de 700 milh\u00f5es. Como, pra onde, quando 700 milh\u00f5es? E depois de 10 anos, que dinheiro vai ser, como vai ser? Basicamente o que motiva isso \u00e9 a cren\u00e7a que os novos propriet\u00e1rios ser\u00e3o bons gestores. Mas eles podem n\u00e3o ser, o fato \u00e9 esse. O futebol \u00e9 uma ci\u00eancia muito espec\u00edfica, o cara ser bom na gest\u00e3o de uma empresa de efeitos especiais de Hollywood \u00e9 uma coisa, gerir um clube de futebol \u00e9 um neg\u00f3cio totalmente distante\u201d.<\/p>\n<p>Uma das falhas da Lei da SAF que precisa ser aperfei\u00e7oada \u00e9 a aus\u00eancia de uma avalia\u00e7\u00e3o inicial sobre os investidores. N\u00e3o h\u00e1 uma barreira para analisar a fonte do dinheiro prometido e a viabilidade das vendas. O futebol pode n\u00e3o ser o neg\u00f3cio mais rent\u00e1vel ou que possui menos riscos embutidos. Por outro lado, a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o e as brechas existentes alimentam um hist\u00f3rico de contraven\u00e7\u00f5es distribu\u00eddo por in\u00fameros pa\u00edses \u2014 inclusive o pr\u00f3prio Brasil.<\/p>\n<p>Se a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o oferece um resguardo t\u00e3o grande nesse sentido, caber\u00e1 aos pr\u00f3prios clubes estabelecerem seus mecanismos. E a torcida pode ter um papel importante nesse processo. Depender\u00e1 da maneira como tal investidor ser\u00e1 recebido. O futebol brasileiro pode atrair gente querendo impulsionar o esporte no pa\u00eds para fazer dinheiro, mas isso n\u00e3o impede oportunistas de tamb\u00e9m surgirem para tratar times hist\u00f3ricos como meros brinquedos \u2014 dos quais podem se cansar rapidamente.<\/p>\n<h2>O que a Lei da SAF n\u00e3o faz<\/h2>\n<p>Entre as cautelas que a Lei da SAF demanda, uma fundamental \u00e9 o seu impacto dentro do futebol brasileiro. No melhor dos cen\u00e1rios, a nova legisla\u00e7\u00e3o pode ajudar clubes a resolverem suas d\u00edvidas e tamb\u00e9m trazer uma nova onda de investimentos. No entanto, h\u00e1 muito a se fazer dentro das estruturas do futebol, at\u00e9 para permitir que esses ganhos se maximizem.<\/p>\n<p>O verdadeiro impulso do futebol brasileiro depende de mudan\u00e7as estruturais. A ado\u00e7\u00e3o de um calend\u00e1rio mais l\u00f3gico e menos contraproducente \u00e9 um passo fundamental. Tamb\u00e9m a unifica\u00e7\u00e3o na venda dos direitos de transmiss\u00e3o para fora do pa\u00eds e novas maneiras de aumentar a visibilidade do Brasileir\u00e3o. N\u00e3o menos importante \u00e9 a racionaliza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, em vez das trocas pol\u00edticas que tantas vezes imperam nos bastidores. Um ambiente mais saud\u00e1vel e profissional reverbera na pr\u00f3pria profissionaliza\u00e7\u00e3o dos clubes.<\/p>\n<p>Assim, o cumprimento de um Fair Play Financeiro n\u00e3o deveria estar atrelado apenas \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o em SAF. Um cen\u00e1rio mais seguro aos investidores \u00e9 o que realmente poderia tornar o mercado brasileiro mais atrativo, tamb\u00e9m a patrocinadores e outras formas de parceria que n\u00e3o se limitem apenas \u00e0 venda dos ativos dos clubes. A valoriza\u00e7\u00e3o precisa partir da pr\u00f3pria gest\u00e3o do esporte no pa\u00eds, n\u00e3o de quem chega de fora, embora esses possam aumentar a press\u00e3o para que outras mudan\u00e7as necess\u00e1rias ocorram.<\/p>\n<p>O ponto \u00e9: enquanto uma liga no pa\u00eds parece estar no forno para lidar com pelo menos parte dos problemas, os clubes precisam saber gerir suas possibilidades. N\u00e3o d\u00e1 para tratar a transforma\u00e7\u00e3o em SAF como uma antecipa\u00e7\u00e3o de receitas ap\u00f3s um momento de crise, como tantas vezes j\u00e1 aconteceu com os direitos de transmiss\u00e3o. At\u00e9 por isso, num momento em que for poss\u00edvel gerar mais receitas, os clubes poder\u00e3o fechar neg\u00f3cios mais vantajosos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil, pela l\u00f3gica imediatista que a gente tem no futebol, explicar que pegar muito dinheiro agora e daqui a cinco anos n\u00e3o ter mais esse dinheiro sobrando \u00e9 uma quest\u00e3o at\u00e9 de cautela, de pensar a longo prazo, de perspectiva. O torcedor \u00e9 imediatista, ele quer o dinheiro entrando. Ele acha que qualquer dono de clube \u00e9 um mecenas, um sugar daddy, mas n\u00e3o \u00e9. Esses valores encantam muito. Voc\u00ea pode explicar que o clube pode se organizar a partir da cria\u00e7\u00e3o de um estatuto mais aberto, mais transparente, uma organiza\u00e7\u00e3o mais profissionalizada, com \u00f3rg\u00e3os que se fiscalizam, que se controlam, mas n\u00e3o passa muito pela cabe\u00e7a do torcedor que isso \u00e9 poss\u00edvel\u201d, orienta Irlan Sim\u00f5es.