O US Open já era inusitado antes mesmo de começar, já que Roger Federer e Rafael Nadal optaram por não participar do torneio por conta do momento que vive o planeta. Mas a competição ficou ainda mais diferente pela forma como o atual número um entre os homens, Novak Djokovic, foi eliminado e abriu caminho para que o título ficasse com outro jogador que não ele, o grande favorito.

Na decisão do simples masculino, entre o austríaco Dominic Thiem e o alemão Alexander Zverev, uma virada inédita no Grand Slam de Nova York. Thiem saiu perdendo por dois sets a zero, virou para 3 a 2 e se tornou o primeiro jogador da Era Aberta a realizar esse feito em uma final na competição norte-americana. Foi o seu primeiro título de Grand Slam, algo bastante comemorado pelo austríaco.

“Eu alcancei um objetivo de vida, um sonho meu que tive por muitos e muitos anos. Dediquei basicamente toda a minha vida até este ponto para ganhar um Grand Slam. Agora consegui. Isso também para mim é uma grande conquista”, disse o tenista, assim que levantou o requisitado troféu de Nova York.

Ali, ele demonstrou uma das boas lições que a competição deixa para o tênis neste ano. Ele foi perseverante, confiou até o final mesmo perto de perder o título e demonstrou preparo, físico e mental: se não tinha nenhum dos três grandes nomes pelo caminho, confirmou que era o mais preparado a levantar a taça.

Mas essa não foi a única lição do US Open. Abaixo, veja alguns aprendizados que o torneio deixa para a temporada 2020, a todo vapor ainda em setembro. Neste momento, acontece o Masters 1000 de Roma e, a partir do dia 27, o Roland Garros se torna a grande atração da modalidade.

Em novembro, o Masters 1000 de Paris (com início marcado para o dia 2) e o ATP Finals, a partir do dia 15, colocam os principais tenistas do mundo em confronto.

Errar é humano - e é preciso seguir

Novak Djokovic teve uma eliminação traumática no US Open. Depois de perder o primeiro set para o espanhol Pablo Carreño nas oitavas de final, o sérvio acertou a bolinha no rosto de uma juíza de linha de forma acidental. O choque, que resultou na eliminação do atual número 1 e grande favorito para vencer o torneio em Nova York, já parece página virada. Ou então precisa ser, já que o calendário segue. Djoko aceitou a punição tomada e disse que quer seguir em frente.

“As regras são claras. Eu aceitei isso e segui em frente. Foi isso que eu fiz. Eu não posso prometer ou garantir que nunca vai acontecer nada similar na minha vida. Eu vou tentar o meu melhor, claro, mas tudo é possível nessa vida”, afirmou o sérvio depois da realização do torneio.

Ainda que tenha sido desclassificado, esta foi a primeira derrota de Djoko na atual temporada de tênis. Antes da disputa nos Estados Unidos, ele havia ganhado a ATP Cup, o Australian Open, o ATP de Doha e o Masters 1000 de Cincinnati. Agora, mesmo se não quisesse, precisa passar por cima do trauma para buscar o título em Roma.

Thiem não desistiu e realizou sonho

Dominic Thiem surgiu para o tênis aos 22 anos, quando derrotou Rafael Nadal no ATP 250 de Buenos Aires. O resultado à época deu moral, ele atingiu a semifinal de Roland Garros e passou a figurar no top 10 da ATP. Dali ele não saiu mais: sempre esteve entre os principais nomes da modalidade.

Agora campeão de um Grand Slam, o austríaco trabalhou bastante para realizar seu grande sonho da vida. Lapidado pelo técnico Gunter Bresnik, que o obrigou a atividades para lá de diferentes – tais como jogar hóquei no gelo e cortar madeira -- para evoluir mentalmente, Thiem alcançou o maior sucesso no tênis depois de mudar para uma carreira sozinho. Após 16 anos de relação com o ex-técnico, ele cortou a parceria em 2019, preferiu seguir por conta própria e conseguiu êxito em Nova York.

Seja com Bresnik ou dominante de si, o austríaco demonstra como a persistência, simbolizada pela virada histórica na decisão vencida em cima de Zverev, pode resultar em títulos. Termina como exemplo para outros nomes que buscam o primeiro Grand Slam da carreira e geralmente esbarram em atletas mais acostumados com as decisões.

Osaka e a luta contra o racismo

Naomi Osaka venceu Victoria Azarenka por 2 sets a 1 e ficou com o título do US Open entre as mulheres. A conquista da japonesa pode servir como uma vitória à bandeira por igualdade levantada nos últimos tempos nos Estados Unidos. A atleta, que a cada partida que avançava na competição aparecia com uma máscara diferente para homenagear uma vítima do racismo e da violência policial nos EUA, ensina como é possível ter responsabilidade social no meio do esporte e cumprir com um papel ainda maior do que o em quadra.

Depois de aparecer com máscaras com os nomes de Breonna Taylor, Elijah McClain, Ahmaud Arbery, Trayvson Martin, George Floyd, Philando Castile e Tamir Rice, ela foi questionada sobre que mensagem queria passar ao público pelo gesto. A resposta demonstra a maturidade da filha de mãe japonesa e pai haitiano, que conquistou o mundo em Nova York e seguirá entre as principais tenistas na temporada. “Qual é a mensagem que você recebeu seria a pergunta. Sinto que o importante é fazer as pessoas começarem a falar”.

Djoko vacilou e tivemos um novo campeão. Mas a temporada não acaba por aí e muitos embates ainda acontecerão. Use seu conhecimento e faça suas apostas em tênis!