Quando a escalação do Palmeiras contra o River Plate foi divulgada, muitos ficaram surpresos. O meio-campo, coração do time, seria comandado por Danilo (19), Gabriel Menino (20) e Patrick de Paula (21). Em uma semifinal de Copa Libertadores, na Argentina, contra o principal time da década e o melhor mandante da história da competição. Pois os moleques mandaram no jogo e foram os grandes responsáveis pela histórica vitória por 3 a 0.

 Na outra semifinal, um Santos com John (24) no gol, Lucas Veríssimo (25) na zaga e Kaio Jorge (18) no ataque, também dominou o temido Boca Juniors, seis vezes campeão da principal competição da América do Sul e sempre favorito em qualquer casa de aposta. O Peixe teve 67% de posse de bola, 10 finalizações contra 8 do time argentino, e ainda um pênalti claro não marcado. Além dos 3 jovens já citados, a equipe titular do Santos tinha nomes como Pituca (28) e Alison (27), também vindos da categoria de base do clube. E esse parece ser o grande segredo...

Não é coincidência que os dois semifinalistas brasileiros da Libertadores tenham tantos jogadores jovens e talentosos. Em um ano tão diferente como esse, com estádios vazios e clubes com imensas dificuldades financeiras, é óbvio que quem tem talento em casa, sem precisar comprar de fora, iria se sobressair. Um trabalho constante no Santos, que desde Robinho, Diego e companhia, não para de revelar craques, passando por Neymar e Rodrygo. Já o Palmeiras era dos clubes grandes que menos cuidava da base (Vágner Love e Gabriel Jesus eram mais exceção do que regra). Um problema que começou a ser resolvido na gestão Paulo Nobre, e continuou sendo atacado pelo atual presidente Maurício Galiotte.

O projeto audacioso do Palmeiras, que já está colhendo os frutos, passa pela prospecção de jovens de todo o país. O volante Danilo é um dos maiores exemplos disso. Era jogador do Cajazeiras, modesto clube onde foi vice-campeão baiano da Série B. Chamou a atenção do Verdão e foi contratado para, primeiro, atuar no Sub-17: “Foi a primeira vez que andei de avião na minha vida. Fiquei extremamente feliz”, diz o jovem.

Já o Peixe tem Kaio Jorge, artilheiro do time na Libertadores e autor de 3 gols importantíssimos no confronto de quartas-de-final contra o Grêmio: “Na base, eles incentivam a gente a jogar com alegria e usar bastante a individualidade”, afirma o garoto de 18 anos.

Se um dos dois times brasileiros será campeão da Libertadores, ainda não sabemos. Mas 2020 chegou para confirmar o que todos já sabiam, só que a maioria dos dirigentes insiste em ignorar: vale mais investir na base do que em contratações milionárias. O resultado, às vezes, nem demora muito para chegar.