Conte para um técnico que trabalha a vida inteira na Europa que os clubes brasileiros estão jogando 77 partidas (caso do Flamengo em 2022) em um ano, e eles vão responder que isso é loucura. Para se ter uma ideia, o Real Madrid, campeão espanhol e da Champions League na última temporada, entrou em campo 56 vezes. Aliás, o coro por mudanças no calendário nacional ficou ainda mais forte depois da chegada de uma enxurrada de técnicos de fora, como Abel Ferreira: “É insano, para os jogadores e para os treinadores”, diz o comandante do Palmeiras.

A realidade é ainda mais difícil para os clubes com menor poder de investimento e elencos mais enxutos. É o caso do Fortaleza, que teve uma temporada excepcional em 2021, mas acabou pagando o preço no ano seguinte, já que faltou gente suficiente para aguentar disputar competições nacionais e internacionais.

O mesmo acontece com o Atlético Goianiense. Campeão estadual, o Dragão chegou nas quartas de final da Copa do Brasil e na semifinal da Copa Sul-Americana, torneios que não aparecia como favorito em nenhum site de esporte bets. Campanhas históricas, mas que podem custar muito caro para o clube. No Campeonato Brasileiro, só um milagre irá salvar o time do rebaixamento.

 

Pegando a estreia no Campeonato Goiano em 26 de janeiro, até a data da eliminação na competição continental, em 1º de setembro, foram 61 jogos em 218 dias. Média absurda de uma partida a cada três dias e meio. Em muitas semanas, o pior cenário possível: três jogos, sem nenhum tempo de descanso:

“Com três jogos por semana, faço apenas trabalhos leves para manutenção de força. A parte de treinamento tático também é bem reduzida, porque precisamos segurar a carga para os atletas conseguirem suportar a sequência de partidas”, explica Luis Fernando Goulart, preparador físico do Atlético Goianiense.

Leia também:

Isso explica muita coisa. Primeiro: a quantidade absurda de problemas físicos. No ano passado, os 20 times da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro sofreram com um total de 630 lesões. Mais da metade, 323, foram problemas na coxa, parte do corpo que mais sofre com a maratona de jogos. Segundo: se não há tempo para treinar, aprimorar a parte técnica e tática, não se pode cobrar partidas com padrão europeu de qualidade.

Há tempos, os especialistas pedem mudanças no futebol brasileiro. As mais comuns são a adequação ao calendário europeu, com competições indo de agosto a junho, jogos do Campeonato Brasileiro apenas nos fins de semana e redução drástica do número de partidas dos Campeonatos Estaduais.

Para o calendário de 2023, a CBF prometeu que não haverá jogos de clubes nas datas Fifa, quando acontecem as partidas das seleções. Os times que tiverem jogadores convocados terão um intervalo mínimo de 48 horas entre o fim do período e a primeira partida que irá disputar. A má notícia para aqueles que criticam o excesso de jogos, é que os Campeonatos Estaduais seguem com 16 datas. A única grande novidade é que as finais da Copa do Brasil serão realizadas aos domingos.

Fontes: FlaTV, Palmeiras TV, Dragão TV, Imagens Real Madrid