O Palmeiras estreia no próximo domingo (23) no Campeonato Paulista com a cabeça totalmente no Mundial de Clubes. Se no ano passado a equipe ignorou completamente o Estadual até a hora do mata-mata, agora, o tratamento deve ser diferente e será diretamente influenciado pelo resultado no torneio nos Emirados Árabes Unidos.

Como tem apenas quatro jogos antes de viajar para Abu Dhabi, o português Abel Ferreira vai usar esse início de temporada para dar ritmo aos seus principais jogadores. A programação da equipe é viajar no dia 2, horas depois de enfrentar o Água Santa. Antes disso, os adversários locais serão o Novorizontino, a Ponte Preta e o São Bernardo. 

A estreia fora do país está marcada para o dia 8, contra o vencedor de Al Ahly e Monterrey. A eventual final será dia 12, muito provavelmente contra o Chelsea. O sonho é chamado de bi pelos palmeirenses, mas tratado como conquista inédita pelos rivais. 

Justamente por causa do Mundial, o início do Paulista deve ser o trecho da competição em que os palmeirenses mais verão a sua força máxima. Ou quase isso, já que Weverton e Gustavo Gómez devem estar com suas respectivas seleções para a data Fifa das Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas a ideia é dar ritmo de jogo depois de os atletas conseguirem um raro descanso em meio ao calendário pandêmico. 

Abel comemorou o fato de poder disputar o Mundial deste ano com um pouco mais de descanso e dias para se planejar em relação ao que aconteceu após o título da Libertadores de 2020, quando o time viajou ainda de ressaca da festa.  

Até por isso, mudou o calendário de apresentação tão logo venceu o Flamengo na final da Libertadores, em Montevidéu. A questão é que justamente por esse tempo de espera a pressão no Palestra Itália aumentou. Tudo por conta de uma expectativa gerada à toa pela própria torcida. 

Leila Pereira assumiu o Palmeiras há pouco mais de um mês e já se vê pressionada na cadeira de presidente por não conseguir um camisa 9 e por algumas outras decisões que tomou nos rumos do marketing do clube. A dirigente já tinha deixado claro que não investiria mais do que a saúde financeira do clube permitia, mas a torcida preferiu sonhar com milhões e mais milhões em contratações.

Também por isso, se apresentar um futebol ruim antes de ir aos Emirados, é fato que a cartola verá seu nome novamente nos assuntos mais comentados em redes sociais em forma de protesto, a exemplo do que já aconteceu na primeira quinzena do ano. A torcida vai ignorar o fato de ter visto seu time sendo campeão sem um 9 e dirá que nada mais presta porque um atacante não foi contratado. 

E o motivo do eventual protesto certamente não será a vaga ou não no mata-mata do Estadual, mas a preocupação de como vai ser o desempenho no Mundial. 

A questão é que a safra do futebol - não só brasileiro - oferece muito menos nomes para a posição do que no passado. Não à toa, clubes de todo o Brasil sofrem para achar contratações neste setor. A falta de opções atinge até mesmo Tite, que não consegue escolher um atacante incontestável para a sua seleção. E olha que o técnico não precisa nem de investimento para selecionar seus favoritos.

Até pela baixa oferta e alta procura, qualquer um da posição passa a valer muito. E apesar de considerar a conquista do Mundial muito importante, a diretoria palmeirense não pretende sacrificar o clube na questão financeira para conquistar essa taça a qualquer custo. 

A verdade, no entanto, é que esse contexto não altera em nada a pressão sofrida pelo Palmeiras. O Mundial vai pautar totalmente como vai ser o clima do time na volta ao Brasil. E a lógica não é um atributo usado pelos torcedores que normalmente se deixam levar apenas pela emoção. 

Se ganhar o título, o Estadual perderá todo o peso. Os objetivos do Alviverde passariam a ser vencer os clássicos e aproveitar a competição para testar novamente seus garotos, assim como aconteceu em 2021, quando os jovens conseguiram classificar a equipe ao mata-mata e deram lugar aos profissionais nos jogos mais importantes.

Curiosamente, a grande joia da base poderia até jogar o Mundial, mas está proibido de disputar o Paulistão. Aos 15 anos, Endrick está liberado pela Fifa para jogar nos Emirados, mas não tem os 16 anos pedidos pelo regulamento do Estadual. 

Por outro lado, se volta sem o título, a diretoria já verá seus nomes em prováveis pichações nos muros do Palestra Itália e até mesmo Abel, bicampeão da Libertadores em um só ano, verá seu nome novamente questionado, a exemplo do que aconteceu após o primeiro título da América. 

Não adiantará explicar ao palmeirense que o Chelsea é amplamente favorito, tem orçamento muito superior e joga em nível absurdamente acima do que é praticado o Brasil. Neste momento, nenhuma explicação seria aceita. 

Caso a derrota venha na semifinal para o Monterrey, a decepção será ainda maior, apesar de os times mexicanos apresentarem potencial muito semelhante aos dos times brasileiros nos últimos anos. 

Os titulares voltarão ao Brasil e mesmo tendo conquistado duas Libertadores em 2021, serão tratados como se não ganhassem nada há décadas. Pode parecer difícil de entender para um extraterrestre que acabou de chegar à Terra e deu uma breve atualizada no desempenho dos times no futebol nos últimos anos. Mas a verdade é que assim que tem sido o clima no Palestra Itália nos últimos anos após a volta do time aos protagonistas do país. 

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