Quando começou a ser disputado, o Roland Garros 2020 era especial pois contava com a volta de Rafael Nadal para o circuito de tênis. O espanhol, que havia se isolado e não foi ao US Open por conta da situação que atinge o planeta, brilhou no Grand Slam do saibro. Despachou todos os adversários sem perder nenhum set sequer e deu show na final, batendo com facilidade o número 1 do mundo, Novak Djokovic. A partida terminou 3 sets a 0, com parciais de 6/0, 6/2 e 7/5.

A vitória, da forma que foi, é especial por diversos fatores. Primeiro porque Nadal enfiou um pneu (vencer um set por 6 a 0) em Djokovic com a maior naturalidade; segundo porque foi a 13ª conquista do torneio de Paris do tenista espanhol. É um número muito expressivo e dificilmente veremos algo parecido na história do tênis.

Em terceiro lugar, e não menos importante, Nadal chega a seu 20º título de Grand Slam. Agora, sim, ele iguala Roger Federer. O suíço, seu principal rival de anos, enalteceu o companheiro pelo feito.

“Eu sempre tive o máximo respeito pelo meu amigo Rafa como pessoa e como campeão. Como meu maior rival de tantos anos, eu acredito que nos pressionamos a nos tornarmos jogadores melhores. Dito isso, é uma grande honra para mim parabenizá-lo pelo 20º Grand Slam vencido”, começou Federer em seu Instagram.

“É especialmente incrível que ele agora tenha ganhado Roland Garros por incríveis 13 vezes, o que é o maior feito do nosso esporte. Eu também parabenizo seu time porque ninguém faz isso sozinho. Eu espero que 20 seja apenas um degrau nessa contínua jornada para nós dois. Muito bem, Rafa. Você merece isso”, escreveu.

A resposta de Nadal veio logo após o jogo, na coletiva. “De alguma forma, acho que ele fica feliz quando estou ganhando e eu fico feliz quando ele está fazendo as coisas bem”, disse Nadal.

A troca de carinhos entre Federer e Rafa realça um ponto importante: Nadal e o suíço construíram uma rivalidade amigável, intensificada mais recentemente -- basta ver a sinceridade de Federer. Ainda que há anos eles dividam os fãs do tênis e dominam o calendário da ATP, sempre houve muito respeito e consideração de um pelo outro. Eles sabem que um cresceu e conquistou tantas coisas somente porque o rival estava ali para “empurrar” e desafiar.

Novak Djokovic, por exemplo, que completa o “Big Three” da modalidade, não tem a mesma relação com a dupla e viu a sua imagem arranhar ainda mais nos últimos meses por decisões polêmicas extraquadra.

Iga Swiatek: nasce uma estrela

Se teve show de Rafael Nadal no masculino, a situação foi bem parecida no feminino. Iga Swiatek -- guarde esse nome -- venceu o torneio de Paris também sem perder um set sequer. A diferença aqui é a idade: a polonesa tem apenas 19 anos e faturou o primeiro Grand Slam de sua breve carreira profissional.

O feito a colocou como uma das cinco tenistas mais jovens da história a levarem o troféu no saibro de Roland Garros. Na decisão, ela venceu Sofia Kenin por 2 sets a 0, parciais de 6/4 e 6/1. O jogo aconteceu em 1h24 e a polonesa sabe que fez história.

"Eu não esperava ganhar este troféu", disse após a vitória diante da americana Sofia Kenin. "É obviamente incrível para mim. É uma experiência de mudança de vida”, seguiu. "Eu sinto que meio que fiz história.”

Logo em seguida, a polonesa demonstrou carisma. “Em primeiro lugar, não sou muito boa em discursos porque ganhei meu último torneio há dois anos e não sei a quem agradecer", iniciou, antes de acrescentar: "Devo dizer mais alguma coisa?".

Argentinos chamam a atenção em Roland Garros

É claro que Rafael Nadal e seu histórico 13º título de Roland Garros é o grande destaque do torneio de Paris. Também é importante ressaltar o surgimento de Iga Swiatek no feminino, campeã sem perder sets da mesma forma que o espanhol. Mas a competição francesa deixou outra boa impressão: o tênis jogado pelos argentinos.

Os tenistas do país vizinho do Brasil deram uma aula em Roland Garros. Quando bateu Elina Svitolina e alcançou as semifinais entre as mulheres, Nadja Podoroska se tornou a primeira mulher a sair do qualifying e chegar até a fase final do torneio na Era Aberta (a partir 1968) do tênis.

Número 131 do mundo, ela derrotou a top 10 Svitolina registrando oito quebras de saque e placar de 6/2 e 6/4. Na semifinal, acabou caindo para a campeã e sensação polonesa Swiatek, em dois sets, mas certamente Podoroska orgulhou o seu país.

"Sei que tem muita gente na Argentina vendo as minhas partidas, me acompanhando, estou recebendo muito apoio e quero agradecer novamente. É muito, muito importante. Para mim, é uma honra poder lhes dar esta alegria. Tomara que continuemos assim. Também aproveito porque nunca se sabe quando vai ser a última”, destacou a tenista depois de bater a ucraniana, tendo a clara noção de que o feito foi grande e que era preciso valorizá-lo.

Se vibrou com Podoroska, a Argentina deve ter ficado ainda mais feliz com o desempenho de Diego Schwartzman, que foi à quadra pouco depois de sua compatriota avançar a semifinal e também se garantiu entre os quatro melhores no masculino.

Ele venceu Dominic Thiem e garantiu sua entrada no top 10 do ranking pela primeira vez na carreira. Por coincidência, Schwartzman também caiu para o campeão, Rafael Nadal, nas semis.

De todo modo, 6 de outubro, dia em que viu dois tenistas surpreenderem e chegarem entre os melhores de Roland Garros, ficará marcado para os argentinos. É preciso admitir que a modalidade é muito bem cuidada por lá. Por sinal, bem melhor do que o tratamento que o Brasil dá ao tênis.

Roland Garros 2020 consagrou Rafa Nadal e destacou os tenistas argentinos. Acompanhe mais do calendário da ATP e faça suas apostas em tênis.