No início do século, o Pride era o principal evento de luta do mundo. Só que o campeonato japonês foi perdendo prestígio à medida em que o UFC ganhava força mundialmente. Hoje, consolidado e muito à frente de qualquer concorrente, o Ultimate é onde qualquer lutador de MMA sonha em chegar.

Só que há um movimento recente de brasileiros e de outros nomes de respeito na modalidade deixando o UFC. E a principal opção desses lutadores tem sido para o Bellator, evento também norte-americano, mas com menor status e tamanho do rival. Por que será então que há esta busca?

Alguns motivos justificam as escolhas de atletas importantes pelo Bellator, mas, de modo geral, as trocas têm sido motivadas porque eles buscam maior valorização.

Aqui, vale contextualizar a situação do MMA desde que o Bellator foi fundado, em 2008. Desde esta época, o negócio de Dana White só crescia. Explodido, o Ultimate oferecia, e oferece até hoje, os melhores salários, visibilidade, tem os lutadores mais badalados e, consequentemente, chama mais a atenção.

Só que, até pouco tempo, não tinha nenhum concorrente que sequer pudesse chegar perto de sua grandeza. Ou seja, o caminho natural para um lutador em decadência no UFC era praxe: aposentadoria ou fase final da carreira fora do evento, de forma melancólica.

Até que o Bellator começou a crescer e hoje, de certa forma, virou opção para quem não tem mais espaço no UFC. O torneio paralelo de MMA, presidido por Scott Coker, cresceu com o suporte da Viacom -- um dos maiores conglomerados de mídias do mundo. Com o passar do tempo, estruturou-se e conseguiu adotar um tom mais agressivo no mercado, a ponto de oferecer remunerações atrativas para os atletas.

Recentemente, um caso de migração que ficou famoso foi o de Corey Anderson, que estava no top-5 do ranking dos meio-pesados da categoria de Dana White, mas que pediu para ser liberado e assinar com o Bellator.

Medidas adotadas pelo Bellator para atrair nomes do UFC

1 – Oportunidade para ‘porteiros’

O termo ‘porteiro’ no MMA diz respeito aos lutadores que até têm uma relevância no card, com bons números no histórico de lutas, mas que, por qualquer que seja o motivo, não atingem o cinturão. Diante desta classe ‘mediana’, porém importante, Coker passou a dar mais oportunidade para quem tem este perfil. Isso tem alavancado cada vez mais o interesse pelo evento. Phil Davis e Ryan Bader são bons exemplos de nomes que correspondem aos ‘porteiros’.

2 – Espaço para veteranos

Encostados no UFC, alguns veteranos começaram a perceber que tinham espaço no Bellator. Mais do que isso, a direção do campeonato passou a notar que medalhões no cage atraíam fãs e muita audiência para as suas lutas. Daí não deu outra. Scott Coker começou a investir em alguns nomes de sucesso do MMA. Iniciaram uma trajetória no torneio Chael Sonnen, Tito Ortiz, em janeiro deste ano, além de Fedor Emilianenko e Wanderlei Silva.

3 – Menos espetáculo nas lutas

Uma discussão eterna que envolve o UFC é o fato de que o evento é muito voltado para o entretenimento. A crítica, que ganha força nos últimos tempos, soa como um combustível para o Bellator, que procura mesclar as duas coisas um pouco mais e mostra-se, de certa forma, preocupado com a parte esportiva.

Lutas como de Sonnen x Wanderlei, realizada recentemente, é um exemplo claro de uma exibição voltada para entreter e gerar audiência. Mas a grande diferença é que Coker não mistura esses duelos mais midiáticos com a corrida pelos cinturões. Ou seja, uma vitória neste confronto não influenciou em nada nas oportunidades pelo título para outros atletas.

4 – Lutadores livres para fazer negócio

Desde que o UFC assinou um contrato milionário com a Reebok, em 2014, a marca passou a vestir oficialmente todos os atletas do Ultimate. Isto fez com que eles fossem impedidos de assinar contratos em semanas de lutas, com patrocinadores que antes exibiam a marca no ‘pacote’ do atleta até chegar ao octógono.

Ciente de como gira o mercado, o proprietário do Bellator mantém seu evento livre de amarras contratuais. Assim, diferentemente do UFC, os lutadores podem usar as roupas que quiserem, seja na semana da luta ou mesmo no próprio cage. Também é bem levado em consideração pelos profissionais de MMA o fato de poderem assinar com as marcas que tenham mais afinidade.

Quem migrou para o Bellator

Cris Cyborg é um exemplo clássico que mudou de evento. A brasileira, campeã do peso-pena no UFC, colecionou atritos com Dana White e deu um fim às polêmicas quando acabou o contrato que tinha com o Ultimate. Virou agente livre no mercado e assinou com o Bellator.

“Estou muito feliz. Finalizei a ‘Era UFC’, fiz minha última luta, isso quer dizer que ninguém me liberou [do contrato]. Juntos tivemos a era Elite XC, era Strikeforce, era Invicta FC e a era UFC. Todas foram de sucesso”, postou a curitibana em seu Instagram, pouco antes de oficializar a ida para o Bellator.

Outro brasileiro na competição é Lyoto Machida. Ídolo no país e lenda do MMA, ele viveu momentos de instabilidade em 2015 no UFC, e preferiu mudar de ares há dois anos. Desde que está no novo torneio, venceu Rafael Carvalho e Chael Sonnen, mas perdeu para Gegard Mousasi.

“Quando o UFC me contatou [para uma renovação], já era tarde, porque dei minha palavra ao Sr. Coker, e sou um homem de palavra. Estou muito feliz e mal posso esperar para lutar novamente. Meu estilo é muito único aqui, sou um verdadeiro artista marcial, e é isso que o Bellator também quer. Acredito que poderei mostrar tudo o que tenho”, declarou Lyoto, à época em que efetuou a troca, em 2018.

Outros nomes relevantes que estão no cage e têm prestígio no MMA são Gegard Mousasi, que venceu Machida, Rory MacDonald e o próprio Ryan Bader.

As lutas de MMA pelo mundo seguem a todo vapor neste fim de 2020! Quais serão os lutadores que terminarão o ano com o cinturão? Aproveite o momento e faça suas apostas no UFC.