O tênis brasileiro vive uma fase complicada. Após a decepção na Copa Davis no ano passado e mais um ano sem grande impacto para os tenistas brasileiros mais bem colocados no ranking, o ano de 2020 acabou parando logo no início por conta da pandemia de Covid-19 e agora tudo é ainda mais incerto.

Mas é impossível não perceber a ausência de alguém para dar sequência ao legado de Guga, Fininho e Maria Esther Bueno, os principais tenistas brasileiros da história.

Durante anos, a expectativa sobre Flavio Saretta, André Sá e, mais recentemente, Thomaz Belucci, mas nem eles conseguiram elevar suas carreiras a um nível de elite. Belucci ainda está em atividade, aos 32 anos e ocupa a 306ª posição no ranking da ATP. Ele ainda é o tenista brasileiro em atividade mais bem-sucedido historicamente, mas não podemos dizer que ele atendeu às expectativas criadas em um país que viu Guga e Fininho deixarem as quadras em entre 2003 e 2008. Já são 12 anos sem um tenista brasileiro sendo destaque em Grand Slams no simples.

Mas vamos olhar para frente. Um dos nomes que demonstra potencial é o de Thiago Monteiro. Natural de Fortaleza, Monteiro é o brasileiro com melhor posição no ranking da ATP, ocupando atualmente a 82ª colocação. Seu retrospecto é negativo, mas não é por uma diferença tão grande. Com 41 vitórias e 60 derrotas na carreira, o tenista canhoto de 25 anos teve sua melhor colocação no ranking a 74ª posição em 2017. Este ano, até a parada do circuito da ATP, ele tinha 6 vitórias e 8 derrotas.

No entanto, ele não é o único nome de futuro no tênis brasileiro. Outro Thiago, de apenas 20 anos, é a maior esperança no tênis brasileiro masculino. Atualmente na 114ª posição do ranking da ATP, ele atravessa seu melhor momento. Ele se profissionalizou em 2018 e acumulou 7 vitórias e 6 derrotas até então. Mas mesmo com poucos jogos, ele já mostrou que tem um futuro brilhante na categoria.

Thiago Seyboth Wild está na história do tênis brasileiro. No início de março, o paranaense então com 19 anos se tornou o mais jovem jogador do país a vencer um torneio da elite mundial ao ganhar o ATP 250 de Santiago, no Chile. Na decisão, ele passou com autoridade pelo norueguês Casper Ruud, 38º colocado do ranking mundial, por 2 sets a 1, com parciais de 7/5, 4/6 e 6/3.

O recorde pertencia a Gustavo Kuerten, o Guga, que tinha 20 anos quando conquistou o primeiro de seus três títulos de Roland Garros, em junho de 1997. Além disso, Thiago é o primeiro jogador nascido no ano 2000 a vencer um evento do circuito da ATP.

A conquista do paranaense é a primeira de um brasileiro em um torneio da ATP desde 2015, quando Thomaz Bellucci foi campeão em Genebra, na Suíça. Ele colocou seu nome neste domingo na lista de jogadores do Brasil que conquistaram pelo menos um título do circuito mundial. Além de Guga e Bellucci, a lista é composta por Thomas Koch, Carlos Alberto Kirmayr, Luiz Mattar, Jaime Oncins, Fernando Meligeni e Ricardo Mello.

No tênis feminino, nossa maior esperança está na raquete de Bia Haddad. A tenista de 23 anos é uma promessa do tênis brasileiro, ocupando a 286ª posição no ranking do WTA. Sua melhor posição no ranking foi a 58ª posição, alcançada em setembro de 2017. Ela vinha em um bom momento antes da suspensão da temporada, vencendo a sérvia Olga Danilovic, número 170 do ranking. Sua próxima partida, caso a temporada seja retomada normalmente, será contra a romena Ana Bogdan atual número 92 do ranking.

No entanto, estes atletas ainda são apenas promessas. Haddad e Wild têm talento e parecem trilhar um caminho de sucesso, mas o futuro é incerto. Enquanto eles, ou outros atletas não conseguirem preencher as lacunas deixadas por Meligeni e Guga, o tênis brasileiro continuará vivendo momentos de ostracismo para a maior parte dos brasileiros.

 

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