A ex-número 1 do mundo, Maria Sharapova, deve retornar às quadras depois de mais de três meses com uma lesão. O Aberto de Mallorca será o palco, conforme anunciado pela tenista.

A russa de 32 anos e cinco vezes campeã de Grand Slams, se afastou em fevereiro, depois de agravar uma lesão no ombro que a incomodava desde 2008 e que já a havia feito ficar de repouso algumas vezes.

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"Depois de mais de uma semana de testes em Mallorca, Maria Sharapova decidiu aceitar o convite para o qualificatório oferecido pelo Mallorca Open", disse a organização do torneio.

Sharapova vem se recuperando da melhor forma desde a suspenção por doping que lhe custou 15 meses e que terminou em 2017.

Sua última aparição na quadra aconteceu no Aberto de São Petersburgo, em sua terra natal, em janeiro, onde caiu cedo. Antes disso, ela também foi derrotada no Aberto da Austrália nas oitavas-de-final e em Shenzhen nas quartas-de-final.

A competição no evento de grama do WTA em Mallorca começa em 17 de junho e Sharapova será acompanhada pela atual campeã de Wimbledon, Angelique Kerber, bem como pela ex-número um do mundo, Victoria Azarenka.

Mas o que este retorno significa, tanto para a tenista russa, quanto para o Aberto de Mallorca e para o tênis feminino como um todo?

A carreira de Sharapova é gloriosa. Desde o início, analistas a comparavam com a compatriota Anna Kournikova, tanto pelos atributos físicos, quanto pela nacionalidade que compartilham. Mas a diferença técnica sempre foi visível. Apesar da antecessora ter alcançado conquistas importantes, principalmente jogando em duplas, foi Sharapova quem subiu o nível do tênis na Rússia, conseguindo 5 títulos de Grand Slam até hoje, jogando na categoria simples.

Sharapova teve uma ascensão meteórica no ranking do WTA, sendo tratada como um fenômeno do tênis. Se profissionalizando em 2003, logo ela estava nas principais finais do esporte, vencendo seu primeiro Grand Slam em Wimbledon, ainda em 2004, contra todas as apostas, com uma sonora vitória sobre Serena Williams na final.

Rivalidades com grandes tenistas do circuito começaram a se formar, inclusive com algumas delas abordadas na autobiografia da russa, na qual ela comenta sua relação com a principal tenista americana da história: “Serena me odeia desde que a derrotei na final de Wimbledon em 2004. Ela estava tentando voltar a ser número um do mundo e eu a venci quando tinha apenas 17 anos. Quando acabamos o jogo, ela me disse na rede "bem jogado", mas eu sabia que já me odiava. Deveríamos ser amigas, mas não é assim. Espero que algum dia sejamos, já que tenho por ela um respeito imenso".

Porém, a carreira da célebre tenista começou a sofrer um declínio de performance a partir de 2009. Ela ainda venceu mais duas vezes o Grand Slam de Roland Garros, mas a queda de rendimento já fazia o mundo se perguntar se a tenista estava entrando em sua fase final de carreira.

Então, em 2016, Maria sofreu sua pior derrota em seus anos de profissional. Aos 29 anos, a atleta foi suspensa após um exame antidoping atestar a presença de substâncias proibidas em seu organismo. Apesar de apelar a decisão, a suspensão foi mantida, sendo apenas reduzida posteriormente, de 2 anos para 15 meses, permitindo que ela voltasse a jogar ainda em 2017. A esta altura, ninguém poderia apostar com segurança em um retorno da tenista aos principais campeonatos do circuito.

A volta dela foi muita criticada por personalidades do esporte, que se mostraram contrárias à decisão de permitir que ela voltasse a competir pela principal organização do tênis feminino tão cedo. Porém, Sharapova conseguiu retornar a um bom nível de jogo ainda naquela temporada.

Em seu primeiro torneio após o fim da suspensão, uma semifinal em Stuttgart mostrou que o talento ainda estava lá, mesmo depois de mais de um ano sem pisar nas quadras. A derrota para a francesa Kristina Mladenovic por 2 sets 1 foi o suficiente para que o nome de Maria Sharapova voltasse a ser especulado nas primeiras posições do ranking.

O que veio a seguir, no entanto, acabou com a empolgação dos torcedores mais fervorosos da ex-número 1 do mundo. Derrotas precoces em Madrid, Roma e Stanford foram um balde de água fria na confiança dela. Isso acabou resultando em uma eliminação nas oitavas-de-final do US Open e no Aberto da China em Pequim.

Porém, o ano de 2017 ainda reservava algo para ela. No campeonato seguinte, ainda na China, ela conseguiu voltar ao lugar mais alto do pódio. Ainda que seja um torneio de menor expressão, Tianjin serviu para ela recuperar o gostinho de segurar uma taça nova nas mãos e a confiança em seu próprio jogo. Este foi o último título dela até aqui.

Para Sharapova, então, o torneio de Mallorca pode significar duas coisas. Primeiramente, o retorno de uma tenista já veterana, que superou uma lesão séria no ombro de sua mão mais forte, recebendo a oportunidade de mostrar que ainda tem gasolina no tanque e vale até mais do que as odds que as bolsas de apostas colocarão nela. Em segundo lugar, é a chance dela se preparar para Wimbledon, que é onde brilhou pela primeira vez, e sonha em ratificar seu retorno à elite do tênis mundial.

Já para o torneio da cidade espanhola, a presença de uma Sharapova motivada faz maravilhas para o nível técnico e financeiro do campeonato. Com 3 tenistas que já lideraram o ranking do WTA nas chaves do torneio, a qualidade das partidas com certeza será algo para se acompanhar de perto.

Para o tênis feminino, ainda teremos de ver se a volta de Sharapova trará bons frutos. A fase da discórdia já passou, mas ela ainda precisa mostrar que a qualidade, motivação e parte física estão em sintonia, para que ela não desapareça das principais competições precocemente, como aconteceu com Anna Kournikova. Ainda é cedo para fazer uma aposta em qualquer uma das situações, mas os próximos dois torneios darão uma boa medida do que esperar.

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