Existe uma coisa em Hollywood chamada de “typecasting”, que é quando o mesmo ator é chamado para interpretar papeis estranhamente semelhantes durante anos. Muitos atores detestam isso, pois se sentem “limitados” em sua arte. Apenas os grandes atores conseguem escapar disso. Mas há um outro grupo, o dos atores que adoram ser reconhecidos pelo mesmo estilo de personagem em filmes sem relação direta entre si.

Mas dentro deste grupo, poucos são tão repetitivos quanto Vinnie Jones. Sua carreira no cinema começou em 1998, no clássico cult “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, que o lançou ao estrelato com um dos novos atores capazes de interpretar vilões durões com uma confiança rara.

Só que pouca gente fora da Inglaterra sabe que Jones já era um vilão muito antes de se te tornar ator. Sua primeira carreira foi como jogador de futebol profissional, e ainda que ele não tenha conquistado títulos durante seus anos como atleta, Jones criou um nome para si quando o assunto era defesa, confusões e jogo sujo.

O galês era o que chamamos no Brasil de primeiro volante clássico, aquele cão de guarda feroz, o cabeça de área que guarda a última linha da defesa. Esta foi sua missão por 14 anos e ele a cumpriu da melhor forma possível.

Seu primeiro clube foi o Wealdstone, um time desconhecido fora de Ruislip, nos subúrbios de Londres, onde fica sua sede. Fundado em 1899, o time nunca conseguiu participar das 4 principais divisões inglesas.

Após duas temporadas com 38 jogos e 2 gols, ele foi jogar na 3ª divisão da Suécia, no Holmsund. Ele ficou apenas um ano por lá, marcando um gol em 22 jogos. Mas foi após sua saída do futebol sueco que sua carreira começou a crescer e Jones começou a ganhar notoriedade por seu futebol físico e visceral.

Em 1986, ele inicia sua primeira passagem pelo Wimbledon FC, que disputava a primeira divisão da Inglaterra, hoje conhecida como Premier League. O time é um dos mais tradicionais e antigos da Inglaterra e foi nele que Jones começou a aparecer para o grande público.

Seu estilo já era muito semelhante ao de seus personagens. Um homem com raiva o tempo todo, com a cara e os punhos cerrados durante 90 minutos, pronto para fazer literalmente qualquer coisa pela vitória, mesmo que isso resultasse em lesões aos adversários e ocasionalmente em um cartão vermelho. Jones, inclusive, apareceu em um artigo em nosso blog sobre os jogadores mais indisciplinados de todos os tempos. Ele é o 10º jogador com mais cartões vermelhos na história do futebol, com 12 durante toda a sua carreira.

Foi nesta primeira passagem que Vinnie conquistou o mais importante de seus 3 títulos na carreira: a Copa da Inglaterra, o segundo maior campeonato do país, em 1988, sua segunda temporada no time. E é importante lembrarmos que este Wimbledon FC não é o mesmo Wimbledon que figura hoje na quarta divisão inglesa, mas isso é uma história para outro momento.

Em 1989, Jones se transferiu para um dos grandes times da Inglaterra na época, o Leeds United. Ele ficou por lá por 2 anos e foi uma peça importante no retorno do clube à elite, jogando 45 partidas na liga, fazendo 5 gols e, o mais inacreditável, recebendo apenas 3 cartões amarelos o ano inteiro!

Porém, nem esta temporada estelar foi capaz de mantê-lo no time titular, e ele perdeu a vaga para o meio campo formado por David Batty, Gary Speed e Gary McAllister. De lá, seu destino foi o Sheffield United, onde ficou por 3 anos, sendo titular apenas no segundo.

Então veio sua passagem de 1 ano e meio pelo Chelsea, começando em 1991, último ano da primeira divisão inglesa e terminando no meio de 1993, durante a primeira temporada da Premier League como a conhecemos. Em Stamford Bridge, foram 42 jogos e 4 gols na liga, além de uma infinidade de cartões e suspensões.

Jones deixou o Chelsea em 1993 e voltou para o time que o lançou ao futebol nacional, o Wimbledon. Jones ficaria por lá de janeiro de 1993 a janeiro de 1998, jogando como titular durante os anos que precederam a realocação do time e sua mudança de nome, dando fim ao Wimbledon FC.

Seu último clube na carreira foi o Queens Park Rangers, onde jogou de janeiro de 1998 a julho de 1999, antes de se aposentar dos gramados. Mas lá, Jones jogou apenas 9 jogos neste período, já que sua carreira cinematográfica já tinha começado e ele também tinha sérios problemas em se manter fora de problemas. Ele também teve nove convocações para a seleção do País de Gales, entre amistosos, eliminatórias para a Euro 1996 e as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998. Infelizmente, ele nunca venceu uma partida com a camisa de seu país, acumulando derrotas para a Bulgária (duas vezes), Geórgia, Suíça, um 7 a 1 para a Holanda, e uma derrota para a Bélgica em sua última partida pelo time nacional. As outras partidas foram empates com Alemanha, Turquia e Irlanda.

Mas Jones, como sabemos ficou realmente famoso após sua carreira nos gramados. Seus papeis como vilões ou criminosos ganharam ainda mais notoriedade com filmes como “Snatch: Porcos e Diamantes”, “60 segundos” e “A Senha: Swordfish”, que o levaram a telas ainda maiores, como “Euro Trip” e “X-Men 3”, no qual ele interpreta o mutante Fanático.

Mas seus dias na frente de uma câmera começaram muito antes de sua participação no filme de Guy Ritchie em 1998. Jones foi o apresentador de um vídeo controverso na Inglaterra, chamado “Soccer’s Hard Men”, ou “os durões do futebol”, no qual eram mostradas jogadas de marcação quase sempre violentas. Lançado em 1992, o vídeo foi visto como uma forma de glorificar o jogo violento e desleal. Por conta de sua participação marcante como o apresentador do vídeo de 78 minutos, Jones foi multado em 20 mil Libras e uma suspensão de 6 meses.

Após este incidente, Jones falhou em se manter longe das confusões. Após exceder os 40 pontos disciplinares naquela mesma temporada, Jones foi convocado a prestar esclarecimentos na sede da Federação, mas não apareceu no dia da reunião, o que resultou eu uma suspensão por tempo indeterminado. Jones justificou sua ausência dizendo que “confundiu as datas”, o que resultou em uma pena bem mais branda, apenas 4 partidas de suspensão.

Jones foi famoso por levar o espírito do hooliganismo para os gramados. Seu estilo feroz e inconsequente vinha desde seus dias como torcedor. Ele mesmo assume esta capa ao declarar “a Federação me deu um tapinha nas costas. Eu trouxe a violência das arquibancadas para dentro do campo”.

Mas Jones não é apenas este vilão que ele criou nos gramados ou na telona. Ele foi casado com Tanya Terry, de 1994 a 2019, quando Tanya faleceu após uma longa e brava luta de 6 anos contra 3 tipos de câncer. Em sua autobiografia, Jones diz que Tanya “era a única pessoa que conseguia me acalmar. Se ela não estava por perto, eu podia ser bem violento, mas eu nunca agia desta forma quando ela estava por perto”.

 

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