Ronaldo Fenômeno é um dos maiores jogadores que o futebol brasileiro já produziu. Destaque na conquista do pentacampeonato da Copa do Mundo, em 2002, o ex-jogador ganhou tudo com a seleção brasileira e fez história em todos os clubes que defendeu ao longo da carreira, finalizada em fevereiro de 2011.

Tudo começou em 1993, quando o Cruzeiro deu uma oportunidade para o carioca em sua equipe profissional. Em Minas, os primeiros passos davam a dimensão do que seria Ronaldo. Ele, de fato, era especial. Não à toa, conquistou o mundo, tornou-se um dos atletas mais midiáticos do país e é um dos poucos a ter defendido as duas maiores forças da Espanha: atuou tanto pelo Barcelona, como pelo Real Madrid.

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Ainda que tenha passado muito mais tempo em Madri do que na Catalunha, o Fenômeno fez uma temporada tão meteórica no Barcelona, que até hoje há a discussão sobre qual time da Espanha ele rendeu mais.

Fato é que Ronaldo se encontrou no país depois de alguns anos por lá. Hoje, o brasileiro mora na Espanha e é dono do Real Valladolid, equipe da primeira divisão do Campeonato Espanhol e que tem planos ousados, na mão do ex-camisa 9, de brigar de frente com times medianos (Valencia, Sevilla e outros) na nova década.

A chegada de Ronaldo ao Barcelona

Para contextualizar a passagem de Ronaldo pela Catalunha, é preciso entender o momento que o atacante vivia em 1996, quando o clube azul-grená comprou o brasileiro do PSV por 15 milhões de euros.

Ainda muito jovem, Ronaldo jogava a segunda temporada no futebol holandês. Ele tinha 19 anos e se destacava no PSV suficientemente bem para virar objeto de desejo do gigante europeu. Foram 54 gols em 57 jogos na Holanda, o que lhe dava uma média de praticamente um tento a cada 90 minutos.

Um pouco antes, com 17, ele já havia feito algo parecido. Tudo começou no Cruzeiro, em que ele fez 20 gols em 21 jogos antes de completar a maioridade e encantou o país do futebol. Em 1994, sua segunda temporada como profissional na Raposa, repetiu a dose (24 tentos em 26 partidas). Foi o necessário para atrair o time holandês, que pagou quase 6 milhões de euros e serviu de ‘trampolim’ para o atacante na Europa.

A transferência de Fenômeno para o Barça, em 1996, foi simbólica para o futebol brasileiro, que via um jogador ofensivo se tornar a aposta de um dos maiores clubes do mundo. Será que vingaria, mesmo tão jovem? Ronaldo respondeu na bola: chegou, mostrou por que não poderia ficar no banco e manteve a média absurda de quase um gol por jogo apresentada no Cruzeiro e no PSV.

No Barcelona, foram 47 gols em 49 partidas na única temporada em que defendeu as cores da equipe (média de 0.95 gol por jogo). Lá, venceu uma Supercopa da Europa, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha.

Parece pouco, até pelo fato de que Ronaldo só jogou no Barça por uma temporada. Mas, até hoje, boa parte dos grandes lances da carreira do atacante é registrada com a camisa azul-grená. No auge do vigor físico e ainda bem leve, o brasileiro era uma verdadeira explosão em campo e não tinha quem o pegasse nas arrancadas.

Em 1996, por sinal, ele faturou o primeiro prêmio de melhor jogador do mundo pela Fifa -- no ano seguinte, faturaria novamente o troféu.

Antes do Real, passagem na Inter e lesão

Ronaldo tinha tudo para seguir em Barcelona e virar um ídolo histórico do clube. Só que a Inter de Milão, um dos clubes mais ricos do mundo à época, se fascinou e abriu os cofres pelo brasileiro. Os italianos pagaram 28 milhões de euros, em 1997, para contar com o astro eleito melhor do mundo.

Valeu o investimento de começo: Ronaldo seguiu com gols em série e participou da conquista da Liga Europa de 1998.

A passagem em Milão, no entanto, virou de cabeça para baixo depois da Copa de 1998. Primeiro houve o episódio de convulsão na final do Mundial, contra a França, que abalou psicologicamente o craque. Depois, em 2000, Ronaldo protagonizou uma das lesões mais graves do futebol: torceu o joelho de uma forma que a medicina esportiva ainda não conhecia.

Foram meses de tratamento, cirurgias, cicatrizes marcantes e a possibilidade de o craque nunca mais voltar a jogar futebol. Ele, porém, superou todos os prognósticos negativos e deu a volta por cima em 2002.

Real Madrid: Ronaldo chegou com moral pós-penta

Já conhecido por Fenômeno, apelido que recebeu ainda na Itália, Ronaldo chegou em alta no Real Madrid: campeão da Copa no Japão e Coreia do Sul, ele desembarcou em Madri com enorme status e para compor o time de galácticos dos merengues, ao lado de Roberto Carlos, Figo, Zidane, Beckham e outros.

Totalmente recuperado do trauma no joelho, o atacante foi vendido ao Real em agosto de 2002 por 45 milhões de euros -- naquele ano, principalmente pelo que fez defendendo a seleção, recebeu o terceiro prêmio de melhor jogador do mundo.

Em campo, já com 26 anos, Ronaldo mudou um pouco o estilo de jogo no Real. Como não tinha a mesma velocidade e explosão da época do Barça (a grave lesão no joelho atrapalhou o craque), às vezes ficava mais preso à área e dosava as arrancadas.

Por outro lado, foi no Real que teve a maior experiência na Espanha. Ficou por lá de 2002 a 2007, fez 104 gols em 177 jogos (0,58 tento por partida) e venceu uma vez La Liga e a Supercopa da Espanha.

De todo modo, os cinco anos ficaram abaixo da expectativa da torcida merengue. Gênio com a bola nos pés, Ronaldo não conseguiu ser decisivo no clube de Madri como era na seleção, por exemplo. Tanto é que nunca venceu uma Liga dos Campeões, sonho frustrado do Real e seu super time galáctico, e, por isso, tem as passagens por Barça e Madrid bastante comparadas.

Em 2007, alguns problemas extracampo forçaram a transferência para o Milan. Foi o que Ronaldo disse em entrevista ao Fox Sports Brasil. "No Real Madrid, eu fui contra a minha vontade [já na parte final da passagem], porque comecei a ter muitos problemas com o treinador, Fabio Capello. Se estava 100 gramas acima do meu peso, ele me tirava do time.”

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