Não são todos os torcedores que têm interesse nos assuntos financeiros do clube de coração. Para grande parte, no geral, o que vale mesmo são os gols, as vitórias, os títulos e a zoeira que farão com o rival depois de um clássico decisivo – não importa quanto a equipe gastou de salário, teve de renda ou investiu para montar o elenco.

O que os torcedores ‘comuns’ querem, é claro, é um time competitivo, que esteja sempre brigando pelas principais competições, ainda que não seja possível vencer todas as vezes. E isso passa, sim, por uma saúde financeira estável, que muitas vezes é adquirida depois de um período de ‘vacas magras’, com dificuldades, tentando quitar dívidas e estabilizar a situação.

Muitos times brasileiros sofreram com más administrações de cartolas que tinham como objetivo maior se perpetuar no poder, sem se importar com o longo prazo. Alguns até tiveram sucesso, com títulos, mas a conta sempre chegou depois. O debate sobre uma gestão profissional ganhou força no Brasil depois de muitos desses exemplos, e as SAFs surgiram como uma alternativa.

As Sociedades Anônimas de Futebol permitem que equipes sejam ‘vendidas’ para investidores que assumirão a gestão, colocarão dinheiro e investirão em um modelo de negócio diferente do que é tradicional. Recentemente, clubes gigantes que passaram por períodos difíceis nos últimos anos, como Cruzeiro, Botafogo e Vasco, fizeram o processo para transformação em SAF. Ainda não se sabe se esse tipo de gestão é a ideal, mas é uma alternativa ao modelo tradicional.

O Bragantino foi o primeiro time brasileiro a fazer sucesso como clube-empresa. A tradicional equipe paulista, campeã estadual em 1990, nos anos dourados do time, quando chegou à elite do Brasileirão, ficou anos sem relevância no cenário nacional. Em 2019, passou a ser administrada pela empresa Red Bull, que mudou o escudo do clube, o uniforme e até o nome.

O agora Red Bull Bragantino, que estava na Série B do Brasileirão, teve um primeiro ano de destaque, ficou com o título da divisão de acesso e voltou à Série A. Em 2020, conseguiu a vaga para a Copa Sul-Americana, e já na temporada seguinte, em 2021, foi vice-campeão do torneio continental, perdendo na final para o Athletico-PR. No Campeonato Brasileiro, o time de Bragança ficou em sexto, e garantiu vaga na fase de grupos da Libertadores deste ano pela primeira vez na história.

Mesmo com o investimento, o Massa Bruta foi pontual no mercado da bola nas últimas temporadas. Diferentemente do que acontece com equipes que passam a ‘ter um dono’ e querem gastar rios de dinheiro, o Red Bull Bragantino tem um modelo de gestão que busca contratar jogadores jovens, com potencial, que podem render um bom valor com venda futuramente. Foi o que o clube buscou ao contratar Helinho, ex-São Paulo, e Artur, ex-Palmeiras.

O ex-palmeirense se tornou um dos principais destaques da equipe. Quando foi contratado, disse à rede social do clube: “Escolhi o Red Bull Bragantino pela grandeza do projeto que foi apresentado”. E a parceria entre esses atletas e o clube tem rendido. O zagueiro Léo Ortiz chegou a ser convocado por Tite para a seleção brasileira, e o meia Claudinho foi vendido ao Zenit, da Rússia, por 15 milhões de euros (cerca de R$ 92 milhões à época).

Em 2021, o Red Bull Bragantino gastou, em média, R$ 8,9 milhões por mês em salários com o elenco. O time do interior de São Paulo – conheça as maiores ‘rivalidades caipiras’ do estado – foi o 10º que mais gastou dinheiro com a folha salarial, atrás apenas dos nove grandes que estavam na elite no ano passado. O valor foi bem superior ao do Athletico-PR, que levou a melhor na Sul-Americana, e gastou ‘apenas’ R$ 3,8 milhões. Todos os dados desses valores usados no texto são parte de levantamento feito pelo jornalista Thiago Fernandes, do GOAL Brasil.

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Quanto os times paulistas gastaram de salário?

Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos estão entre os clubes gigantes do Brasil. Mesmo em momentos distintos, não perdem a relevância e o poderio. O Santos, vice-campeão da Libertadores em 2020, vive uma fase de reestruturação, com a diretoria focada em quitar dívidas e acertar a parte financeira da equipe.

Em 2021, o Peixe, que é o clube com mais artilheiros na história do Paulistão, se salvou do rebaixamento no estadual na última rodada. No Campeonato Brasileiro, terminou em 10º, ficando apenas com vaga na Sul-Americana. Conhecido por ter sempre elencos recheados de garotos vindos da base, o Alvinegro praiano desembolsou por mês, na temporada passada, R$ 14 milhões em salários.

O São Paulo, que ficou com o título do Paulistão – veja curiosidades sobre o campeonato  e saiba qual é a premiação de 2022 –, também não teve uma boa temporada a nível nacional. O Tricolor ficou em 13º no Brasileirão, e conquistou apenas uma vaga para a Sul-Americana. O resultado é pouco para o investimento feito na folha salarial, a quinta maior do Brasil em 2021, de R$ 19 milhões mensais.

O Corinthians teve a quarta maior folha salarial da temporada passada, atrás apenas de Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, as três equipes que dominaram o futebol brasileiro nos últimos anos. O Timão gastou R$ 23 milhões por mês em salários, em um elenco que trouxe jogadores badalados, como Willian, Róger Guedes, Giuliano e Renato Augusto. O Alvinegro ficou em 5º no Brasileirão, e garantiu vaga na Copa Libertadores deste ano.

O Palmeiras é o clube paulista de mais sucesso nas últimas temporadas. Depois de um período ‘sombrio’, com dificuldades e rebaixamentos, o Verdão reformou seu estádio, acertou as finanças e passou a brigar sempre no topo. O elenco bicampeão da Libertadores em 2021, com nomes como Dudu, Weverton e Gustavo Gómez, custou aos cofres do clube, por mês, R$ 32 milhões em salários, valor menor apenas que o do Flamengo, de R$ 36 milhões, que ficou com o vice na competição.

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