Jogar no Real Madrid é o ápice da carreira da maioria dos jogadores de futebol que tem a possibilidade de vestir a camisa merengue. Maior campeão da Liga dos Campeões (13 conquistas), do Campeonato Espanhol (34 títulos) e dono de uma das principais salas de troféus da Europa, o time de Madri é considerado por muitos o maior clube do mundo.

Ainda que o tema renda longos debates e dúvidas, poucas equipes conseguem ter o mesmo poder do Madrid: seja em relevância na Espanha, internacionalmente e na mídia, em geral. Representar a camisa branca é também um status (por exemplo: quando Vinicius Júnior se apresentou à seleção brasileira de Tite e citou o nome da equipe no tradicional trote do Brasil, levou os companheiros à loucura).

Agora imagina colocar o nome na história do clube, com centenas de jogos, gols, títulos. Há uma série de estrangeiros, em especial os sul-americanos, que brilharam no Santiago Bernabéu e viraram ídolos. Atualmente, é o caso de Marcelo, lateral brasileiro que completou 14 anos (sim, 14) no time espanhol em 2021.

Com mais de 350 jogos e 20 títulos pela agremiação merengue, Marcelo talvez já tenha superado a passagem de Roberto Carlos no Madrid, que é bastante expressiva. São quatro títulos de Champions League, cinco de La Liga, quatro do Mundial de Clubes e outros menos expressivos em que brilhou ao lado de Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Kroos, Casemiro e companhia.

Mais que os números, o brasileiro demonstrou que um lateral extremamente talentoso pode jogar na Europa em alto nível por muito tempo – historicamente, o futebol do Velho Continente premia laterais de força, boa marcação e condicionamento físico. Marcelo é tudo ao contrário, além de lento para a posição.

Por anos, inclusive, Marcelo foi mais um parceiro de Cristiano Ronaldo pelo lado esquerdo, bastante avançado e participativo no ataque, do que compondo, de fato, a linha de quatro defensiva. O camisa 12 é um verdadeiro ala, faz gols, dá passes e já está na galeria de lendas do Real antes de deixar o clube -- e mesmo tendo perdido a titularidade por causa da queda de rendimento.

O canhoto em breve se aproximará do fim da carreira como jogador profissional, mas seguirá na “sala” de grandes estrangeiros (fora da Europa) do Real. Veja, abaixo, outros que fincaram o nome na rica história do clube.

Di Stefano

media

O primeiro nome da lista de estrangeiros com destaque no Real Madrid é Di Stefano. Ele atuou no clube de 1953 a 1964 e é considerado por muitos como o maior jogador da história da equipe. Argentino, o atacante chegou até a se naturalizar espanhol, dada tanta identificação com o país.

Os números no Real são impactantes: 510 partidas oficiais, 418 gols e uma façanha até hoje única na história dos merengues: cinco títulos consecutivos da Taça dos Campeões (nome antigo da atual Liga dos Campeões). O desempenho impressionante rendeu duas Bolas de Ouro (1957 e 59) e uma Super Bola de Ouro (1989) – troféu até hoje guardado nas dependências do time.

“O melhor jogador da história do Real Madrid. Atacava, defendia, fazia tudo bem. Um líder dentro e fora do campo. Com ele, a instituição branca viveu o seu período mais áureo”, diz o trecho que inicia a breve biografia do ex-jogador no site oficial do Real. Mais tarde, também foi treinador da agremiação, mas não repetiu o sucesso.

Hugo Sánchez

media

Outro estrangeiro que teve passagem importante pelo clube foi o mexicano Hugo Sánchez. O atacante, que defendeu as cores branca de 1885 a 1992, marcou época pela facilidade com que ia às redes. Foram 208 gols em 282 jogos, uma média de 0,73 tento a cada 90 minutos.

Sánchez era um dos líderes técnicos do Real Madrid que venceu o Campeonato Espanhol cinco vezes seguidas. Na primeira temporada no clube, depois de ser contratado junto ao rival Atlético de Madri, foi artilheiro de La Liga com 22 gols e caiu nas graças da torcida. Ele também venceu uma Champions.

As exibições em alto nível no Real renderam a ele o prêmio de melhor jogador da América do Norte no Século XX, em eleição da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol).

Roberto Carlos

media

Ultrapassado recentemente por Benzema como estrangeiro (fora da Espanha) com mais partidas pelo Real, Roberto Carlos tem uma passagem invejável pelas instalações merengues. Em 527 jogos, fez impressionantes 68 gols -- número importante para um lateral. Dono de um dos chutes mais potentes da história do futebol, o brasileiro era amado pela torcida espanhola e colecionou títulos de 1996 a 2007. Entre eles, três vezes a Liga dos Campeões.

“Dono e senhor da ala esquerda. O seu pé esquerdo foi fundamental na conquista de mais de uma dezena de troféus do Real Madrid. O astro brasileiro será sempre recordado pela sua simpatia, regularidade, velocidade prodigiosa (chegou a fazer 100 metros em 10,9 segundos) e o chute tremendo (os seus disparos alcançavam 140 km/h)”, define o site do Real Madrid. Aqui, uma ressalva: jogou em Madri ao lado de Ronaldo Fenômeno, outra lenda do futebol brasileiro, mas o atacante não conseguiu brilhar no Real como em outros times.

Santamaría

media

Outro sul-americano entre os principais nomes do clube espanhol, seja em conquistas ou número de partidas, é Santamaría. O uruguaio representou a equipe de 1957 a 1966, em 337 partidas oficiais, e fez parte do timaço com Di Stefano e Puskas. Enquanto a equipe brilhava na frente, a solidez defensiva passava pelo uruguaio. Santamaría, assim como o companheiro argentino, também se naturalizou espanhol.

“Sólido, determinado e disciplinado, também se destacava pelo bom jogo aéreo. Era o líder da defesa branca. Naturalizou-se espanhol um ano após a sua chegada ao clube merengue. Jogador forte e ‘inquebrável’, brilhou a serviço de duas seleções: Uruguai e Espanha”, descreve o próprio acervo do Real Madrid para relembrar a passagem do “melhor zagueiro de sua época”, como os merengues o definem.

O Campeonato Espanhol segue disputado! Será que o Real Madrid de Marcelo leva a melhor nas próximas rodadas? Ou o Barcelona vai embalar de vez? Faça suas apostas na La Liga!