Gustavo Kuerten é disparado o maior nome do tênis brasileiro entre os homens. Três vezes campeão de Roland Garros e ex-número 1 do mundo, Guga levou o Brasil ao topo da modalidade no fim da década de 1990 e início dos anos 2000. Atrapalhado por lesões, o catarinense, que brilhava no saibro, teve uma carreira mais curta do que se esperava.

Os amantes do esporte no país até hoje lamentam os problemas físicos de Guga e o fato de que o sucesso do ex-jogador não foi devidamente aproveitado para que o Brasil desenvolvesse uma cultura no tênis e novos talentos a nível mundial.

Além dos três grand slams, Gustavo Kuerten encheu a prateleira com torneios de menor expressão: um deles é o Torneio da Costa do Sauípe, conquistado há 20 anos e que marcou o primeiro troféu do atleta no Brasil.

O título seria especial simplesmente por representar a primeira taça ‘em casa’. Mas Gustavo Kuerten tinha ainda mais motivos para celebrar a vitória: foi também o primeiro triunfo depois de uma artroscopia no quadril direito, conquistado no mês de seu aniversário (setembro) e que colocou fim a um jejum de 57 semanas sem um troféu.

A seguir, relembre como foi a conquista do primeiro título de Guga no Brasil, que completa 20 anos em 2022.

Guga ganhou 1º troféu no Brasil em 2002, após lesão grave

Gustavo Kuerten teve uma carreira brilhante para um tenista de um país que não tem tradição no esporte, nem dá assistência para quem tem talento para rebater bolinhas com a raquete. O auge, claro, foi vencer três vezes o Grand Slam francês e assumir o posto de número 1 do mundo.

Mas Guga, como teve diversos problemas com lesões ao longo da carreira, também soube valorizar as ‘pequenas’ conquistas. Como, por exemplo, voltar a jogar em 2002 depois de artroscopia no quadril direito, justamente no ATP Tour brasileiro.

Gustavo Loio, jornalista especializado em tênis, ressaltou uma vez em seu blog, no jornal O Globo, que a fama de Guga foi fundamental para que o país sediasse um ATP Tour. O carisma e a simpatia fora das quadras atraíam muitos patrocinadores. Atualmente, o torneio não faz parte do calendário anual.

Em setembro de 2002, então, Kuerten estava afastado das quadras e acumulava 57 semanas sem vencer um torneio. Ele conseguiu recuperar a forma física a tempo do evento na Costa do Sauípe e chegou à decisão.

O confronto contra o argentino Guillermo Coria, porém, não foi fácil. Guga precisou salvar match points do adversário no piso duro e conseguiu vencer em três sets: final 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (4), 7/5 e 7/6 (2). O título levou o público presente no evento da Bahia à loucura.

“Após cumprimentar o adversário e o juiz, Guga voltou ao meio da quadra para saudar a torcida. Ainda em quadra, em entrevista para a TV, o tenista disse que iria rezar para agradecer, deixou os repórteres e se sentou cobrindo a cabeça com a toalha”, escreveu a Folha de S.Paulo à época.

“Após receber o troféu, Kuerten deu autógrafos em bonés, bolas e camisas ao som da música ‘A Festa’, de Ivete Sangalo, que ficou marcada na campanha do penta do futebol brasileiro no Japão”, completou o jornal, que acompanhou o triunfo in loco.

Ao público, quando recebeu o microfone da organização, Guga deu um depoimento breve, mas impactante. “Às vezes, não sabia, não tinha a certeza de que voltaria a ganhar um título”, afirmou o tenista, ainda em quadra.

Costa do Sauípe voltou a ter Guga campeão em 2004

Se o primeiro título de Guga no Brasil aconteceu na quadra dura, em 2004 o catarinense teve mais facilidade: a partir de 2003 o ATP Tour brasileiro passou a ser disputado no saibro, especialidade do maior tenista do país.

No bicampeonato na Costa do Sauípe, Guga coincidentemente enfrentou outro argentino. Agustin Calleri foi a vítima na decisão, que teve de ser interrompida por conta da chuva. Ela começou na noite do sábado e só foi finalizada na manhã do domingo.

Kuerten também precisou virar, ganhando por 2 sets a 1, parciais de 3/6, 6/2 e 6/3. A torcida pegou tanto no pé do rival de Guga que o brasileiro, gentilmente, pediu desculpas ao argentino assim que o confronto terminou. Ninguém poderia cravar, mas aquele acabou sendo o último título da carreira do ‘Manezinho da Ilha’, como Guga ficou conhecido.

Guga, portanto, teve uma relação bem próxima com o evento na Costa do Sauípe: seu primeiro título no Brasil (2002), após uma grave lesão no quadril, e a última conquista como profissional (2004).

O tenista, aliás, foi o grande embaixador do torneio, não participando apenas de uma edição entre 2001 e 2008. Bem em 2005, ano em que Guga não foi à Bahia, o espanhol Rafael Nadal (à época, apenas o 40º do mundo) ficou com o troféu.

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