<\/p>\n<h2>No que ficar de olho<\/h2>\n<p>Passada a empolga\u00e7\u00e3o inicial, a discuss\u00e3o sobre a SAF no Brasil deveria ser mais t\u00e9cnica e menos passional. A imprensa e os pr\u00f3prios clubes deveriam enfatizar essa abordagem, como uma necessidade de prote\u00e7\u00e3o. A fiscaliza\u00e7\u00e3o, afinal, n\u00e3o parte apenas da justi\u00e7a e de \u00f3rg\u00e3os controladores. O futebol tem nos torcedores um poder moderador potente e eles precisam estar cientes dos cen\u00e1rios poss\u00edveis para a\u00e7\u00f5es mais efetivas.<\/p>\n<p>\u201cO torcedor fazer o oba oba pelo dono eu acho que \u00e9 enfraquecer a posi\u00e7\u00e3o do clube, fazer o dono se tornar maior que o clube. E isso \u00e9 ruim. Em algum momento isso vai ser muito ruim para muitos casos de clubes, porque a tend\u00eancia \u00e9 que esses pretensos investidores (porque n\u00e3o sabemos se eles v\u00e3o investir) cheguem com maior for\u00e7a de negocia\u00e7\u00e3o que qualquer clube. Esse \u00e9 o perigo\u201d, conclui Irlan Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>Ter a possibilidade de negar propostas, algo t\u00e3o b\u00e1sico, tamb\u00e9m deveria ser mais contemplado. Como complementa Sim\u00f5es: \u201cQualquer neg\u00f3cio pode ser negado por algo melhor, desde que voc\u00ea tenha capacidade e condi\u00e7\u00f5es de fazer sua posi\u00e7\u00e3o na negocia\u00e7\u00e3o ser melhor que a de ontem. E a verdade \u00e9 que os clubes n\u00e3o quiseram negociar, n\u00e3o quiseram se organizar para chegar na mesa de negocia\u00e7\u00e3o da melhor forma poss\u00edvel, eles s\u00f3 fizeram a negocia\u00e7\u00e3o a toque de caixa. Isso passa pela discuss\u00e3o do que o torcedor deve fazer nesse processo\u201d.<\/p>\n<p>Indo al\u00e9m do que estar\u00e1 na mesa, o futebol brasileiro tem seus meandros e seus contextos conhecidos. Que a Lei da SAF seja uma novidade, as d\u00e9cadas de politicagem e inger\u00eancia no esporte deveriam deixar todos mais atentos. E esse tipo de problema antigo n\u00e3o se exclui com uma nova legisla\u00e7\u00e3o, especialmente quando ela possui suas brechas.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias de clubes-empresa no Brasil anteriores \u00e0 SAF, ali\u00e1s, poderiam ser mais esclarecedoras. \u00c9 o que pontua Luciano Motta, salientando como cada clube deveria se preparar \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o: \u201cA mudan\u00e7a tem que ser interna corporis, independentemente do r\u00f3tulo externo que se d\u00ea. A vincula\u00e7\u00e3o a um futuro investidor n\u00e3o pode ser meramente econ\u00f4mica; h\u00e1 que se analisar v\u00e1rios aspectos, pois metaforicamente \u00e9 como se fosse um casamento. Por fim, j\u00e1 prever ao m\u00e1ximo as condi\u00e7\u00f5es e termos de div\u00f3rcio\u201d.<\/p>\n<p>Voc\u00ea ainda tem d\u00favidas sobre a SAF. \u00c9 normal que tenha. Por isso, montamos o FAQ da SAF: vantagens e desvantagens do modelo adotado no Brasil. Veja abaixo.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" id=\"__mcenew\" src=\"\/media\/27407\/campanha-saf_info-02.png\" alt=\"\" data-udi=\"umb:\/\/media\/f72a063140484888965abb84b8efe0bf\"><\/strong><\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos meses ser\u00e3o decisivos ao futebol brasileiro, seja pela introdu\u00e7\u00e3o de muitos clubes ao novo universo, seja por outras mudan\u00e7as geradas pelas demandas dos neg\u00f3cios no esporte. H\u00e1 uma necessidade ineg\u00e1vel de profissionaliza\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 poderia ser alavancada anteriormente de outras formas, clube a clube. Agora, com os novos mecanismos jur\u00eddicos, o futebol brasileiro n\u00e3o pode se deslumbrar achando que tudo melhorar\u00e1 de uma hora para outra. Velhos entraves continuar\u00e3o aparecendo e, sem um trato verdadeiramente racional, necessitar\u00e3o de outra \u201clei salvadora\u201d num futuro n\u00e3o t\u00e3o distante.<\/p>\n"}],"property_type":["","run_ads","","","",""]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88938"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88938\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88939,"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88938\/revisions\/88939"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.betway.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}