O futebol carioca é um dos pólos mais relevantes e tradicionais da modalidade no Brasil, pois abriga algumas das grandes marcas do país, como Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, e é historicamente celeiro de craques para a seleção brasileira. Paralelamente aos grandes, existem alguns clubes de menor porte, mas com muita tradição no estado e recheados de histórias. O Olaria é um exemplo.

Fundado em 1º de julho de 1915, o Olaria Atlético Clube está localizado no bairro de mesmo nome, na Zona da Leopoldina, região histórica e mais antiga da zona norte do Rio de Janeiro. Ou seja, um dos pedaços mais tradicionais da cidade se desenvolveu em volta de um clube poliesportivo e à base de muito futebol.

O estádio do clube é o Antônio Mourão Vieira Filho, popularmente conhecido como “Rua Bariri”, que já foi palco de alguns duelos marcantes do futebol carioca. O Olaria, que tem como principal rival o Bonsucesso, jogará o Campeonato Carioca Série A2 em 2022, após ser campeão da Série B1 (terceira divisão do estado) em 2021.

Se o presente não é de glórias e com pouco protagonismo na elite do Rio de Janeiro, o Azulão já contribuiu bastante para o futebol local e pintou alguns dos principais palcos da cidade de azul e branco. A seguir, conheça momentos marcantes da história centenária do Olaria e os craques que deram os primeiros passos no esporte vestindo a camisa do clube da zona norte.

Carioca de 1971: ‘era de ouro’ e disputa pelo título

Historicamente, o Olaria é considerado um clube de formação no Rio de Janeiro. Dentro do campo, o time da zona norte até tentou, mas nunca conseguiu bater de frente com os grandes, a exemplo de América-RJ e Bangu, que venceram o Campeonato Carioca no século passado. Os troféus foram conquistados quando ainda não havia muita discrepância de orçamento em relação a Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense.

Ainda assim, o Olaria viveu uma ‘era de ouro’ em sua história. Isso aconteceu no começo dos anos 1970, quando o presidente e patrono do Alvianil, Álvaro da Costa Melo, investiu bastante dinheiro no futebol e colocou o clube como um dos mais ambiciosos do subúrbio do Rio de Janeiro.

No Campeonato Carioca em 1971, o clube chegou a disputar o título, mas acabou com a terceira colocação do estadual. Foi a melhor campanha da história da equipe, dirigida por Jair Rosa Pinto naquela temporada. O esquadrão que garantiu o simbólico ‘terceiro lugar no pódio’ ao Olaria contava com o zagueiro Miguel, que mais tarde faria sucesso pelo futebol brasileiro, e uma dupla entrosada no meio-campo, formada pelos talentosos Afonsinho e Roberto Pinto.

A primeira fase foi superada com facilidade: à época, o regulamento previa dois grupos com seis clubes, em turno único, com os quatro primeiros avançando. Em seguida, os oito classificados participaram de um octogonal em turno e returno, carregando a pontuação da etapa anterior.

E foi nesse momento que o Olaria viveu momentos brilhantes. Além de segurar o ‘poderoso’ América, arrancou empates por 0 a 0 contra os favoritos e gigantes Vasco e Flamengo no Maracanã – saiba quais são os técnicos estrangeiros que venceram o Carioca.

Houve ainda duas vitórias no clássico contra o Bonsucesso, o que elevou o moral do time, mas o azarão não teve força para brigar pelas primeiras colocações. Naquele Carioca, o Fluminense ficou com o título e o Botafogo foi vice-campeão. Ao Olaria, após a fase final, restou a honrosa terceira colocação, a maior campanha da história do clube no estadual.

Já no âmbito nacional, o Olaria ganhou destaque em 1981. O clube entrou para a galeria dos campeões brasileiros ao vencer a Taça de Bronze. A própria CBF reconhece a competição como a atual Série C do Brasileirão.

Olaria: celeiro de craques

Romário começou na Rua Bariri

O grande astro revelado pelo Olaria é Romário. O Baixinho, campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994, deu os primeiros passos no futebol na Rua Bariri. Em 1979, ele apresentou o faro de gol que o consagraria pelo mundo: foi artilheiro do Campeonato Carioca de base com 15 gols marcados. O feito chamou a atenção do Vasco, onde o centroavante começou uma trajetória de muito sucesso.

Joel Santana, Gonçalves, Aílton e mais

A lista de jogadores revelados pelo Olaria é grande. Um dos primeiros nomes é o goleiro Castilho, que se tornou um dos maiores ídolos do Fluminense. Ele chegou ao clube da zona norte aos 17 anos e se transferiu para o Tricolor das Laranjeiras em 1946. Além dele, atletas como Gonçalves, ex-Flamengo e Botafogo, Aílton, ex-volante de Fla e Grêmio, e Robert, campeão brasileiro pelo Santos, em 2002, iniciaram a carreira no Olaria.

Outro importante nome do futebol brasileiro que iniciou a trajetória na Rua Bariri é Joel Santana. Ele é um dos notáveis do clube atualmente, e ganhou uma homenagem na festa do centenário, em 2015. “O Olaria foi a semente de tudo aquilo que eu fiz e conquistei na minha vida. Como jogador, comecei no infanto-juvenil do clube, junto de jogadores como Alfinete e Dé, por exemplo. Agora, torço pelo Olaria. Comecei lá, adoro, gosto e torço pelo clube”, afirmou em entrevista Joel Santana.

Garrincha vestiu camisa do Olaria

Ainda que não tenha revelado Garrincha para o mundo da bola, o Olaria acabou sendo o último clube da carreira do “Anjo das pernas tortas”. O ídolo do Botafogo e bicampeão do mundo com a seleção brasileira defendeu o clube azul e branco em 1972 e disputou 10 partidas, incluindo um empate por 1 a 1 contra o Flamengo.

Garrincha, que é considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, comemorou um gol com a camisa do Olaria e preenche um capítulo importante da história do tradicional clube da zona norte do Rio.

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